segunda-feira, 14 de novembro de 2005
HISTÓRIAS SOLTAS

Veio sozinha para a grande cidade. Angústia por companhia, mão dada com um vício maldito. Sonhar? Não lhe era permitido fazê-lo. Não vivia, sobrevivia. Conheceu-o, apaixonou-se, mas a vida não lhe sorriu. De mão dada com o vício maldito. Ele definhou, não foi capaz de suportá-lo. Deixou-se morrer. E ela? Triste, infeliz, de mão dada com esse vício maldito. Três filhos, infelizes, por causa de um vício maldito. Cinco almas amarguradas, cinco vidas despedaçadas. E porquê? Por esse vício... MALDITO!
Estavam sozinhos, sala escura, fitando a parede à sua frente. Envolvidos pela banda sonora de um filme. Não falavam. Fitavam apenas. Tímidos. Expectantes. O que os tinha levado àquele momento? Não sabiam... A aproximação era inevitável, a tensão aumentava. Finalmente o reconhecimento. Conheciam-se desde sempre. Reconheciam-se agora. Falaram, falaram, falaram. A noite terminou e cada um seguiu o seu caminho, mas nunca mais se esqueceram.
Sonhavas com uma vida melhor? Sentada nesse rochedo, joelho ao peito, olhar fixo no horizonte. O sofrimento estava para trás, o futuro era risonho (?). Tinhas medo? Não! Nada poderia ser pior que o inferno antes vivido. Engano. E como te enganaras. Deus tinha para ti outros planos, sabia-te forte. E és forte! Mas até quando? Pergunto. Até quando essa força de gigante, esse olhar decidido, essa convicção inabalável? Até quando essa alegria de menina, até quando a ingenuidade? Por quanto tempo resistirá a fortaleza que és? Por quanto tempo o teu olhar se manterá pura e simplesmente azul? Tenho medo por ti, mas mais do que isso, tenho medo por mim! (Sou egoísta). Amo-te e não te quero perder. Até quando esta guerra?
Andreia Azevedo Moreira (13/11/2005, 02h30mn)
Imagem de:
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