... Pessoas choram, desesperam sem saber o que lhes vai acontecer. Sofrem com um fim que não esperavam. Interrogam-se com o seu futuro incerto. Pessoas já com trinta anos de casa. E eu vagueio por estes corredores. Com o fim anunciado às costas. As pessoas olham-me com pena, os olhos delas dizendo-me... (e as mais sinceras não só os olhos, proferem mesmo as palavras "temos muita pena, mas andas cá há menos tempo é mais que justo que...") antes tu que nós. E eu com uma calma aparente faço o que me compete, o meu trabalho o melhor que sei. Sei que tinha muito para dar a esta casa, sei que sou (muito) capaz, sei que não vou ter essa oportunidade. E cá ando com esta calma aparente. O meu corpo, esse, manifesta-se. Aperto no peito, angústia de mão dada novamente. Mas eu cá vou sorrindo aos que por mim passam. Então? Não se preocupem comigo! Eu sou da geração da precaridade. Cá me hei-de safar! E sorriso estampado no rosto descansando-lhes as consciências mas não descansando a minha que cá dentro grita Porra! Porque é que não tens direito a esta oportunidade? E a resposta é tão simples... Porque NÃO. Porque o que interessam são os números e não a competência dos que cá andam. E tu, não passas de um número incómodo que apareceu ou cedo ou tarde demais vá-se lá saber. O que é que vai ser de mim? Ainda não sei. Mas sei que vou arregaçar as mangas para ser "algo" de...(tive um professor de português que embirrava que "algo" não era uma palavra que se devesse usar pois era "algo" vaga, mas, como eu não o gramava nem um bocadinho é "algo" alegre que a uso agora as vezes que bem entender...) de MUITO BOM!
# Ideia partilhada por Andreia Azevedo Moreira @ 14:14
