quarta-feira, 24 de novembro de 2010

 

CAFÉ COM LETRAS - CVM e Lídia Jorge

Terminou há poucos minutos na Biblioteca Municipal de Oeiras. Fui, claro.

(Maltinha das Letras não me temam. Persigo-vos discreta. Jamais vos importunarei cá fora. É dentro que necessito dos vossos ensinamentos. Hoje, por exemplo, sonhei com Sophia.)

Eis uma mulher por quem nutro uma imensa admiração. A pessoa que não esquecerei, jamais, no meu percurso. Se ontem tivesse tido coragem para lhe falar (Juntei toda a que tinha, em 2008, quando lhe entreguei o envelope.) ter-lhe-ia dito que um dos meus momentos felizes foi estar a seu lado a jantar. Ter a oportunidade única de a sentir perto, de a ouvir, aprender, perceber o seu modo de ser: sereno e assertivo. (Quem dera tamanha assertividade.) Defino-a numa palavra: EQUIDADE.

Ser-lhe-ei eternamente grata pelo que me disse naquela Feira do Livro de 2008. Não esqueço o olhar magoado, de preocupação, até, quando me desiludiu. Não esmoreci Lídia. Gostava de lho ter dito ontem, também. Ajudou-me tanto. Não calcula o quanto foi precioso e crucial esse momento. Considero-a, por isso, uma amiga. Obrigada por não me ter insultado com condescendência. Obrigada por não me ter subestimado e me ter dito (por palavras mais doces): "Vai mas é trabalhar" se és o que pensas ser. Lê mais. Escreve mais. Isto não. Lamento tê-la agredido com "aquilo" mas saiba que não me arrependo. Era preciso. Necessitava de si e dessa frontalidade, ou ter-me-ia embrenhado calona no meu ego. Ter-me-ia, quem sabe, perdido. Assim, agradeço a dor que senti. Os dias de angústia que se sucederam. O desânimo. As dúvidas. Continuo a caminhar Lídia. Hoje entendo que não lhe cabia dizer-me: "NÃO DESISTAS". Essa responsabilidade é minha. Não desisti.

Foi muito bom ouvi-la mais uma vez. É dotada de garra que inebria. É das que não se cala. Sabe ter um papel na sociedade e desempenha-o. Usa a voz que a notoriedade lhe permite para tentar melhorar o estado das coisas. Acredita. Optimista. É humana. Terrena. Cuida dos seus. Abdica de si (da escrita) para estar com um amigo. É mãe. É escritora. É, para mim, um exemplo inspirador.

Um grande beijinho. Espero um dia conseguir dirigir-me de novo a si, sem me sentir envergonhada pelo tempo que a fiz perder comigo, à data. Talvez um dia tenha algo de muito bom para lhe mostrar. Sei que naquele dia acreditava que sim. Perdoe-me tê-la defraudado. Faltavam-me, de facto, ainda muitos passos.

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Comments:
orgulho. é o que eu sinto por ti. pela tua lucidez, por seres autêntica, por não baixares os braços, por acreditares.
Beijos muitos
 
:')
 
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