segunda-feira, 5 de março de 2012

 

Correntes d’Escritas 2012 – EU FUI! – Quinta parte

Eis-nos chegados à Mesa n.º 4 – Toda a Literatura é pura especulação. - Uma das que aguardava ansiosa, pois se há mulher escritora que admiro é Inês Pedrosa. Porquê? Porque, além da sua maravilhosa escrita, papas na língua não lhe assistem, como diz o outro, o do tralho. E se é para dar um chega para lá no Moya e aos seus comentários indelicados para com o envelhecimento das mulheres, pois que pega no microfone e fá-lo sem apelo nem agravo, olhos nos olhos, perante os demais. Mais uma vez não tirei muitas notas, mas o ponto de exclamação que coloquei ao lado desta mesa, no programa das Correntes, denota o meu entusiasmo à data. Contaram-se muitas histórias das que nos agarram. Guardei as gargalhadas sobre a vizinha conflituosa de Manuel Jorge Marmelo, desaparecida misteriosamente. A comoção, que Pedro Rosa Mendes ao falar sobre Tomás, bebé timorense roubado à família de origem e criado por família indonésia, me provocou. O enlevo ouvindo Rosa Montero, pessoa marcante de quem ando para ler “Instruções para salvar o mundo” há muito. E de quem quero também ler “A louca da Casa”. Foi esta quem me deixou com mais dicas a pulular no pensamento: “Escrevemos com uma memória bêbada.” (A sério? Hip. Hip.); “A memória é um inventor.” (Não… Então “isto” que recordo não é tudo verdade, verdadinha? Ah…); “Dentro de cada um de nós, no mais íntimo, estamos todos.” (Desculpa lá Rosa mas aqui não cabe mais ninguém. Já vivo atulhada quanto baste, quanto mais virem para aqui todos.) E agora o mais importante: “O escritor maduro fala dos demais, mesmo quando fala de si mesmo. O escritor imaturo fala de si a escrever.” Ainda me encontro no limbo. Espera-me muito trabalho. Olaré. É duro confrontarmo-nos com a fragilidade, todavia, é vital. João Bouza da Costa disse uma frase com a qual me identifico a 100%: “Para mim é mais importante aprender.” A intervenção de Eduardo Sacheri, confesso, varreu-se-me. É autor do livro no qual se baseou o filme “O segredo dos seus olhos.” película que Guinho das Silvas, um dia soalheiro, me recomendou.

Foi engraçado ver as interpretações que os participantes deram às frases, que serviam de mote às mesas e confrontá-las com a percepção que tinha formado sobre cada tema.

Última mesa do dia 24 – 5ª Mesa – A escrita é um investimento inesgotável no prazer. – Atentem nisto: Afonso Cruz, Ana Luísa Amaral, Rui Zink e Valter Hugo Mãe.

(Omiti Júlio Magalhães e Manuel Moya. Não é provável que venha a ler qualquer um dos dois. a) Por puro preconceito relativamente à escrita do primeiro, embora ache muito bem que ele publique livros e tenha certo que não rouba leitores a outrem (uma pessoa não tem tempo para ler tudo e o preconceito funciona muito bem como filtro); b) Por embirração para com o comentário parvo do segundo sobre as mulheres dos amigos, à qual a Pedrosa respondeu e pela mesma falta de minutos referida anteriormente. Ressalvo a única ideia que me ficou da sua intervenção e que é, na minha opinião, muito importante: “A escrita é processo, é caminho.”)

Destaco Ana Luísa Amaral. Não houve abcesso que a demovesse de nos encantar com a sua intervenção. Inscrevi 5*, ao lado do seu nome. Bela voz. Palavras possantes.

Valter Hugo Mãe foi o charme do costume. Um homem que dá vontade de comer.

Rui Zink é o maior. Adoro a sua ironia e a mordacidade. Imagino que uma vem no colete no bolso da esquerda, a outra no bolso à direita. Algures entre o telemóvel e o cartão do cidadão. O senhor é genial. E faz-me rir. Atirou-nos com esta, em jeito de resposta à mesa e depois de afirmar que o que devia ter feito, estes trinta anos de livros, era viver: “Prazer? Tenha quem lê.”

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