terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

 

Eu é que inventei as melhores cábulas do mundo!

Que alguém me diga que eu estou errada e que isto já se usa há muito tempo...

As cábulas que eu inventei eram assim:

1) Inicialmente usava uma caneta já sem tinta e calcava num papel branco todo o conhecimento que ainda não me entrara na mona. Mas este método revelou algumas falhas pois uma ou outra réstia de tinta desmascaravam a minha intenção.

2) Ao aperfeiçoar a técnica vi que a força com que escrevo é de tal ordem que se escrevesse numa folha branca por cima de outra folha branca também lá ficava calcado o tal conhecimento.

3) Esta técnica foi testada por mim e em mim e cheguei a ter um Professor atrás de mim a olhar para a minha folha de "rascunho" e nada viu. (Felizmente o ângulo em que a luz incidia na folha não era aquele que permitia ver tudo o que lá estava calcado).

4) O truque é à medida que se precisa ir-se escrevendo por cima do calcado como se estivéssemos a rever o que precisamos para resolver o exercício.

Ora isto é mais útil em disciplinas do tipo Matemática/Estatística/Física em que há inúmeras fórmulas a decorar. O que quando faz sentido até nem é difícil (decorar quero eu dizer) mas para mim que sempre fui burrinha para os números e para as lógicas era.

Porque é que eu me lembrei de semelhante coisa?

Porque ontem um casalinho de miúdos se sentou à minha frente no comboio e iam a discutir a melhor forma de fazer cábulas e eu estive por um fiozinho para lhes ensinar a minha técnica mas não tive coragem por ser esta moça tímida que vocês bem sabem... Enfim, passo-vos a vocês o conhecimento que provavelmente já não precisam dele para nada.

Gostei de ver a miúda a incentivá-lo! Ele precisa de ter um 16 para passar e ela dizia-lhe: "Luta! Esforça-te! Estuda! Faz cábulas! (resignou-se...) Tudo o que for preciso para os teus pais te deixarem ir à gala. Qual gala não sei bem não lhes consegui determinar a idade. Tanto poderia ser uma gala de 12ºano como uma gala de finalistas num curso de 3 anos. Em todo o caso ao pé deles já pareço uma "cota". Esta é que é a dura realidade. Porém, se mostrassem as minhas mãos e as dela diriam que ela era a mais velha... Eu de unhas aparadas curtas sem pingo de arranjo. Ela com umas unhas impecavelmente vermelhas...

Outro acontecimento "giro": uma miúda começou a babar-se a olhar para mim (mãe e filha que iam à minha frente antes do casal da história anterior, portanto até Algés) enquanto eu comia as minhas bolachas (simplesmente) torradas (ainda assim ela olhava para elas como se eu estivesse a comer a melhor bolacha do mundo)... E depois por coincidência perguntou à mãe se ela por acaso não teria umas bolachinhas com ela. Deu-me uma vontade de rir imensa porque mal saquei das bolachas previ que isso fosse acontecer. Recuei na minha memória muitos anos e lembrei-me de mim cheia de caracóis de chapéu-de-sol em chapéu-de-sol a pedinchar o que quer que fosse que as pessoas tivessem para me oferecer. E lá lhe dei uma bolacha e assim evitei que a miúda ficasse "augada" (como diria a D. Joaquina).

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