Estou pela primeira vez nestas andanças dos "blogues"... Resolvi fazer um em homenagem ao meu companheiro de 9 anos, o meu filhote, de quem tenho muitas saudades! Entretanto aproveito e vou pondo cá ideias que me passem pela cabeça! (16Set.2005)
Encaro a vida como um jogo que vou jogando. Jogo-o. Joguei-o sempre. Com mais ou menos arrebatamento. Com maior ou menor arrojo. Tenho-a vivido aberta ao que me traz. A tudo o que me traz. Tenho aprendido as minhas lições. Tenho sorrido quando é para sorrir. Tenho chorado quando é inevitável, quando não é, faço-o também, porque acredito que me lava a alma. E a alma quer-se limpa e leve. É como quero a minha pelo menos. Limpa e leve. Tenho vivido bem esta vida. (Creio eu.) Sempre gostei da frase "prefiro arrepender-me de fazer do que de deixar de fazer." Ainda há pouco a ouvi na televisão. É uma frase bonita e importante. É daquelas frases com que se enche a boca. E depois vem a vidinha mostrar-nos que nós não mandamos. Nós somos meros peões na mão de Alguém (Andas por aí?) tantas vezes sádico. Há acções de que não dependo apenas eu. E nessas não posso, não quero ser leviana. Sempre soube digerir com relativa facilidade (demorando mais ou menos tempo) o mal que me é dirigido. As atitudes de terceiros que me prejudicaram soube pô-las para trás das costas. Os gestos com que me magoaram, soube mastigá-los, engoli-los e dar-lhes o caminho devido, sem guardar mágoa, ou rancor a quem mos dirigiu. Não desejo mal algum a quem quer que seja. E não se trata da frase bonitinha, politicamente correcta. Trata-se da escolha que fiz para viver a minha vida. Uma escolha difícil em que não raras vezes me encho de revolta e me apetece gritar acerca dos meus motivos, das minhas acções. E é então que caio em mim e realizo que estou só. Estamos todos. Cada um só pode saber de si e do seu íntimo. E no meu íntimo escolho não guardar maus sentimentos. De que me serve desejar o mal a quem mal me fez? Remediaria isso as cicatrizes que ficaram? Não creio. Prefiro sofrer a fazer sofrer. (É mais forte que eu.) Prefiro sofrer a fazer sofrer. Prefiro sofrer a fazer sofrer. (Litania que me é inata.) E se faça eu o que fizer alguém sofrer? E para quê sofrer(mos) se em breve morremos todos? Isto é muito curto. É mesmo um sopro. Hoje, sim. Amanhã, não. Hoje um sorriso, uma ou outra piada. "Estava lá o Macacário." "Xujana xe xair xaia xó, xou xó xeu xerafim xá xouja." Amanhã uma cama de hospital,um corpo que emagreceu ao limite, uma boca aberta em desespero pelo oxigénio, uma despedida. Todas as palavras que se calaram durante a vida. As acções que se queriam ter mudado e já não há tempo. As explicações que faltaram. Tão fácil falar. Assim é que é. Isto é que é. Aquilo nem pensar. Tão fácil julgar. Tão fácil decidir pelos outros. E no fundo, no fundo, ninguém faz ideia do que anda a fazer. Eu não faço. E só sei que nada é certo. Nada é perene. Nada é imutável. Nem mesmo as nossas mais viscerais convicções. Resta-me respirar. Isso penso que ainda sei fazer bem. Inspirar... Expirar... Inspirar.
# Ideia partilhada por Andreia Azevedo Moreira @ 14:46
Comments:
Espero que hoje o ar se respire mais leve. São dias :)
É este o caminho para a sabedoria? Acredito que sim, quando conseguirmos deixar tudo para trás. Havemos de conseguir.
Um beijo cheio de amizade e carinho.
# posted by Hüg : 10:32 da manhã, setembro 28, 2009
São muitos dias já. Estou perdida amigo. Perdida sem sair do lugar. Se puderes dá um berro a ver se eu volto ao trilho. Agradecida. Bj gd. Foi bom ontem. É sempre. Obrigada por quereres morar em mim.
chiça...que isto parece que está pesado para todos...e se pudesse escolher nao queria caminhar mais...ficava bem por aqui...porque para trás só falta deixar a roupa que tenho vestida...e hoje não é muita :) beijos e acreditemos que melhores dias virão
# posted by bzuu : 1:17 da tarde, setembro 29, 2009
Deixa! Deixa! Deixa! (quem te manda ser boa?) Eh eh eh. Olha pelo menos há uma coisa que eu sei que não muda. (Ó barbudo esta não nos mudes sff!) A NOSSA AMIZADE! Essa é eterna e vencerá até a própria morte. PAM.
Como estamos coxinhos amparamo-nos uns aos outros que tal?
Andreia Azevedo Moreira (Lisboa, 1978) licenciou-se em Engenharia Florestal e não exerce. Não estudou letras mas dedica-se-lhes com paixão. Escreveu os argumentos e os guiões das curtas-metragens «Espelho meu» (2018) e «A Escritora» (2019) em parceria com Hugo Pinto, o realizador e o argumento/guião da curta-metragem «À vida» (48HFP Lisboa) realizado por André Costa. Colabora com o projecto online fotografarpalavras idealizado por Paulo Kellerman. No papel: «Os cães ladram» (Colectânea «O país invisível», C.E. Mário Cláudio, 2016); «Pode um corpo morto» (Colecção Crateras, Nova Mymosa, 2019); «Mar Fechado» (Grotta n.º4, 2019/2020); «As paredes em volta» (Colecção Crateras, Nova Mymosa, 2020); «A vinte e quatro minutos da eternidade» (Ed. Minimalista, Antologia de contos, 2020); «Abel» (Ed. Minimalista, Contos Minimalistas, 2021), Augustine e os maus sentimentos (Nova Mymosa, 2021), Depois do abismo o canto dos pássaros (Nova Mymosa, 2022), Em português escrevo com A (Edição em papel de 06-04-2023, Jornal de Leiria), Pesar o adeus (Nova Mymosa, 2024). Liberdade e gratidão são verbos. Pearl Jam, banda sonora.