quinta-feira, 23 de agosto de 2012

 
Para quê apartar a fantasia do(s) meu(s) pensamento(s) se tem sido tantas vezes o que me permite sobreviver?

Não preciso de medalhas por bom comportamento no dia da minha morte. Sorrisos? Sim.

Obrigada. Era só.

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terça-feira, 5 de junho de 2012

 

Pelos meus filhos morrerei, se precisarem que os proteja com o corpo.

Não abdico, todavia, da minha Vida (Interior). Precisamente porque os Amo o faço. Se há em mim alguma expectativa é que saibam Viver; que aproveitem cada dia como se fora o instante derradeiro; que não coloquem nos pés de terceiros o trilhar desse percurso a que se chama Felicidade, como se essa não desse mais trabalho do que inscrever 10 letrinhas numa folha de papel. Responsabilidade de cada um, sim. Não quero ver-me velha e eles a encararem-me com piedade, ou aperto no peito, que os aproxime por dever castrador, ao invés de carinho tão-só. Faço votos que quando me relembrarem seja para eles fôlego profundo, com cheiro a Liberdade, como todo o Amor deve acontecer.

T. e G. ajudei-vos a vir cá, agora é convosco. Estarei sempre por perto para sentir no rosto o vendaval das vossas asas. É o que espero dos dois, que voem. Que sejam fiéis a Vós próprios ainda que de hoje para amanhã as vossas escolhas e acções me possam agredir. Não me desiludirão, não sofram, por favor. Cá estou para aprender a aceitar-vos Inteiros. 

Por ora, dedico-me a amparar-vos o crescimento o melhor que consigo...

(Não é fácil caraças. Tão difícil saber o que hei-de fazer para não errar muito, sentindo que me engano demasiadas vezes.)

...Enquanto Escrevo; Leio; vou ao Teatro, ao Cinema e aos Concertos que me acicatam; estou com os Amigos; Namoro; Refilo; Perco a cabeça; Rio alto; Choro; Trabalho; Persigo as gentes das letras que admiro (Com muito maior contenção, note-se a cedência.); Respiro; Observo o Oceano; Sonho em adoptar dois ou mais cães (num apartamento nem pensar); ouço Pearl Jam, James, Dave Matthews Band, Alanis e outros que me fazem bem aos ouvidos e serenam a loucura; faço cursos e workshops das coisas que me alimentam a alma; falo com gente que me agrada e outra que estranho; vejo beleza nas cores que me rodeiam e me esforço por não sucumbir à fealdade do mundo; exemplos. 

(Como descrever a Vida vivida?)

Egoísmo seria fazer-vos reféns por abdicar de tudo o que me compunha antes de vocês existirem, cedendo ao  que alguns fantasiaram (e tentaram impor) que uma Mãe deve ser.

Sou uma mulher em construção. Perdoem-me qualquer coisinha.

P.S. Uma exigência (afinal até as tenho): Não adiram ao movimento dos desencantados. Far-vos-á mal ao fígado e a bílis, meus queridos filhos, é amarga 'comó' caraças. Sei porque já vomitei até à dita e não foi agradável. Estávamos nos anos 90 em V.N.Mil Fontes certa vez em que ainda acordei bêbada. Ah... Espera... Isto secalhar não era para contar. Eh eh eh.


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segunda-feira, 21 de maio de 2012

 

REENCONTROS


Há pessoas com olhos doces, dos que (me) falam, a quem é sempre bom regressar. Habitar-me-ão até ao dia último. Revê-las sabe à saudade que não tinha a noção de ser desmedida. Não há virtualidade que supere estar com aqueles que um dia fizemos nossos. Não há calor maior que o dos sorrisos, do(s) olhar(es), do toque. É nessa vida que me encontro: Quando existo em abraços e beijos e digo “Gosto (muito) de ti.” sem palavras.

Aproveito o post para um Post scriptum: PARABÉNS GUIsado! Aquele abraço. Móchiiiiiiiiiiilllaaaaaaaaaaaaa! :)

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quarta-feira, 2 de maio de 2012

 

Cada um faz o melhor que pode. - Declaração de intenções III

Não sou uma palavra, uma frase, uma mania. Não sou um trejeito, um tom de voz, uma maneira de escrever. Não sou o meu sentido de humor, a(s) minha(s) música(s) preferida(s), as causas que abraço. Não sou o Amor que sinto, os meus filhos, nem os meus amigos. Não sou a única aluna, leitora, não sonho sozinha. Não sou o meu animal preferido, a cor que mais me diz, o(s) livro(s) da minha vida. Não sou o trabalho diário, a forma de me rir, ou o andar desajeitado. Não sou as minhas crenças, ou indignações. Não sou as peças de teatro que me arrebatam, ou os filmes que assisto na tela maior. Não sou a vontade. Não sou o que vivi, as paixões, os desgostos. Não sou o meu mau-génio, as minhas inseguranças, as minhas dores. Não sou o meu doentio ciúme. Não sou o medo de não ser, do escuro, de perder o indefinível. Não sou a minha desmedida fé, tão pouco a massacrante desconfiança. Não sou o(s) desejo(s) que me consome(m). Não sou o que me (de)move. Não sou o meu olho direito torto, ou as unhas curtas, sem cor. Não sou a paranóia, nem o bom-senso, ou as minhas decisões. Tudo o que, isoladamente, não sou, o sou inteira.

(Eis que me sinto melhor.)


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sexta-feira, 27 de abril de 2012

 

Do princípio do fim, ou então é só azia.

O fim é comboio em andamento. Ainda vem longe e já o ouvimos, o tememos e não obstante o aviso, não é certo que consigamos sair dos carris a tempo. Não me apetece ser cilindrada. Todavia, pressinto-o e é uma merda. O fim anda à minha volta (à minha beira, vivesse mais a Norte.). Anda o fim em sorrisos que escondem infelicidade desmedida; em olhos apagados; nas gargalhadas, gritos de dor disfarçados; em relações irremediáveis e apodrecidas que se alimentam de falsos pretextos; na velhice dos que amo e dos que conheço de vista, na minha própria velhice anunciada; no hábito que mascara o(s) sentimento(s). Não o suporto. Não aguento o conforto. O ameno. (A verdade. ) Não quero morrer em vida, nem acolher o fim no coração, como a um amigo. Não ando bem. Falta-me o princípio de tudo. Ironicamente, há vida a crescer em mim. Que me perdoe tamanha tristeza. 

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

 

IDEIAZINHA(S)

Queixamo-nos amiúde sobre as dificuldades que algumas circunstâncias nos impõem. Falava disso com a minha Bzuu, quando se me deu a epifania. Os orgasmos, numa mulher, são dados adquiridos e fáceis de atingir? Não. É por isso que desisto de dar o litro para lá chegar, que é tão bom? Não. Então, pá? É dar-lhe. Dá-lhe Bzuu, que eu também o farei no(s) objectivo(s) que estabeleço. E se não conseguirmos, pelo menos tentámos e queimámos calorias o que, como diria alguém: "é de valor".
Aquele abraço miúda(s).

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

 

Facadinhas

Fácil ser-se juiz quando a posição é a do traído (com conhecimento de causa); ser clemente é natural quando se trai. O equilíbrio precário da imparcialidade daquele (que julga, coitado...) que se situa no limbo: eis o genuíno martírio.

Os que traem e os traídos? Vidinha "boa". Pelo menos já sabem de que lado jogam.

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terça-feira, 10 de abril de 2012

 

Das questões angustiantes:


Quantas pessoas terão chegado à velhice sem terem amado?

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

 

Ouve uma coisa:

Acordei. Percebi o que andas a fazer. A manipular-me. A tentar dissuadir-me do que pretendo fazer. Rio-me de ti. Digo: Não vais ganhar. Perdi-me, momentaneamente. Foi só. Logo, sento-me. Escrevo. Não andarei pelos meandros da tua loucura, ou preguiça. Venço-te. Vais ver! (Como prometia cobarde, em pequena, adiando o confronto.) Um dia esqueço-te e meto mãos à obra.

À Nicola: Hoje é o dia.

O teu nome já não (me) ilude.

Mente. 


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sexta-feira, 9 de março de 2012

 

DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES II:


Recuso a perda da inocência e da capacidade de me encantar. Que se foda o cepticismo.

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

 

Gostava...

...de não me sentir constrangida em tratar toda a gente por TU.

Não há, para mim, sinal de respeito maior, que tratar outrem como igual.

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

 

(MICRO)CONTO DE TERROR

Havia um homem que endoidecia com as mentiras que lhe diziam.

(Molhava o bico.)

Outro penava louco com o que cria que lhe sussurravam, contudo, nada era transmitido deveras.

(Bico seco, seco.)

Aqueloutro não suspirava, nem agia.

(Bico aberto.)

E um havia que acusava os outros de permanecerem quietos, como condenava os restantes se, se revelavam ousados. Persistia em fazer o que não queria, dizer o que não sentia, pensar o que jamais tentaria.

(Bico amargo.)

Todos eram tristes.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

 

A des(H)umanidade matou uma menina.

Está doente o mundo e eu moribunda com ele.
Cai-nos uma vida aos pés e passamos lestos.
Comemos indiferença como mordemos saborosa e sumarenta maçã.
Rostos altivos ignorando o crime de todos.
Está doente o mundo e eu choro por ele, por mim, pelos homens.
Por aquela criança sem nome, semblante, ou futuro.
Quantos minutos de dor até que alguém ouça um brado mudo?
Que barulho faz o termo de uma existência?
Está doente o mundo.
Uma mãe foi mutilada.
Quantas mãos amordaçam a(s) consciência(s)?

Andreia Azevedo Moreira.
22/10/2011

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terça-feira, 18 de outubro de 2011

 

IDIOSSINCRASIA

Não. Não estranho que eu que gosto de pessoas terra a terra, de feiras e farturas. Do barulho das alegres gentes que se movem ao ritmo de música duvidosa, das que agride tímpanos e almas subtis. Do cheiro a sardinhas que se cola à roupa e ao cabelo. (Disso não gosto, gostando.) De dormir no chão duro de uma tenda, sem separação entre as costelas e aquela pedra que se não viu, no erigir temporário. De acordar nessa(s) doente de calor e falta de ar. Do cheiro a campo, pela manhã, ornamentado a pássaros que chilreiam existências simples, todavia, plenas. Dos arraiais, das cores e de arroz doce. Dos piqueniques em que se cheiram flores e merendas que deleitam: Rissóis, pastéis de bacalhau e croquetes; batatas fritas de pacote, dentro da sandes mista com uma rodela de tomate. Eu que adoro balouços e me doem saudades da feira popular que era em Entrecampos, ou que me comovo tão só com o alvoroço das multidões. Eu que exclamo e me detenho em reticências sem fim e prefiro a prata ao ouro. O cão ao gato. O golfinho ao tubarão. Banal na vida e no trato. Não. Não estranho que me sinta (tão) bem no lugar-comum.

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sábado, 1 de outubro de 2011

 

Ruminações no regresso do Café com Letras com Maria Teresa Horta.

Dizer aos meus que os amo.
Diariamente.
Relevar mágoas, atritos, ressentimentos.
Amiúde.
(Revelando-se-me exequível, sempre.)
Procurar quem me ensinou coisas importantes e agradecer(-lhe):
Hoje.
Mergulhar nesses olhos azuis, por ora destapados, – Ocultos a maior parte do tempo, para que lhe não conheçam da alma mais do que deseja. – num OBRIGADA POR ESTE LIVRO. (Não, ainda, o que veio apresentar.)
Pelas reflexões que me proporcionou; as explicações factuais das coisas, até então, somente pressentidas; pelas luzes. (Não, ainda, as de Leonor.)
Obrigada por me terem demonstrado que este incómodo de ser mulher pode ser força. Pode ser grito. Pode ser caminho.
Não abismo.
Não impossibilidade(s).
Não é qualquer circunstância o que me tolhe os movimentos.
Sou quem me exciso.
Empunho a cortante preguiça.
Desisto sem principiar.
Arquitecto o álibi do meu suicídio.
(A culpa não é minha. A culpa é daqueloutro. Eu cá fazia. Mas…)
(Tretas.)
Sangro(-me).
Muito mais fácil tombar.
Privo-me do prazer imenso que é ser, sem castrações.
Julgo. Aponto. Falo dos outros falando de mim. Condeno-os, porque me condeno.
Ser. Devia ser(-me) mais simples.
Não foi.
A imobilidade cansou-me porque me não é natural. Governou-me o medo.
Hoje é o dia em que dou um passo.
Digo “É.” ao invés de soluçar “Espero…”
Não há vida cansativa o bastante para extinguir quem se não cansa de arder.
Ardo, pois.
Abriram-se-me grades no cérebro quando vos li, três Marias.
Corri engasgada de alegria angustiada, para fora do cárcere em que me permiti morar.
Premente dizer-lho encarando-a.
Um privilégio ter uma das três defronte.
Aspecto frágil, todavia, rochedo.
OBRIGADA.
(OBRIGADA.)
(OBRIGADA.)
O Vosso livro caiu-me no peito com o peso das revelações e tornou-o leve. Respirável.
Num momento em que fui engolida pelo colo que me demandavam e não estava certa de poder dar.
Temi desaparecer.
Assumir múltiplos papeis. Não passa disso. Tê-los. Abraçá-los. Vivê-los.
Cá dentro o mesmo turbilhão, a gana manteve-se.
É indelével.
Sim posso ser “Minha senhora de mim” (A ler, claro está.) sem renunciar a quem de mim, por ora, depende.
Não renuncio a minha carne. Não silencio a minha voz.
Compatíveis assim o queira.
Louca. Histérica. Bruxa. Egoísta. Puta.
Maldade é feminino.
Sobranceria. Mentira. Vaidade.
Quis ser boa,
Bem comportada.
Irrepreensível.
Para quê? Para quem?
Essa pele já não me serve.
Quietude.
Berros.
Conflito(s).
Contestação.
Enxotar o medo dos ombros.
(Pesa muito.)
Não calar.
Gritar enquanto não aprender a transmitir serena o que me move.
Enquanto houver disparidade(s) agressora(s), ou se disser “Não podes!” sob dissimuladas razões.
Enquanto se não derem OPORTUNIDADES IGUAIS, ninguém é livre.
Homens. Mulheres. Pessoas.
Pessoa é feminino.
E humanidade.
E dor.
E coragem.
E asfixia.
E ternura.
E amizade.
E alegria.
E violação.
E felicidade.
E lágrima.
E música.
E força.
E verdade.
E poesia.
E arte.
E literatura.
E persistência.
E criatividade.
E beleza.
E sensibilidade
E morte.
E vontade.
E vida.
E LIBERDADE.
Que me importa o ridículo do quanto manco, agora que me pus a andar?
A(s) voz(es) de fora?
Porque me hei-de amedrontar ante o(s) vazio(s) do(s) outro(s)?
O(s) temor(es) do(s) outro(s).
A crueldade do(s) outro(s). (Não mais certeira que a minha.)
Quem me impediu, até agora, de caminhar?
Outrem?
Não. Eu.
Eu?
Já não estou aqui,
Voo.
Vou.
Sou.
Até já.

Andreia Azevedo Moreira a contraditória.
28/09/2011 – 23h45.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

 

MIDNIGHT IN PARIS


Este filme é uma delícia. Thank U WA.

A cada...
...bom filme
...concerto
...avassaladora peça de teatro
...viagem
...conversa das que importam
...deitar e erguer
...curso que frequento
...post no Buddy
...música que (me) enleva
...vez que amo
...ou me apaixono (perdidamente)
...dia de choradeira
...ou gargalhadas
...livro que (me) transcende
...amigo que reencontro
...ou perco
...pessoa que me faz falta
...ou acompanha
...aniversário
...cheiro
...esperança
...desilusão
...cobardia
...ou rasgo de coragem
...confronto com o mar
...pontada de dor de saudade
...momento passado com o meu filho
...dia em que vivo...

DOU MUITO VALOR.

É o tempo a minha maior riqueza.

O tempo que vivi e o que me resta.

O tempo.

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

 
Curioso que me seja por demais árduo confiar nos meus, quando diariamente me coloco nas mãos de desconhecidos.

Ao atravessar numa passadeira confio que quem conduz o veículo que se aproxima não me quer atropelar. Atravesso-me no seu percurso sem temor(es). A minha vida tão frágil à disposição do livre arbítrio de outrem.

Como pode ser isto? Que raio de contradição é esta que me habita desde que me conheço?

Quem não confia não é confiável.

Não sou de fiar.

Isto é lógico(a).

Eis uma das coisas que quero (muito) mudar cá dentro:

A desCONFIANÇA...

...que alimento em relação aos outros.

(E a mim.)

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

 
Conceber amar sem conhecer o outro.

Eis o engodo que se engole com vontade maior. Ávidos cremos no inverosímil. Se nos disséssemos tão só apaixonados - Não sendo de somenos importância note-se. - isso seria aceitável. Que digamos que amamos quem não conhecemos é estupidez. (Passamo-lo todos, pelo menos, uma vez na vida. Estou certa.)

Não se pode amar sem se ter assistido ao pior, ao que não é idealização, ao que (se) é deveras. Olhar para o vómito e cheirá-lo e às flatulências também. Sentir dentro a desilusão com que um dia (que chega sempre) o outro nos estilhaçou o peito. Perder a vontade de bem-querer, para um dia banal a recuperar e perceber quão importante nos é. Segurar a testa febril, limpar lágrimas com as pontas dos dedos, beijar imperfeições, aceitar o que nos agride por não se assemelhar ao que somos.

Acompanhar sonhos. Amparar quedas. Lamber joelhos que se esfolam. Estar. De forma incondicional. Ficar. Para além das traições que possam ser consideradas despiciendas no cômputo dessa soma 1+1=2.

É (demasiado) fácil (con)viver com a luz. A escuridão apavora(-me).

É quando amo até a treva que o faço em completude. Não posso amar uma fotografia se lhe não quiser o negativo. Enamorar-me-ei pela cor, por aquele instantâneo. Nada mais.

Amar: eis o desespero, a autenticidade, a dor de se poder ser desmesuradamente (in)feliz.

A paixão consome-se num suspiro.

Sou afortunada. Já me apaixonei muitas vezes.

(Tenho sido mulher de avassaladoras paixões.)

Mas o presente, que me eleva a sucessão dos dias, é feito deste am(a)or em perene (des)construção.

Que de hoje para amanhã se desmorone? Aceito-o.

Sobreviverei(emos) entre os destroços do que vivo(emos) por opção.

P.S. Já 7!

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

 
Uma pessoa (uma mulher) por um filho adia qualquer coisa. A cabeça continua a funcionar, tem ideias, arrisca umas "curtas". Há permanente angústia por não conseguir concretizar a maior parte do que se lhe assoma ao pensamento. Sabe, todavia, que para escrever Literatura o empenho tem de ser total. Ainda há muito que aprender. Tudo, talvez. Pede ao Universo que a sua hora tarde, para conseguir, um dia, ter a disponibilidade de que o seu Amor necessita. Adiar não é desistir. É tão-só a latência que se lhe impõe por existir alguém, muito maior do que ela ou os seus desejos, que precisa que esteja a seu lado. Uma pessoa (uma mulher) não fica triste se isto acontece, porque aprende com as entranhas a renunciar ao egoísmo. Mas, não esquece. A sua exigência de escrita manifestar-se-á sempre, ainda que de forma subtil e habitar-lhe-á o peito até ao dia derradeiro.

A. a 13 de Maio de 2011 às 13:00

Choro muitas vezes por esta pessoa (uma mulher). Apiedo-me dela desconhecendo se a(s) sua(s) impossibilidade(s) se trata de injustiça, ou natureza, da sua condição. Ignoro se desistiu deveras e a criação é o álibi perfeito para a desistência. Se aguarda paciente a sua oportunidade de usar o tempo a seu bel-prazer. A decisão foi tomada. Não há retrocesso. Desejo que não tenha decidido privar-se do seu modo de ser e que o Universo lhe ouça a prece: "Morte não te antecipes." Choro muitas vezes por esta pessoa (A quem não reconheço como vítima).

Uma mulher.

CONTINUA.

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

 

Como é que uma pessoa sabe(?):

a) Que não vê a coisa porque não quer.
b) Que não vê a coisa porque não pode.
c) Que não vê a coisa porque essa não existe.
d) Que a coisa não existe mas está a querer vê-la.
e) Nenhuma das anteriores ou de como uma pessoa nunca sabe. (Nada.) (De nada.)

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