sexta-feira, 29 de junho de 2012

 

Da(s) escolha(s).

Queres morrer? Morre. De uma vez. Não às prestações. Não evidenciando cada pequena morte. Não aguento e sou já indiferente a teus rogos. Vive, morre. Escolhe. Nada tenho que ver com a decisão. Somos duas pessoas. Não uma. Duas. Vontades. Pára de me arrastar para essa tristeza. Sou melancolia que chegue. Não quero a tua. A alegria dá-me trabalho. Todos os dias labuto nela. Por vezes sabe deus como me custa. Ainda assim, escolho-a. Se a não queres, não me diz respeito. Uma vida inteira a fazer de palhaço não foi suficiente. Pouco te fiz sorrir. Tenho mais que fazer agora. Dedico-me a outras artes. Perdoa-me se desisti. Nota que o fiz muito depois de ti.

(Nada te devo.)

Se quiseres, tenho ternura. Atenção. Cuidados, sim. Se escolheres a vida. Por demais preciosos, para que os reserve para a morte. Se é o fim que procuras, descansa em paz.
Não me quedarei numa lápide prematura, arrefecendo contigo.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

 
Não pode uma Mulher ser competente, que se tem logo de arranjar por onde pegar. Que tristeza tantas cabeças para quem a roupa, importa mais do que os feitos.

Fuck off little people.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

 

A des(H)umanidade matou uma menina.

Está doente o mundo e eu moribunda com ele.
Cai-nos uma vida aos pés e passamos lestos.
Comemos indiferença como mordemos saborosa e sumarenta maçã.
Rostos altivos ignorando o crime de todos.
Está doente o mundo e eu choro por ele, por mim, pelos homens.
Por aquela criança sem nome, semblante, ou futuro.
Quantos minutos de dor até que alguém ouça um brado mudo?
Que barulho faz o termo de uma existência?
Está doente o mundo.
Uma mãe foi mutilada.
Quantas mãos amordaçam a(s) consciência(s)?

Andreia Azevedo Moreira.
22/10/2011

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sábado, 15 de outubro de 2011

 

Dia 15 às 15h

A culpa também é minha que me desresponsabilizei, me demiti das minhas obrigações enquanto cidadã. Virei a cara num "não percebo e não quero entender" imaturo e irresponsável. Limitei-me a votar crendo que "são todos iguais" e que é tudo maior do que eu, para fazer diferença qualquer atitude. Não procurei informar-me, não tentei descortinar os telejornais e os comentadores, não li mais do que os suplementos culturais dos diários. Não quis saber. Por isso sou responsável. Não chega cuspir para cima e dizer que está tudo na mão de terceiros. Quantos de nós de rabinho sentado e bracinhos cruzados assobiando negligências? A passividade trouxe-nos aqui. É altura de começarmos pela figura no espelho.

(Como na música do Michael Jackson, para a qual as manhãs da Comercial me chamaram a atenção e cuja letra é belíssima e aplicável ao que transmito agora.)

Se cada um se preocupar consigo, com as suas acções e respectivas repercussões na sociedade talvez um dia a maioria que hoje envergonha se envergonhe de ser a minoria. Não haja ilusões: SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS pelo estado do país. E pouco (me) importa que uns sejam mais do que outros. É altura de agir.

Com optimismo.

Sem cantiguinhas dos desgraçadinhos s.f.f.

Eu vou.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

 
- Larga-me a mão papá!
- Não posso. Anda daí.
- Onde?
- Já vais ver.
- É bonito lá onde vamos?
- Há paz.
- Precisamos de paz papá?
- Preciso.
- E mais papá?
- Preciso de ti também.
- Porquê papá? Para jogar à bola?
- Mais ou menos. Não penses que te estou a usar filho. Quero-te bem.
- Usar papá? Como usar um boné, por exemplo?
- Sim. Como usar um boné. Não estou a fazer isso.
- Então o que estás a fazer papá? Porque me apertas com tanta força a mão? Dói um bocadinho sabes? Não queres que fuja, é?
- É. É isso. Não me podes fugir. Não agora.
- Nunca fugiria de ti papá. Gosto tanto de ti. Olha, gosto mais de ti do que de jogar à bola e tu sabes como eu gosto tanto de jogar à bola, pois é?
- Pois.
- Olha, mas larga-me a mão. Eu não fujo. Prometo!
- Não posso filho. Preciso de ti.
- O que é precisar papá?
- É não poder passar sem... Não posso passar sem ti. Entendes? É por isso que te levo para onde vou. Para não estar sem ti.
- Mas eu estou sempre aqui para ti papá. Não vês?
- Sim mas vou para longe e quero levar-te comigo.
- E a mamã?
- A mamã não vai.
- E como é que eu lhe mostro um passe muita fixe que aprendi hoje de manhã lá nas escolinhas?
- Não mostras.
- Não é justo papá. Também lhe quero mostrar. Eu também gosto muito da mamã sabes?
- Sei. Cala-te agora um bocadinho e acelera o passo.
- Tens pressa papá?
- Tenho.
- Porquê?
- Porque é tarde para mim. (Para nós.)
- Tarde? Mas ainda nem almocei!
- Quero que saibas que é porque te amo muito.
- Vou ficar de castigo?
- De certa forma sim.
- Mas eu não fiz nada de mal papá! Alguém te contou uma mentira? Eu não fiz nada de mal! Não me ponhas de castigo.
- Tem de ser.
- Porquê?
- Porque sou egoísta. Quero que a tua mãe sofra. Que sinta o que é estar vazio.
- Queres aleijar a mamã?
- Quero.
- Mas isso não se faz papá. Não se aleijam pessoas de propósito! Tu é que me ensinaste isso lembras-te? Só tenho seis anos, mas isso eu sei.
- Tens razão. Mas agora não te consigo dar ouvidos. Nem te consigo ver. Só sei que é hoje que acabamos.
- Acabamos como num um dois três acabou a história?
- Sim.
- Não posso papá. Desculpa. Amanhã tenho de jogar com o João André de manhã. Prometi-lhe a desforra. Marquei-lhe muitos golos hoje sabes? Ficou tão chateado comigo. E como quero que continuemos amigos, amanhã vou deixá-lo ganhar.
- Amanhã não podes ir à escola filho.
- Papá, não posso é faltar. Amanhã vou à escola sim! Vais ver!
- Confia em mim. Aperta a mão do pai.
- Não quero papá. Estás a assustar-me com essa conversa do um dois três acabou a história. Ainda tenho uma data de jogos para jogar com o João André e tu não queres deixar. Isso deixa-me triste papá.
- Anda. Já decidi. Anda. Confia no pai.
- Ai! - Começa a chorar. Soluça desconsolado com medo do, até então, companheiro de muitas brincadeiras.

(...)

- Porque me levaste para morrer papá? Não estava doente. Se estivesse, nada que umas torradinhas com doce da avó e chá não curassem. Porque me apertaste com tanta força a mão papá?! Porque não me deixaste dar-te uma canelada com toda a minha força e fugir-te? Sentava-me no passeio à espera que alguém me viesse buscar. Talvez a mamã.

- A mãe não! A tua mãe nem pensar. Não te merece.

- Porquê?

- Porque já não nos quer.

- A mamã já não me quer?

- Já não ME quer.

- E a mim?

- Hum?

- E a mim?

- A ti quer e nunca mais te vai ter.

- Ter?

- Sim. És nosso. Meu e dela. Mas agora eu é que sei o que hei-de fazer contigo. Vais ser de ninguém.

- E tudo o que eu queria ainda fazer? Achas que vou ter tempo até à estação dos combóios?

- Não filho. Mas o que são os teus sonhos perto da desilusão que sinto?

- Cantas-me o "Pouca-terra-pouca-terra-pouca-terra. Uuuuuuuuú!"?

- Não tenho tempo.

- Larga-me a mão! Larga-me a mão! Larga-me a mão! Tu não és o meu papá!

- Já não confias em mim?

- Não percebo nada do que estás a dizer papá. Só sei que amanhã quero jogar à bola com o João André. Quero rir, correr, brincar e ser alegre!

A vida daquele menino não podia acabar assim. Colhida por um comboio a 150km/hora.

Todavia, acabou.

Desde que li a parangona que me sinto doente.

As crianças não são coisas!
As crianças não são coisas!
As crianças não são coisas.

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

 

O que é que andamos a fazer?

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

 

Do GRITO ou de como só me apetece dizer FODA-SE:

O que me irrita é quererem servir-se ao invés de servir a Escrita. Não se dão ao trabalho de ler para trás para dar um seguimento à estória, para ver nascer alguma coisa. Querem brilhar. Mostrar o quanto conseguem, sem entender que aquilo tal como se encontra nada é. Foda-se. Só me apetece dizer: FODA-SE. Leiam deveras quem vos antecedeu. (Foda-se.) Esqueçam os textinhos que já tinham preconcebido na mona. CRIEM. O que importa é que o que escrevem dê força (Tesão estão a ver?) e coesão à narrativa. Vocês ou as vossas aspirações nada são. Nada somos, entendam isso. Trabalhem em prol do grupo se o projecto é colectivo. Se amam a Escrita é isso que têm de fazer, ou, pelo menos, TENTAR. Ponham de lado o ego. Foda-se!

P.S. Queridos leitores que desconhecem sobre o que falo, perdoem a ordinarice, mas estava por demais aperreada. Impunha-se-me uma asneirola para limpar as entranhas. Tinha aqui o coração todo oprimidinho.

P.S.2. Voltei de férias claro está. :)

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

 

AUSÊNCIA

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

 

Não me peças para te salvar.

Não sou capaz. Não quero.
Jamais hei-de o fazer.
Sou somente uma pessoa.
Tão perdida quanto tu.
O sorriso é uma (minha) escolha.
Todavia a miséria semelhante. A incerteza também.
A mágoa é de cada um.
Não queiras que chore por ti.
Nem eu, nem outrem.
Não te peço que o faças comigo.
Chorei sempre sozinha,
e foi só que as lágrimas (mais pesadas) limpei.

O sorriso que hoje envergo,
pode agredir a quem
julga que só existimos no mundo
se apiedarmos alguém.

(Recuso esse modo de estar. Nele vivi há muito e ao mesmo não hei-de voltar.)

Ainda que dilacerada,
não espero que penem por mim,
porque cada passo que dou
é meu, fui quem o escolhi.

Nada tenho para te dar.
Não sou heroína.
Nunca o fui.
Perdoa se com a minha aparente força
acabei por ter enganar.

Faço o melhor que posso,
para prosseguir vivendo:
Limito-me a respirar.

(O resto? Coincidências e vagas que me vão transportando. Se me afogar, fá-lo-ei, como no momento do parto: eu, vísceras e sangue. Que nenhum "doutor" me auxilie que hoje já tenho pernas para andar. Que ninguém sofra pelo meu percurso fui eu quem o quis trilhar.)

Andreia Azevedo Moreira
11h41 de 06/06/2010.

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terça-feira, 25 de maio de 2010

 

AMOR NÃO É ASFIXIA. É VONTADE.

Amo-te!
Claro que te amo.
(Não te amo. Desconheço-o.)
Não.
Amo!
Obviamente.
(Não me amo e ignoro-o.)
Controlo-te.
(Controlo-me. Hirta. Pungente.)
Respondo torto.
(Tudo que digo é sentença.)
(Arbitrária. Cruel.)
Franzo o sobrolho e faço-me malvada, quando o que quero é colo.
Amo-te.
(Não te amo.)
(Não me amo.)
(Até quando?)
Não me contenho.
Quero-te numa gaiola!
Mando-te cantar ao ritmo perfeito.
Pretendo fazer de ti o eleito.
Sinto pavor que me mandes embora.
Corto-te as asas.
(Não basta a jaula.)
Profiro rude:
“Não estás bem assim.”
Tento trazer-te para dentro de mim.
(Escuta: Isto não é amor. É minha posse. É teu terror.)
Tenciono isolada amar o que vejo, ou sonhava fitar. Ser nada e ser tudo.
Mãe, amiga, filha, chefe, amante e escrava.
(Subjugar-te.)
Consumo a tua luz.
(Brilharás só a dois.)
(O desejo há-de esmorecer. Por agora não o vislumbro ou não o consigo conceber.)
Engano-me(te). Grito-te(me):
“É isto o amor.”
Sinto remorso por te trazer tanta dor.
Porém cerro os punhos e insisto no erro:
“Serás exemplar. Obra minha. Dirás o que quero.”
Dançarás só para mim e andarás na linha que tracei para ser teu único caminho.
Somente eu ouvirei tua voz e crê que mais ninguém estimará tanto um “nós”.
(Logro.)
Digo maldades para que te sintas mal.
Não é perfídia, somente cansaço.
Escolho atacar-te a admitir o fracasso:
“Não gosto de mim.”
Vem daí a raiva. Mais fácil culpar-te.
Cobrar arrogante: Tens de me fazer feliz!
Não sei como o ser, não quero aprender.
Condeno-te a saberes o que fazer.
Abafo-te. Escureço-te. Obrigo-te a ser aquilo para que ninguém devia nascer:
Ser de…
Ao invés de ser…
Fere-me perceber que te talhas sobre mim. A verdade a fugir-te. Esqueces-te de ti.
Um dia também olvido quem eras quando me apaixonei.
Amassei-te nas mãos qual plasticina e hoje o boneco que és já não rima, com a fera que eras e a qual amansei.
És bicho amestrado, sem pulsão qualquer, sem voz, garra, sem destino ou querer.

(Eras o espírito imenso que silenciei por egotismo e pobreza de alma a meu bel-prazer.)

Conto mentiras para te magoar.
Só me sinto segura contigo a chorar.
As lágrimas sussurram-me que gostas de mim.
(Como acreditar se não creio em mim?)
Amolgo-te, cilindro-te e não me sinto melhor.
Quanto mais te mudo maior calculo (erroneamente) teu amor.
E escondo de mim o dia tardio, em que acordarás do torpor e irás embora,
desconhecendo quem és, quem sou, ou o que nos ligou outrora.
Eu?
Saberei com a carne que fui quem nos matou.
A ti acuso: foste quem deixou.

EPÍLOGO

Não prescindas da LIBERDADE.
Amor não é asfixia é VONTADE.
Perdoa-me.
Respira.
Amo-te deveras e de ora em diante aceito-te inteiro,
jamais pela metade.
Quero-te verdadeiro.

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

 
E (a porra d)o computador novo que nunca mais chega?

Esta amputação anda a dar cabo de mim chiça.

(Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!)

(Estou careca com os agendamentos. São muito úteis e quê mas sinto-me falsa nisto do blogue.)

(Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!)

(Dasse.)

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terça-feira, 20 de abril de 2010

 

preconceito com preconceito TE pago (e olha que até sou contra a máxima olho por olho…)


“Estou com os novos autores. Passa o lixo todo por mim.”

Disse num sorriso leviano a menina do alto dos seus doutos 25 anos. Decerto nunca arriscou uma palavra, uma frase, quanto mais a vida inteira. Dizer: LIXO. Tão simples. Ouvi a jovem no seu meio (académico) feito de preceitos e apeteceu-me vomitar-lhe no colo. (Inclinava-me para o lado e zás.) A verdade, porém, é que para além de não passar de um pusilânime ser, tenho andado muito feliz pelo privilégio de ter uns vislumbres do que não escolhi e aprendido muito. Por outro lado, os professores – Os autênticos, não a sobranceira discípula. – merecem-me o maior respeito. Por conseguinte, guardei a náusea na alma e derramo-a, agora, no meu canto.

Houve um momento – Imediatamente após aquelas azedas palavras me terem arranhado os ouvidos e pontapeados os rins. – que quase me deu cabo da alegria que vivo às sextas-feiras. Quase. Eis que (um)a palavra tudo determina. Não foi suficiente.

(Jamais será o bastante para me destruir.)

Pois se fui capaz de o ouvir da Lídia, pessoa efectivamente isenta e conhecedora, mulher apta a dizer-mo com propriedade. Se essas palavras, não menos que arrasadoras à data, não me demoveram. Antes ajudaram. Espicaçaram a aprendizagem. Incentivaram a prosseguir.

Há que saber como dizer LIXO. O tom é importante. Devias tê-lo mais presente. Faz parte da equidade que eu considero dever existir, qual lei, nessa (tua) apreciação. (E do respeito que o desengano de outrem te/vos deveria merecer.)

Foi o que a Lídia fez por mim. Disse-me o que tinha de ouvir com consideração e justeza.

(Duvido que algum dia te habite semelhante grandeza. – Eis o preconceito com que te carimbo.)

O que almejo? Que todo o LIXO que te passa pelas mãos saiba deveras que não necessita de ti para respirar, para que o sangue lhe flua nas veias, ou o coração pulse ao ritmo de cada palavra escrita. Que todo o LIXO conceba que só será incinerado se o permitir e se puser a relevância no que lhe é exterior, ao invés do que tem dentro.

Há-de chegar o dia em que o lixo que sou se transformará em húmus, alimentará a terra e dessa brotarão flores muito belas.

(“Muito belas.” Nota como erijo a minha fantasia como me apraz.)

Talvez uma manhã em que passeies incauta inspires o odor da minha essência. A que esteve sempre presente, desde o tempo em que eu não passava de uma amálgama vil e nauseabunda.

(Cega. Não soubeste ver-me/nos.)

P.S.1 Bem sei que falavas para o teu amiguinho. Que queres? Escutei-te.

P.S.2 Um grande bem haja para ti. Com este texto TE ESQUECI.

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

 

(Se eu pudesse falar com Deus...)



http://www.youtube.com/watch?v=loNU4fVpO8E

Um ano.

É inacreditável que um ano tenha passado João. Continuo a recordar-te incrédula de não te voltar a ver. E se aqui te falo a cada 22, não é por achar que faço algo relevante. É precisamente por saber que nada sou nesta tragédia. Nada posso. Revolto-me, somente, na minha pequenez, a cada dia que passa. Estas coisas acontecem mesmo. Acontecem aos nossos. E não é assimilável que isto possa acontecer aos nossos. Não digiro a tua morte, sabes? E é a primeira vez que me acontece não digerir alguma coisa. Tenho tido episódios na vida duros, difíceis, amargos. Mas tenho sabido aceitá-los. A tua morte não. E não por termos sido próximos e me fazeres uma falta imensa. Não é bem isso. Sabemos que não éramos chegados. Antes duas pessoas que se conheciam desde crianças, com outras de quem gostamos muito em comum. O que me custa a engolir é a devastadora injustiça desse segundo decisivo em que foste ceifado. Ceifado é o termo. Estavas a crescer ainda. Tinhas tudo pela frente para viver. Muito ainda para dar aos teus e roubaram-te isso. Roubaram-lhes isso. Despojaram-vos dos muitos "365 dias" que ainda poderiam ter estado juntos. É por ti e por eles que não me conformo e que não me calo. Ele há-de saber que Errou(?).

- Ouves? Erraste. Não vejo outra explicação: Também Te Enganas.

Até já João.

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

 

RUÍNA(S)

Tudo ruiu. E eu, cá dentro, inteiro. Ainda.

Que desnorte. Tudo o que tinha, o que havia, o que me rodeava, escombros.

(Por pouco não me encontrava.)

Ao acordar entendi: Nada me falta. (E falta-me tudo.)

Não obstante, as perguntas:

"É possível destruição tamanha?"; "Prossigo?"; "Como?".

(Insistem em bater-me essas perguntas.)

Estou só.

(Já estava. Vejo-o agora.)

Escuto coros de choro, o(s) desespero(s), gritos de dor(es).

Uivos, até.

Perdemo-nos uns dos outros neste puzzle aterrador.

Tentei ajudar outrem. Puxei. Era somente uma mão. Desistira do corpo que ficara para trás.

Esmagado.

(Impotente.)

Esquecido da vida de outrora.

Fugir?

- Não posso.

Fico portanto. Refaço-me do pranto para o qual não tenho tempo. Ergo-me nas pernas que, felizmente, ainda detenho e

VIVO.

Começo por este muro.

Uma pedra (perda). Outra pedra (perda).

Sacudo as perdas (pedras). Não há tempo agora para o pesar.

Uma pedra (perda). Outra pedra (perda).

Engulo as perdas (pedras).

Não há tempo agora.

(P’ra chorar.)

Uma pedra (perda). Outra pedra (perda).

Erijo-me a pulso com a alvenaria que em mim havia.

(Sem o saber.)

Se no espaço de um minuto tudo ruir,

construo de novo. (Desde que eu em mim.)

Teimosia?

Instinto?

Esperança?

Uma pedra. Outra pedra.

Tantas perdas.

Andreia Azevedo Moreira
16/01/2010
(11h20mn)

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

 

JP


A tua ausência é um céu carregado e opressor. Atenua-se, sim, naqueles momentos em que a luz do tanto que foste o rasga e nos assegura que continuas connosco. Até já.

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

 

JP

Procuro motivos para não te esquecer, que não são necessários porque me lembro de ti.
Quase todos os dias me lembro de ti. Não todos. Porém, quase.
O que é que fazes aí?
Que dizes?
Não te ouço.
Falas desconexo e eu não te entendo.
Volta para aqui. Deixa-te de merdas.
Ficou tudo por fazer aqui. Ouves?
TUDO POR FAZER.
O que é que te deu para ires assim?
Que descuido foi esse? Que fatalidade?
Que segundo terrível foi esse, em que os que te amavam te perderam irremediavelmente e tu a eles?
Isso não tem dois sentidos?
Se tem deixa-te disso e volta pá.
OUVES?
Nós ainda te ouvimos o riso e a voz. Os passos pesados de homem grande por fora, principalmente por dentro. Não te vemos.
E temos muitas saudades de o poder fazer. Seria bom poder abraçar-te. Hoje é certo que o faria. Embora não me recorde de alguma vez o ter feito.

Não abraçamos mais os outros porque nunca acreditamos que a vez presente pode ser a última.

Hoje, se me abrisses de novo o portão verde...

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

 

Das ideias (roubadas)

Tenho um amigo que teve uma ideia.
E a ideia é uma grande ideia.
Um projecto bonito com pernas para andar.

O meu amigo apresentou a ideia a alguém sem escrúpulos,
que lhe deu uma pancadinha nas costas e lhe disse que gostava.
Roubou-lha e fê-la dele.

Executou-a mais barata, isso é certo.
Terá o seu sucesso. Não duvido.
Não tem valor.

É desprezível o senhor em questão.
É asquerosa a atitude.
Que lhe faça bom proveito,
porque dessa cabeça duvido que algum dia
saia algo de tão belo.
(Passará a vida roubando portanto.)

Da cabeça do meu amigo?
Nunca deixarão de surgir.
As ideias. Os prolíferos pensamentos.
A vontade de vencer sem pisar outrem.

Não desistas amigo!
É a vida a pôr-te à prova.
Não desistas.
Tens muito valor, tanto que te assaltaram.
(Não ficaste mais pobre.)
(És rico ainda.)

Tens o que é preciso dentro de ti.
CONTINUA.

Quando conseguires chegar "lá", vamos jantar, beber um copo (ou 10) e rir disto tudo.

Torço por ti.

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terça-feira, 22 de setembro de 2009

 

Ias gostar disto. (Ou não. Preferia que mo pudesses dizer.)

SPEED OF SOUND - Pearl Jam

Yesterdays how quick they change
You're lost and long gone now
Want to remember anything
Moving at the speed of sound
With the speed of sound

And yet I’m still holding tight
To this dream of distant light
In that somehow I'll survive
But this night has been a long one
Waiting on a sun that just done come

Can I forgive what I
Cannot forget and live a lie
I could give them one more try

Why deny this drive inside
Just looking for some piece
Every time I get me some
It gets the best of me
Not much left you see

And yet I’m still holding tight
To this dream of distant light
In that somehow ill survive
But this night has been a long one
Waiting on a word that never comes

The whisper in the dark
Is that you or just my thoughts
I’m wide awake and reaching out

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sábado, 22 de agosto de 2009

 

http://www.youtube.com/watch?v=0Su8LXNS16A

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

 

Vi e nada pude.

Vi a minha mãe ir-se embora. Reparem, a minha mãe está aqui à minha frente. De pé. (Quase) a mesma cara. Mas foi-se embora. E eu, que a vejo ainda, de pé, à minha frente, (quase) a mesma cara, sofro horrores com a sua morte.

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