sábado, 11 de fevereiro de 2012

 

DEVASTADOR

Imagem DAQUI.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

 
O meu coração está com o gigante que tombou e com quem o protege nesta hora. Afaga-lhe a orelha, como se sono tão-só.  

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

 

150 BPM - Que livro maravilhoso por deus

Encontrei imagem no sítio onde vão dar se lhe derem com o rato.


P.S. Mais tarde direi mais coisas.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

 

PARABÉNS JOÃO

Sei pela tua irmã que este era "O" dia do ano. Adoravas festejá-lo. Vou imaginar-te rugas que não tinhas, pudesses envelhecer deveras . Manténs-te vivo no coração de todos por quem passaste com o teu sorriso bonito. No meu também. Continuo a lembrar-te e a prestar-te o meu tributo sendo grata por cada dia. Aquele abraço João. Vemo-nos, de novo, um dia. Fazes muita falta.

Os nossos Pearl Jam.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

 
- Larga-me a mão papá!
- Não posso. Anda daí.
- Onde?
- Já vais ver.
- É bonito lá onde vamos?
- Há paz.
- Precisamos de paz papá?
- Preciso.
- E mais papá?
- Preciso de ti também.
- Porquê papá? Para jogar à bola?
- Mais ou menos. Não penses que te estou a usar filho. Quero-te bem.
- Usar papá? Como usar um boné, por exemplo?
- Sim. Como usar um boné. Não estou a fazer isso.
- Então o que estás a fazer papá? Porque me apertas com tanta força a mão? Dói um bocadinho sabes? Não queres que fuja, é?
- É. É isso. Não me podes fugir. Não agora.
- Nunca fugiria de ti papá. Gosto tanto de ti. Olha, gosto mais de ti do que de jogar à bola e tu sabes como eu gosto tanto de jogar à bola, pois é?
- Pois.
- Olha, mas larga-me a mão. Eu não fujo. Prometo!
- Não posso filho. Preciso de ti.
- O que é precisar papá?
- É não poder passar sem... Não posso passar sem ti. Entendes? É por isso que te levo para onde vou. Para não estar sem ti.
- Mas eu estou sempre aqui para ti papá. Não vês?
- Sim mas vou para longe e quero levar-te comigo.
- E a mamã?
- A mamã não vai.
- E como é que eu lhe mostro um passe muita fixe que aprendi hoje de manhã lá nas escolinhas?
- Não mostras.
- Não é justo papá. Também lhe quero mostrar. Eu também gosto muito da mamã sabes?
- Sei. Cala-te agora um bocadinho e acelera o passo.
- Tens pressa papá?
- Tenho.
- Porquê?
- Porque é tarde para mim. (Para nós.)
- Tarde? Mas ainda nem almocei!
- Quero que saibas que é porque te amo muito.
- Vou ficar de castigo?
- De certa forma sim.
- Mas eu não fiz nada de mal papá! Alguém te contou uma mentira? Eu não fiz nada de mal! Não me ponhas de castigo.
- Tem de ser.
- Porquê?
- Porque sou egoísta. Quero que a tua mãe sofra. Que sinta o que é estar vazio.
- Queres aleijar a mamã?
- Quero.
- Mas isso não se faz papá. Não se aleijam pessoas de propósito! Tu é que me ensinaste isso lembras-te? Só tenho seis anos, mas isso eu sei.
- Tens razão. Mas agora não te consigo dar ouvidos. Nem te consigo ver. Só sei que é hoje que acabamos.
- Acabamos como num um dois três acabou a história?
- Sim.
- Não posso papá. Desculpa. Amanhã tenho de jogar com o João André de manhã. Prometi-lhe a desforra. Marquei-lhe muitos golos hoje sabes? Ficou tão chateado comigo. E como quero que continuemos amigos, amanhã vou deixá-lo ganhar.
- Amanhã não podes ir à escola filho.
- Papá, não posso é faltar. Amanhã vou à escola sim! Vais ver!
- Confia em mim. Aperta a mão do pai.
- Não quero papá. Estás a assustar-me com essa conversa do um dois três acabou a história. Ainda tenho uma data de jogos para jogar com o João André e tu não queres deixar. Isso deixa-me triste papá.
- Anda. Já decidi. Anda. Confia no pai.
- Ai! - Começa a chorar. Soluça desconsolado com medo do, até então, companheiro de muitas brincadeiras.

(...)

- Porque me levaste para morrer papá? Não estava doente. Se estivesse, nada que umas torradinhas com doce da avó e chá não curassem. Porque me apertaste com tanta força a mão papá?! Porque não me deixaste dar-te uma canelada com toda a minha força e fugir-te? Sentava-me no passeio à espera que alguém me viesse buscar. Talvez a mamã.

- A mãe não! A tua mãe nem pensar. Não te merece.

- Porquê?

- Porque já não nos quer.

- A mamã já não me quer?

- Já não ME quer.

- E a mim?

- Hum?

- E a mim?

- A ti quer e nunca mais te vai ter.

- Ter?

- Sim. És nosso. Meu e dela. Mas agora eu é que sei o que hei-de fazer contigo. Vais ser de ninguém.

- E tudo o que eu queria ainda fazer? Achas que vou ter tempo até à estação dos combóios?

- Não filho. Mas o que são os teus sonhos perto da desilusão que sinto?

- Cantas-me o "Pouca-terra-pouca-terra-pouca-terra. Uuuuuuuuú!"?

- Não tenho tempo.

- Larga-me a mão! Larga-me a mão! Larga-me a mão! Tu não és o meu papá!

- Já não confias em mim?

- Não percebo nada do que estás a dizer papá. Só sei que amanhã quero jogar à bola com o João André. Quero rir, correr, brincar e ser alegre!

A vida daquele menino não podia acabar assim. Colhida por um comboio a 150km/hora.

Todavia, acabou.

Desde que li a parangona que me sinto doente.

As crianças não são coisas!
As crianças não são coisas!
As crianças não são coisas.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

 

GRAND DANOIS


Vi-o prostrado, no meio da estrada, com dois companheiros suplicantes: "Anda daí. Vá. Pelo menos até ao passeio."

Eis que o pranto me subiu à garganta. Os soluços avolumando-se incontroláveis. Uma dor a cravar-se-me entre a laringe e a traqueia, porque o meu coração (re)conhece aquele inexorável cansaço que precede o fim.

Os olhos doces num "Deixa-me estar que já não aguento."

Aos berros que nos chegam aos ouvidos da alma: "DEIXA-O IR." ignoramos, por ser inconcebível aceitar a despedida.

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

 

RUÍNA(S)

Tudo ruiu. E eu, cá dentro, inteiro. Ainda.

Que desnorte. Tudo o que tinha, o que havia, o que me rodeava, escombros.

(Por pouco não me encontrava.)

Ao acordar entendi: Nada me falta. (E falta-me tudo.)

Não obstante, as perguntas:

"É possível destruição tamanha?"; "Prossigo?"; "Como?".

(Insistem em bater-me essas perguntas.)

Estou só.

(Já estava. Vejo-o agora.)

Escuto coros de choro, o(s) desespero(s), gritos de dor(es).

Uivos, até.

Perdemo-nos uns dos outros neste puzzle aterrador.

Tentei ajudar outrem. Puxei. Era somente uma mão. Desistira do corpo que ficara para trás.

Esmagado.

(Impotente.)

Esquecido da vida de outrora.

Fugir?

- Não posso.

Fico portanto. Refaço-me do pranto para o qual não tenho tempo. Ergo-me nas pernas que, felizmente, ainda detenho e

VIVO.

Começo por este muro.

Uma pedra (perda). Outra pedra (perda).

Sacudo as perdas (pedras). Não há tempo agora para o pesar.

Uma pedra (perda). Outra pedra (perda).

Engulo as perdas (pedras).

Não há tempo agora.

(P’ra chorar.)

Uma pedra (perda). Outra pedra (perda).

Erijo-me a pulso com a alvenaria que em mim havia.

(Sem o saber.)

Se no espaço de um minuto tudo ruir,

construo de novo. (Desde que eu em mim.)

Teimosia?

Instinto?

Esperança?

Uma pedra. Outra pedra.

Tantas perdas.

Andreia Azevedo Moreira
16/01/2010
(11h20mn)

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