domingo, 1 de janeiro de 2012
Tábua de mandamentos em (des)construção.
2.º Mandamento: Passa o resto da vida a tentar emendá-la.
3.º Mandamento: Não ajas como incapaz. Não te sabotes. Ignora sentenças que te constranjam. (Aprende com essas se te for possível.)
4.º Mandamento: Está tudo escrito e pensado. Repensa. Reescreve. Sem medo(s). Importa tão-só que saibas que, nos momentos de criação, foste honesta.
Não te diz respeito se outros o não foram/em.
5.º Mandamento: Alegra-te com o sucesso alheio. Produz sem pensar no teu.
6.º Não alimentes a inveja, nem a mesquinhez. Ajuda quem de ti se abeirar, no que puderes.
7.º Mandamento: Fazes isto, porque é o que TU fazes. O resto é despiciendo. Pensa na liberdade que a ausência de tudo “isso” te confere.
8.º Mandamento: Vive. Respira. Vive. Respira. Escreve. Escreve. Escreve. Respira. Vive.
9.º Mandamento: Não serás feliz sem vida, por isso retira dos génios o que te for útil, tendo noção que jamais serás um deles. Não serás exímia a escrever, poderás sê-lo, sem dúvida, a viver.
10.º Mandamento: Não serás feliz sem escrita. Não te rendas ao quotidiano. Recusa o cansaço, a preguiça. Só não serás capaz de conciliar todas as que levas dentro, se o não desejares.
Bom ano Deia. Estarei ao(do) teu lado. Força miúda.
Etiquetas: 2012, ALENTO, ESCRITA, RESPIRAR, VIDA
terça-feira, 25 de maio de 2010
AMOR NÃO É ASFIXIA. É VONTADE.
Claro que te amo.
(Não te amo. Desconheço-o.)
Não.
Amo!
Obviamente.
(Não me amo e ignoro-o.)
Controlo-te.
(Controlo-me. Hirta. Pungente.)
Respondo torto.
(Tudo que digo é sentença.)
(Arbitrária. Cruel.)
Franzo o sobrolho e faço-me malvada, quando o que quero é colo.
Amo-te.
(Não te amo.)
(Não me amo.)
(Até quando?)
Não me contenho.
Quero-te numa gaiola!
Mando-te cantar ao ritmo perfeito.
Pretendo fazer de ti o eleito.
Sinto pavor que me mandes embora.
Corto-te as asas.
(Não basta a jaula.)
Profiro rude:
“Não estás bem assim.”
Tento trazer-te para dentro de mim.
(Escuta: Isto não é amor. É minha posse. É teu terror.)
Tenciono isolada amar o que vejo, ou sonhava fitar. Ser nada e ser tudo.
Mãe, amiga, filha, chefe, amante e escrava.
(Subjugar-te.)
Consumo a tua luz.
(Brilharás só a dois.)
(O desejo há-de esmorecer. Por agora não o vislumbro ou não o consigo conceber.)
Engano-me(te). Grito-te(me):
“É isto o amor.”
Sinto remorso por te trazer tanta dor.
Porém cerro os punhos e insisto no erro:
“Serás exemplar. Obra minha. Dirás o que quero.”
Dançarás só para mim e andarás na linha que tracei para ser teu único caminho.
Somente eu ouvirei tua voz e crê que mais ninguém estimará tanto um “nós”.
(Logro.)
Digo maldades para que te sintas mal.
Não é perfídia, somente cansaço.
Escolho atacar-te a admitir o fracasso:
“Não gosto de mim.”
Vem daí a raiva. Mais fácil culpar-te.
Cobrar arrogante: Tens de me fazer feliz!
Não sei como o ser, não quero aprender.
Condeno-te a saberes o que fazer.
Abafo-te. Escureço-te. Obrigo-te a ser aquilo para que ninguém devia nascer:
Ser de…
Ao invés de ser…
Fere-me perceber que te talhas sobre mim. A verdade a fugir-te. Esqueces-te de ti.
Um dia também olvido quem eras quando me apaixonei.
Amassei-te nas mãos qual plasticina e hoje o boneco que és já não rima, com a fera que eras e a qual amansei.
És bicho amestrado, sem pulsão qualquer, sem voz, garra, sem destino ou querer.
(Eras o espírito imenso que silenciei por egotismo e pobreza de alma a meu bel-prazer.)
Conto mentiras para te magoar.
Só me sinto segura contigo a chorar.
As lágrimas sussurram-me que gostas de mim.
(Como acreditar se não creio em mim?)
Amolgo-te, cilindro-te e não me sinto melhor.
Quanto mais te mudo maior calculo (erroneamente) teu amor.
E escondo de mim o dia tardio, em que acordarás do torpor e irás embora,
desconhecendo quem és, quem sou, ou o que nos ligou outrora.
Eu?
Saberei com a carne que fui quem nos matou.
A ti acuso: foste quem deixou.
EPÍLOGO
Não prescindas da LIBERDADE.
Amor não é asfixia é VONTADE.
Perdoa-me.
Respira.
Amo-te deveras e de ora em diante aceito-te inteiro,
jamais pela metade.
Quero-te verdadeiro.
Etiquetas: AMOR, CRESCER, GRITOS DE REVOLTA E INDIGNAÇÃO, LIBERDADE, PENSAMENTOS, RESPIRAR
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