terça-feira, 12 de abril de 2011

 
A mãe alimenta o bebé no jardim e as pessoas que passam sorriem-lhes com ternura. Como se os conhecessem e lhes tivessem a afeição dos que se querem. Somente um dos olhares fora pernicioso. Um ver deturpado, sujo, maldoso, como se lho quisera arrancar dos braços para ignominioso festim. A mulher sangrou por dentro com a ideia da maldade do mundo. A ideia da maldade do mundo careca e com óculos ensombrou-lhe, por um instante, o filho, ao debruçar-se para o mirar. Sentiu frio. Aconchegou-o contra si. «Está tudo bem.» Beijou-o entre os olhos, onde começa a cana do nariz. Inocente ele desconhece que a ideia da maldade do mundo o descobriu e lhe fixou as feições. Ela sabe não o poder proteger perenemente da perfídia, que a escuridão todos os dias se abate sobre as gentes. Traz, todavia, no peito toda a força da esperança que a sustenta. O som da gargalhada do menino, pendurado nos seus tímpanos de progenitora, serena-lhe qualquer angústia.

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