segunda-feira, 9 de março de 2009
O LEITOR
"Love can mend your life
Ora o coração do Michael Berg partiu-se, ainda ele era menino e nunca mais se consertou. A troca que viveram os dois (ele e Hannah), a paixão e o amor em estado puro, determinaram-lhe para sempre a existência. Ele esforçou-se por retomar a vida, como ela se queria, "normalzinha", mas o que viveu aos 15 foi intenso demais para que qualquer outra relação, ou qualquer outra mulher, se pudessem algum dia equiparar. Pudessem algum dia preencher o vazio deixado por Hannah no dia em que fugiu.
1) A leitura carinhosa e empenhada
2) O sofrimento pela condenação embora a soubesse merecida (e apesar da cruel injustiça implícita). O respeito pela vergonha que ela sentia. O silêncio cúmplice (ao mesmo tempo compreensivo, desesperado e condenador).
3) As gravações feitas com dedicação e enviadas já depois de (saber) "tudo". Não remorso. Amor.
4) as flores no dia da saída da prisão, apesar de tudo. Apesar do sofrimento. Das vidas que correram apartadas e das omissões. Apesar do egoísmo dela.
5) o banho que lhe deu como que para o limpar da sua passagem pela sua vida (metáfora magnífica) embora essa marca fosse irremediável.
6) a aprendizagem tardia da leitura, não apenas por ela, mas por ele que não desistiu dela ou de a amar (ainda que à distância)
7) a escrita dela , primeiro tosca, melhorada a cada bilhete. Os (amorosos) recados. A ânsia pelo retorno agora que já conseguiria descodificar as palavras contidas.
8) a tentativa de amenizar o que ela havia feito, a procura pela absolvição da amada.
9) a revelação final e vital da sua existência. A prova de amor à filha, as explicações em falta todos esses anos. O vazio e a insatisfação eternos, enfim explicados.
Este foi um dos filmes que mais gostei de ver nos últimos tempos. Vale a pena ver. No fundo nada revelei aqui e para quem ainda não viu, tudo o que disse soará desconexo. Por isso o melhor que têm a fazer é ignorar-me e ir o quanto antes até a uma sala de cinema para o ver.
Outra questão se me levantou ao ver este filme. Este tipo de regimes faz-se de pessoas que se comportam como autómatos e se limitam a cumprir ordens. Posso ser simplória (não, não vivi aqueles tempos e não, não estou apta a julgar quem quer que seja, nem pretendo), mas ter 300 pessoas fechadas numa igreja em chamas e limitar-se a cumprir ordens, é coisa de autómato e não de pessoa com sentimentos e pensamento.
Etiquetas: A NÃO PERDER, ARREBATADOR, CINEMA
Para mim, foi o melhor que já vi este ano, e até digo nos ultimos tempos (sentido muito lato). É comovente sem ser lamechas, é incrivelmente romântico, sem cair nos erros do costume e mais obriga-nos como nenhum outro nos tempos mais recentes, a uma profunda reflexão sobre os comportamentos e a cultura de obediência que desde sempre nos querem incutir, e que após as grandes catástrofes da humanidade são exactamente o argumento mais penalizador.
Eu fiquei tão siderada que corri para a primeira livraria, para fazer algo que nunca, jamais fiz na vida, o comprar o livro. E estou adorá-lo!
Nunca mais te li... e depois leio tudo de uma vez e não consigo resistir.
Este filme foi de facto brutal.
Obrigada por me fazeres recordar dele em Maio!
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