quarta-feira, 30 de maio de 2012
WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN
«Soubeste amá-lo Fernanda?»
«Conseguiste amá-lo Francisco?»
«Não aprendi a fazê-lo. Tentei muito. Tudo. Parei chegada ao meu próprio abismo.»
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sábado, 5 de dezembro de 2009
TETRO - "Ganda" FILME (Que se lixe a crítica - com F)
Tinha muito para vos dizer sobre este filme. Não o farei. Guardá-lo-ei para mim. Vão vê-lo."Não olhes para as luzes. Nunca olhes para as luzes!"
(Jamais te esqueças disto Deia. Jamais...)
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segunda-feira, 30 de março de 2009
HÁ QUE DIZÊ-LO
Ao que eu prontamente respondi 'Bora!
E assim fui ver uma daquelas peças em que me apetece, efectivamente, correr para o "palco" (não o havia, estávamos no meio da acção) abraçá-los a todos, dar-lhes beijinhos e dizer-lhes muitas vezes: "Vocês são grandes". É este o tipo de teatro que eu mais gosto. Aquele em que nos colocam no meio da cena, em que nos fazem viver o que se vive deveras em palco (Não, eles não estão simplesmente a representar, aqueles grandes actores estão a viver intensamente o que representam). Entre bares de frequência, por certo, nórdica (Coppenhagen*, Dinamarquen* e outros que tais terminando em "en"), numa rua toda catita que há no cais-do-sodré, nada húmida, nada fantasmagórica, nada frequentada por pessoas que vestem cintos em vez de saias, eis que defronte ao grande Jamaica (que só conheço de nome e de ouvir que é supé giro, sei lá) o local: CASA CONVENIENTE.
Não sei qual de vocês fez figuinhas mas resultou, porque íamos a caminho das Amoreiras para ver o Gran Torino, após nos terem desfeito ilusões com um "não há hipótese, ninguém desistiu" eis que recuam no veredicto e nos atiram um redentor "Estamos a contar com vocês". E nós tudo bem que queríamos mesmo, mesmo assistir à peça.
O que vos posso dizer é que espero que a reponham. Foram poucos dias e a assistência é limitada (30 / 40 lugares?). Alguém que apoie estes "miúdos" porque eles têm vocação e são mesmo muito bons no que fazem. Destaco o rapaz das botas vermelhas (o que se contorce logo ao início e se molha e se magoa verdadeiramente, tal é a entrega) uma promessa sem dúvida, uma vida a seguir, a querer ver crescer. Destaco-o porque a prestação dele é arrebatadora, mas reforço que são todos muito bons.
As palavras do Cesariny, a sua mágoa, a revolta, a resistência, a irreverência, o grito, as frustrações, as vontades, os triunfos e as derrotas, honrados de forma sublime neste tributo. Há-de se sentir feliz, onde quer que se encontre por se ver relembrado desta forma tão intensa, tão bela.
Saio deste tipo de espectáculos com a sensação que não preciso de muito para ser feliz. Gratidão por mais um momento pleno nesta vida.
* Inventados. Não me lembro dos nomes correctos ok?
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segunda-feira, 9 de março de 2009
O LEITOR
"Love can mend your life
Ora o coração do Michael Berg partiu-se, ainda ele era menino e nunca mais se consertou. A troca que viveram os dois (ele e Hannah), a paixão e o amor em estado puro, determinaram-lhe para sempre a existência. Ele esforçou-se por retomar a vida, como ela se queria, "normalzinha", mas o que viveu aos 15 foi intenso demais para que qualquer outra relação, ou qualquer outra mulher, se pudessem algum dia equiparar. Pudessem algum dia preencher o vazio deixado por Hannah no dia em que fugiu.
1) A leitura carinhosa e empenhada
2) O sofrimento pela condenação embora a soubesse merecida (e apesar da cruel injustiça implícita). O respeito pela vergonha que ela sentia. O silêncio cúmplice (ao mesmo tempo compreensivo, desesperado e condenador).
3) As gravações feitas com dedicação e enviadas já depois de (saber) "tudo". Não remorso. Amor.
4) as flores no dia da saída da prisão, apesar de tudo. Apesar do sofrimento. Das vidas que correram apartadas e das omissões. Apesar do egoísmo dela.
5) o banho que lhe deu como que para o limpar da sua passagem pela sua vida (metáfora magnífica) embora essa marca fosse irremediável.
6) a aprendizagem tardia da leitura, não apenas por ela, mas por ele que não desistiu dela ou de a amar (ainda que à distância)
7) a escrita dela , primeiro tosca, melhorada a cada bilhete. Os (amorosos) recados. A ânsia pelo retorno agora que já conseguiria descodificar as palavras contidas.
8) a tentativa de amenizar o que ela havia feito, a procura pela absolvição da amada.
9) a revelação final e vital da sua existência. A prova de amor à filha, as explicações em falta todos esses anos. O vazio e a insatisfação eternos, enfim explicados.
Este foi um dos filmes que mais gostei de ver nos últimos tempos. Vale a pena ver. No fundo nada revelei aqui e para quem ainda não viu, tudo o que disse soará desconexo. Por isso o melhor que têm a fazer é ignorar-me e ir o quanto antes até a uma sala de cinema para o ver.
Outra questão se me levantou ao ver este filme. Este tipo de regimes faz-se de pessoas que se comportam como autómatos e se limitam a cumprir ordens. Posso ser simplória (não, não vivi aqueles tempos e não, não estou apta a julgar quem quer que seja, nem pretendo), mas ter 300 pessoas fechadas numa igreja em chamas e limitar-se a cumprir ordens, é coisa de autómato e não de pessoa com sentimentos e pensamento.
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domingo, 1 de março de 2009
PEDRAS NEGRAS
Acabei agora de ler “Pedras negras”, o que é o mesmo que vos dizer que acabei de regressar dos Açores, em cima de um bote baleeiro. Tenho frio, sinto ainda o medo, a fome, a tristeza e o desconsolo daqueles homens. Sinto, principalmente, (todas) as perdas de Francisco Marroco. E foram tantas. Sinto também - eu que não gosto de admitir carregar em mim este tipo de sentimentos - uma raiva incomensurável pelos “outros” homens. Os que lhe fizeram a vida negra, por ser também a vida deles, uma vida repleta de escuridão. Porque no fundo não há culpados neste tipo de histórias. Há contexto(s), há desespero, há fome e ganância. Porque todos não passamos, ao fim e ao cabo, de bichos com instintos e talvez o maior e o que se sobrepõe a tudo o resto, seja o da SOBREVIVÊNCIA. E a sobrevivência é dificílima quando se vive rodeado de mar, o mar que ao mesmo tempo que amamos desesperadamente, pode ser (e é em muitos casos) o nosso pior inimigo. O mar que nos dá o pão para a boca e nos leva os seres amados. O mar que nos pode levar (mais) longe, em busca de uma melhor vida, ou nos encarcera numa ilha. Claustrofobia. O mar belo mas também impiedoso. E por tudo isto, o que à partida me poderia magoar, o relato da pesca às baleias – uma baleia pode demorar até oito horas a morrer desde que é atingida fatalmente. Sofre horrores, é uma carnificina indescritível e eu, desde pequena, sofro mais pelos animais do que pelas pessoas (talvez seja um defeito do meu carácter, não sei.) - é-me perfeitamente concebível.(Marinho, alertaste-me, disseste-me que não ia gostar mas afirmo-te agora que o li, que compreendo embora sofra, pelas baleias que morrem de maneira cruel. Compreendo o povo. A necessidade. A tentativa de viver do que o mar lhes dá. Sei que era/é (um mal) absolutamente necessário. Sei que era a sobrevivência de todo um povo que estava em jogo).
A maldade e a mesquinhez humanas revoltam-me. Sei que existem e existirão sempre e ainda assim, sofro sempre de cada vez que o constato. Sanguessugas humanas em redor do homem que “deu o salto” (sair da ilha), interesseiros, palmadinhas nas costas ao “Americano” a nausearem-me e a vontade de lhes gritar, a estas personagens (pessoas que existiram com toda a certeza, sob outros nomes, com pormenores diferentes, mas das quais adivinhamos a essência no belíssimo relato de Dias de Melo) com mais de 40 anos de existência. “Parem com isso! Que nojo. Que vergonha!”
E o Francisco Marroco, um homem bom, um homem que sonhou e fez por concretizar, penou, lutou, desabou, reergueu-se e amou intensamente, a sua terra e os seus, a quem jamais esqueceu. Ganhou algum, embora pouco, muito pouco para os abutres que o aguardavam na ilha. Viveu o seu romance de menino e quis para os filhos o que não conseguiu para si. Foi derrotado pela pequenez dos homens e pela grandeza impiedosa da natureza que não se compadece, muitas vezes, dos homens bons, castigando-os como aos outros.
Um livro apaixonante que nos aproxima um pouco do que é ser ilhéu. Da angústia entre o amor que se tem à terra mãe e a vontade de partir na mira de um futuro menos penoso.
She blows!
Um abraço Francisco Marroco, João Peixe-Rei (que te perdeste logo ao início), outro a ti Dias de Melo pela dádiva que este livro constitui.
Marinho: OBRIGADA. (Mais do que pelo livro, pela dedicatória.)
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
COMBATEREMOS A SOMBRA

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