Estou pela primeira vez nestas andanças dos "blogues"... Resolvi fazer um em homenagem ao meu companheiro de 9 anos, o meu filhote, de quem tenho muitas saudades! Entretanto aproveito e vou pondo cá ideias que me passem pela cabeça! (16Set.2005)
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Peço a vossa atenção por favor:
Tutururu (corneta)
O que é que aí vem? O fim-de-semana graças a Deus. Amén. (Isto era só um aparte acerca da minha felicidade. Estão fartos de saber que sou uma egocêntrica neurótica inveterada. Amén.).
DOMINGO: não concebo a ideia de não ir votar e não consigo entender quem negligencia esse acto tão importante. Conseguem imaginar o que é viver numa sociedade em que a escolha não vos é permitida? Eu não. Acho um direito maravilhoso, este que me (nos) concedem de poder(mos) dizer de minha (nossa) justiça e como direito que é, acarreta as suas responsabilidades, uma das quais é ir votar. Irrita-me ouvir dizer "só neste país" e "é uma vergonha" a pessoas que não fazem uso deste direito/dever que é o voto. Como criticam se não participam? Se não acreditam, votem em branco, mas votem, mexam os rabos, desloquem-se à urna e demonstrem a vossa vontade, o vosso pensamento, a vossa descrença ou discordância. Abstenção é zero. Não significa o que quer que seja, além de serem calões e negligentes para com a sociedade da qual fazem parte. NO DOMINGO FAÇAM O FAVOR DE IR VOTAR (além de fazerem o favor de serem felizes como diz o outro).
CLÁUDIA muitos parabéns, um dia muito feliz e vê lá se me atendes o telefone quando eu voltar a tentar... :)
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quarta-feira, 11 de junho de 2008
PORTUGAL PREOCUPANTE
Num pulo se chega ao caos. Num pulo uma guerra, confrontos, mortes. Num pulo pode vir a ser o fim. Acordemos! A coisa não está boa... (Já para não falar dos problemas ambientais que também nos batem leve e diariamente à porta sem que disso demos conta).
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quarta-feira, 7 de maio de 2008
CHOCA-ME
Que 60% da população portuguesa ainda não tenha por hábito usar preservativo em relações fortuitas e que outros tantos nunca tenham feito o teste ao HIV...
Que a lei permita que condenados por pedofilia possam adoptar crianças... (não ouvi em que país, mas seja em que país for é ridículo e monstruoso que isso possa acontecer).
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terça-feira, 22 de abril de 2008
HOJE É O DIA DA TERRA
O Dia da Terra foi criado em 1970, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, que convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição, protesto esse coordenado a nível nacional por Denis Hayes. Esse dia conduziu à criação da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).
A partir de 1990, o dia 22 de Abril foi adoptado mundialmente como o Dia da Terra, dando um grande impulso aos esforços de reciclagem a nível mundial e ajudando a preparar o caminho para a Cimeira do Rio (1992).
Actualmente, uma organização internacional, a Rede Dia da Terra coordena eventos e actividades a nível mundial que celebram este dia.
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quarta-feira, 16 de abril de 2008
ALTERAÇÃO À LEI DO DIVÓRCIO
- Acabou a culpa (?) - Acabou a censura (?) - Acabou a chantagem (?) - Acabou o sacrifício (?) - Acabou a prisão imposta por um dos 2 (?) - Acabou o "trunfo" dos parcos bens em nome de um só... Assume-se a comunhão de bens adquiridos...(?) - Acabaram as correntes invisíveis (?) - Acabaram-se os encurralamentos (?) - Acabaram os jogos (?) - Acabou o amor? Não se é obrigado a ficar (?) - Acabaram-se os julgamentos "morais" (?) - Reconhece-se o trabalho que não se vê mas que foi feito à custa do suor de quem o fez. - Tenta-se salvaguardar o(s) elo(s) mais frágil(eis). - Vontade de rir... O tempo passou e virou-se contra os carrascos... - Pode não resolver tudo. Mas há luz ao fundo do túnel.
NOTA: este post não pretende dirigir-se a qualquer um dos géneros. Serve para os CARRASCOS de ambos.
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Dia Mundial do Teatro e O Tempo das Giestas
Hoje é dia mundial do teatro, uma arte que eu amo há muito tempo. Que acompanho o mais que posso mas não tanto quanto gostaria. Hoje lembrei-me da primeira peça que fui ver. Era o musical "Annie". Uma miúda ruiva e sardenta de grandes caracóis cantava: Amanhã! Amanhã! Lá lá lá. E a história abraçou-me e levou-me para o palco e até hoje recordo o cenário, a protagonista, relembro a existência da directora má e sinto ainda o quanto gostei de pela primeira vez ir ao teatro. Não sei quantos anos teria... Talvez cinco? Não sei mesmo. Outra coisa que recordo com MUITA saudade são as pancadas de Moliere. Alguém me diz/explica porque acabaram com elas? Davam uma mística tão boa ao espectáculo! Preparavam-nos para a solenidade do momento! Tenho mesmo muita pena de já não as ouvir hoje em dia... (Daria assim tanto trabalho?) Se me elucidarem agradeço.
Acabei de ler o livro "O TEMPO DAS GIESTAS", este livro emocionou-me muito. É uma bonita, comovente e romântica história de amor, mas é também um relato vivido e impressionante dos tempos que já se viveram no nosso país. É aterrador o que se passou. Impressiona-me muito a capacidade que o homem tem para a maldade. Porque, um regime, não se faz só de um líder. Faz-se de pessoas dispostas a segui-lo, a obedecer-lhe, a fazer o que ele diz. Se todos se recusassem à tortura, à intimidação, à perseguição, a vontade de um só morreria aí, apenas pela vontade... Impressionam-me muito estes relatos escabrosos, dos requintes de malvadez que existem na nossa espécie em situações extremas. Impressionam-me bastante os monstros que se disfarçam de gente e se revelam em tempos conturbados. Eu já disse aqui várias vezes. Eu não tenho cor política. Eu não creio nos políticos. Eu não creio no poder. O poder, o dinheiro, corrompem as pessoas. Ainda não vi quem me provasse o contrário. Mas, há que dar a mão à palmatória, os presos políticos, passaram por tormentos, por torturas, por humilhações, por dores, por sofrimentos, inimagináveis e de dimensão inalcansável para nós que não vivemos esses tempos. Não imagino as cicatrizes lá dentro, tão fundas, tão grandes, tão dolorosas, ainda... As pessoas que ajudaram a combater a ditadura, as pessoas que resistiram, fizeram muito por nós. Fizeram muito por mim, que posso hoje aqui dizer que não creio em ninguém. Que posso aqui dizer que as pessoas se corrompem. E posso dormir descansada, sem medo que amanhã me venham buscar para ir para um campo de concentração (o Tarrafal era, sem dúvida, um campo de concentração) para me deixarem morrer (para me matarem cobardemente e de forma cruel, desumana!) APENAS porque penso de maneira diferente. Para mim é muito importante a LIBERDADE. A liberdade de expressão, a liberdade de pensamento, a liberdade de poder optar. Mas tenho noção que não é algo que tenhamos garantido. A história repete-se. Sempre ouvi dizer isto. A história repete-se... E hoje, quando sei que posso ser prejudicada por emitir certas opiniões em determinados sítios (pareço o outro, o pai do Carlos Miguel que fala fala fala e ele não o vê a fazer nada) há algo no meu íntimo que se aperta e fica preocupado. É por isso que é importante estudar o nosso passado. O passado não apenas do nosso país, mas o passado do Homem. O passado dos países. É importante não esquecer tudo o que já se viveu. Como se chegou até lá. Fingir que nada se passou é meio caminho andado para que se volte tudo a repetir. Somos todos responsáveis pelo nosso futuro. Aqui fica um magnífico testemunho ficcionado, mas que foi realidade para muitos portugueses nos anos 30 (o livro passa-se entre 1936 e os anos 80...). Este é um livro a não perder! Comovedor!
Acabo com palavras improvisadas do Eddie Vedder num dos concertos dos Pearl Jam:
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segunda-feira, 24 de março de 2008
SOLANGE F.
Quero realçar a coragem desta mulher. Numa sociedade cruel, preconceituosa, fechada, implacável, o que a Solange F. fez é de se lhe tirar o chapéu. Ela fez esperando, talvez, que isso possa vir a ser útil a uma MUDANÇA, o que muita gente mais conhecida, com carreiras melhor cimentadas e com mais anos de experiência não têm coragem/vontade de fazer. O que ela fez, correndo o risco de se prejudicar foi de uma CORAGEM e de um altruísmo incalculáveis. Ela podia não tê-lo feito. Ela podia ter-se calado como tantas outras pessoas com maior destaque fazem. Ela podia. Mas não o fez. Ela assumiu publicamente a sua orientação sexual e apesar de ser algo do foro íntimo de cada um e RELEMBRE-SE, de ninguém ter nada a ver com isso, é AINDA preciso, que pessoas que são referência para outras pessoas alertem para as falhas da sociedade. Estamos a falar, mais uma vez, de pessoas. Não existem pessoas de primeira e pessoas de segunda! Todas as pessoas devem ter os mesmos direitos. PONTO. Qual é a dúvida? Há pais a porem filhos na rua devido à sua orientação sexual? A renegá-los? A maltratá-los? Que raio de pais são estes? E se este tipo de atitude inominável começa muitas vezes nos pais (SUPOSTAMENTE AQUELES QUE NOS AMAM INCONDICIONALMENTE!) que se dirá, das atitudes dos desconhecidos? Quando é que as pessoas se começam a pôr no lugar dos outros e a pensar: "E se fosse eu? Se me negassem direitos básicos? Se me sujeitassem às piores humilhações. Ao desprezo. E se fosse eu? Não sofreria? Não derramaria lágrimas sem fim? Não desesperaria com a diferença? Não quereria tantas vezes desistir?" (A sensação de dar murros em facas afiadas deve aplicar-se...) Grande orgulho em pessoas assim. Mais uma vez uma vénia a uma grande mulher. Quando vejo duas pessoas que se amam há mais de uma década a terem de se cumprimentar com um singelo beijo na cara, magoa-me. Magoa-me que seja assim. Todos temos direito à (nossa, tão íntima, tão NOSSA, só nossa) felicidade. Todos temos direito a viver a curta vida que nos é concedida da melhor forma que pudermos desde que não estejamos a violar direitos de terceiros. Duas pessoas que se amam, poderem casar (SIM É IMPORTANTE: sabiam que quando morre um dos elementos de um casal homossexual, o companheiro de uma vida inteira não terá direito a nada? Sabiam que não havendo compreensão por parte dos serviços, em caso de doença, uma pessoa homossexual não poderá estar presente junto do seu companheiro? Porque só os parentes directos têm esse direito. Sabiam? Acham humano que isso aconteça? Daí e de outras coisas decorre a importância do casamento. Não pensem tratar-se de um capricho. Comprar casa, um direito a que quase todos temos acesso. Essas pessoas, à partida, não têm. AINDA) E crianças? Será melhor tê-las em instituições de caridade até completarem 18 anos? Sem um lar efectivo. Sem pessoas que se lhes dediquem de alma e coração? Será melhor isso? Porque não a adopção? NÃO SE PEGA pessoal! As pessoas são o que são! E se o coração é puro tudo o resto são pormenores! Sou leiga no assunto, aquilo que sei é o que o coração me grita: As pessoas têm direito a ser felizes e ninguém tem direito de atirar pedras ou de julgar. Vivam e deixem viver. COM DIREITO IGUAIS SIM! Porque não?!
LEIAM então a entrevista de Solange F. feita pelo jornalista Bernardo Mendonça na revista ÚNICA do Expresso. LEIAM. ACORDEM. MOBILIZEM-SE. MUDEM O PENSAMENTO SE NECESSÁRIO!
Que nunca mais morra alguém às mãos da IGNORÂNCIA e da INTOLERÂNCIA.
O AMOR TUDO VENCE e é SEMPRE SEMPRE SEMPRE PURO, BELO e SUBLIME.
Às várias pessoas que eu amo e que infelizmente ainda têm de sofrer com isto.
Ora aqui está um livro absolutamente arrebatador. Um livro que me gritou: ACORDA! Olha para o mundo em que vives de uma vez por todas! Muitas vezes afirmo que "Gosto mesmo MUITO de ser ingénua". Tenho noção que em muitos casos ser ingénua equivale a ser IGNORANTE, mas há realidades no mundo que eu não me sinto capaz de DIGERIR. Situações que me desesperam e nas quais sinto ser INCAPAZ de intervir para mudar ou melhorar ou denunciar ou o que quer que seja para as combater se as achar perversas/malignas/insidiosas/injustas/nojentas/violentas/etc. Sinto-me um insecto pequenino e eliminável com grande facilidade. E por isso é-me mais fácil se não souber de certas coisas. O que é que se chama a isto? Comodismo, talvez até cobardia, ignorância pura no saber como agir. O que fazer? Como fazer? Num mundo em que se SILENCIAM "facilmente" as vozes dissonantes, aquelas vozes que se erguem qual David contra Golias (um venenozinho mortal aqui, um balázio na cabeça ali, uma ameaça velada aos que são queridos...) ... Vivemos todos com MEDO do que possa acontecer ao próprio rabinho. Em toda a história têm havido pessoas que se sacrificaram em prol da verdade, da justiça, da HUMANIDADE pode mesmo dizer-se. Cá... Cá vivemos num país pequeno, mas mesmo neste país pequeno há pessoas que se consideram grandes, consideram-se até maiores do que os outros. Pessoas que nunca abandonaram os tiques ditatoriais e esperam serenamente poder exercê-los novamente E de forma declarada. Estão muitos apenas à espera de poder fazê-lo ABERTAMENTE. Porque, actualmente, já o fazem, mas camufladamente. Vivemos numa democracia? Duvido... Muito... Quando as pessoas têm medo no seu dia-a-dia de falar, de expôr as suas opiniões, quando se tem à viva força de ser politicamente correcto, esconder crenças e convicções sob pena de se perder, por exemplo, o trabalho... Que raio de democracia é esta? Sim, sim, podem votar em quem querem, por enquanto o voto é secreto, mas livrem-se de elevar as vozes contra o poder instituído. E para mim que não tenho cor (não creio em ninguém) o que me parece é que o poder instituído é o do DINHEIRO. Não há política ou religião que bata o DINHEIRO. Esse é o verdadeiro deus da actualidade e inerente/coladinho ao dinheiro o PODER. Quanto mais dinheiro mais poder e vice-versa. QUE FAZER de um mundo assim? E é neste contexto que eu acho que este livro da Lídia Jorge é de uma CORAGEM AVASSALADORA! Que grande MULHER! Que grande VOZ! E apesar de ser mulher esta expressão adequa-se: QUE GRANDES TOMATES! A minha vénia! O meu RESPEITO. A minha ADMIRAÇÃO! É com pessoas destas que eu ACREDITO ser possível COMBATER A SOMBRA! É com PESSOAS destas que o mundo poderá ter uma HIPÓTESE!
Entre as 21 horas de 16 e as 21 horas de 17 de Outubro – Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza –, milhões de pessoas em todo o mundo irão participar no "Levanta-te e Faz-te Ouvir Contra a Pobreza e Pelos Objectivos do Milénio". Demonstram assim o seu apoio através da participação num movimento social que juntará milhões de vozes a nível global. No ano passado, mais de 23 milhões de pessoas participaram estabelecendo-se um novo Recorde Mundial Guinness. Este ano, pretende-se que a mensagem seja ouvida ainda melhor.Às 10h30 do próximo dia 17 de Outubro, queremos que todas as escolas do concelho de Cascais e a sociedade civil façam ouvir a sua voz contra a pobreza global. Este "despertar" ocorre no âmbito da tentativa de estabelecer um novo recorde do Guinness de pessoas que se levantam por esta causa. No concelho de Cascais esta campanha está a ser organizada pela plataforma Cascais 2015.
A Millennium Campaign – Campanha do Milénio das Nações Unidas – foi lançada em 2002. Procura inspirar os cidadãos em países ricos e em países pobres no sentido de exigirem aos seus líderes políticos o cumprimento, até 2015, dos compromissos assumidos na Declaração do Milénio. Ou seja, procura incentivar políticas públicas, tanto em países ricos como em países pobres, que tenham impacte positivo no desenvolvimento sustentável dos países mais desfavorecidos.
O QUE SÃO OS OBJECTIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÉNIO (ODM)?
Em 2007 completa-se meio caminho no prazo fixado para que se resolvam alguns dos maiores problemas da Humanidade. Há sete anos, chefes de Estado e de Governo de 189 países, incluindo Portugal, reuniram-se nas Nações Unidas. Ali assinaram a Declaração do Milénio, comprometendo-se a lutar contra a pobreza e fome, a desigualdade de género, a degradação ambiental e o vírus do VIH/SIDA.
Para avaliar o cumprimento daquele compromisso, estabeleceram 8 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), a alcançar até 2015:
1. Erradicar a Pobreza Extrema e fome 2. Alcançar o ensino primário universal 3. Promover a igualdade de género 4. Reduzir a mortalidade infantil 5. Melhorar a saúde materna 6. Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças 7. Garantir a sustentabilidade ambiental 8. Fortalecer uma parceria mundial para o desenvolvimento
Envia a tua foto e o número de pessoas que se levantaram para
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segunda-feira, 1 de outubro de 2007
1 Filme, 1 "Documentário", 2 Tentativas
Sábado à noite... Apetecia-me mesmo, mesmo, ver um filmezito escolhido e alugado por mim e para mim. Era mesmo o que me apetecia. Então fiz melhor e aluguei dois:
1) Little Children(o qual traduziram em português para "Pecados Íntimos" o que, na minha opinião, está muito mal traduzido. Little Children é mesmo o título adequado - Quem já viu, não acha? - e não vejo qual seria o problema de terem posto "Crianças pequenas" ou "caprichos de criança" porque para mim é disso que o filme trata. De como as pessoas podem não se sentir preenchidas, ou melhor, como se podem sentir tão vazias que acabam por negligenciar as coisas realmente importantes nas suas vidas com distracções efémeras e ilusórias. Não conseguem ver o que lhes está mesmo a entrar pelos olhos. Adorei. Achei a história magnífica e realista. Fez-me lembrar o Magnólia, pela profundidade com que aborda cada uma daquelas "personagens". Muito humano. Muito simples, tão simples como a vida pelos olhos de uma criança. É tão fácil julgar, armar em justiceiro e em todas as histórias, mesmo nas mais cruéis, há duas versões. E embora algumas dessas versões sejam horripilantes, se nos puséssemos no lugar do outro talvez conseguíssemos se não aceitar, pelo menos, (tentar) compreender. Mais fácil falar que fazer em todo o caso... Não custa nada tentar. MUITO BOM. A ver sem dúvida. (De cada vez que um filme destes me atinge, atinge-me também a dúvida. Mas sei que o que faço me protege e por isso continuarei.)
2) CAPOTE a tentativa. Ainda não acabei de o ver e vou pagar multa mas quer-me parecer que vai valer a pena ;)
Domingo: A tentativa2 (deste fim de semana) para ver a exposição BODIES que se encontra no Palácio dos Condes do Restelo - Rua da Escola Politécnica, N. 42, 1250-102 Lisboa. Estava uma fila enorme (ler isto como o anúncio da PT quando o RAP diz "labaredas enooorrrmeeees"...) pelo que demos meia volta e regressámos ao nosso subúrbio. Havemos de lá voltar concerteza, antes de 24 de Outubro, mas jamais num Domingo de chuva isso posso garantir.
Domingo à noite: quis, à força, ir ver o filme "Um Coração Poderoso". É um filme também ele PODEROSO, principalmente porque é daqueles em que o fim não é propriamente o que se pode apelidar de um "final feliz", nem se pode pensar "oh, é triste mas é filme vá...". Não acabou nada bem para o Daniel Pearl e infelizmente aconteceu mesmo assim. Mas e este "mas" para mim é a chave do valor deste filme (o tal que pode ser denominado documentário) contém uma mensagem IMPORTANTÍSSIMA e que por si só deveria transformá-lo de visionamento obrigatório para toda a humanidade. Aquela mulher passou por dias de agonia em que a esperança era o ar que respirava. Reconheci em certa jornalista do filme como todos nós podemos ser acusadores em certos casos "Ah não está a sofrer assim tanto, não chora. Não desespera." E ela só não chorava porque não acreditava que fosse acabar mal. Sempre pensou que o voltaria a abraçar. (É tocante a parte em que lhe envia uma sms a dizer que o ama...) Ainda assim, quando o pior se confirmou, esta mulher, do alto do seu desespero, soube ser GRANDE, soube ser o que precisamos que a humanidade seja: isenta de ódio. Grávida, perdeu o seu amor da forma mais cruel, com requintes de sadismo e malvadez e ainda assim não foi sobre ódio ou vingança que ESCOLHEU falar. Ainda assim, quis transmitir PAZ nas suas palavras, compreensão, empatia por todos os que sofrem os horrores das guerras, dos terrorismos, das intolerâncias. Quis que a morte do marido trouxesse algo de útil, que não tivesse sido em vão (já o sendo). Esta é sem dúvida uma mulher especial e, não podendo trazer de volta o pai do seu filho, deu-lhe o que de mais precioso lhe poderia ter dado: a VERDADE, nua e crua, MAS com uma mensagem positiva, incentivando à PAZ e não ao cultivo do ódio e da falta de diálogo entre os povos. UMA LIÇÃO DE VIDA. É muito bom conhecer histórias de pessoas reais como a Mariane Pearl, pessoas melhores, que vêem muito, muito muito mais além. Fôssemos todos um bocadinho assim e o mundo tornar-se-ia melhor. (Angelina Jolie sem dúvida uma grande actriz)
Andreia Azevedo Moreira (Lisboa, 1978) licenciou-se em Engenharia Florestal e não exerce. Não estudou letras mas dedica-se-lhes com paixão. Escreveu os argumentos e os guiões das curtas-metragens «Espelho meu» (2018) e «A Escritora» (2019) em parceria com Hugo Pinto, o realizador e o argumento/guião da curta-metragem «À vida» (48HFP Lisboa) realizado por André Costa. Colabora com o projecto online fotografarpalavras idealizado por Paulo Kellerman. No papel: «Os cães ladram» (Colectânea «O país invisível», C.E. Mário Cláudio, 2016); «Pode um corpo morto» (Colecção Crateras, Nova Mymosa, 2019); «Mar Fechado» (Grotta n.º4, 2019/2020); «As paredes em volta» (Colecção Crateras, Nova Mymosa, 2020); «A vinte e quatro minutos da eternidade» (Ed. Minimalista, Antologia de contos, 2020); «Abel» (Ed. Minimalista, Contos Minimalistas, 2021), Augustine e os maus sentimentos (Nova Mymosa, 2021), Depois do abismo o canto dos pássaros (Nova Mymosa, 2022), Em português escrevo com A (Edição em papel de 06-04-2023, Jornal de Leiria), Pesar o adeus (Nova Mymosa, 2024). Liberdade e gratidão são verbos. Pearl Jam, banda sonora.