sábado, 14 de maio de 2011

 

Um Teatro às Escuras - Pedro Tamen



O mês passado fui ver um filme intitulado POESIA. Nesse se afirmava que para criá-la é necessário ser-se capaz de ver a beleza que existe em tudo quanto nos rodeia, ou acontece. Curiosamente sugiro-vos um “Um teatro às escuras.” (Publicações Dom Quixote, 2011) Como escrever a beleza em recinto imerso em treva? - Perguntam vocês. - O poeta e tradutor Pedro Tamen (1934) fê-lo de forma sublime neste livro. - Respondo-vos eu, que já o li cinco vezes. - Ilumina-nos um palco “que nunca ninguém viu” permitindo-nos assistir ao diálogo entre dois amantes porvires sobre o seu pressentido amor.

A maior parte das vezes quando me agrada uma escrita procuro saber mais sobre quem empunhou a pena. Neste caso, li uma entrevista do sujeito que me encantou de tal maneira que não hesitei em adquirir um exemplar do seu mais recente trabalho.

Deparei-me com poemas que são as deixas de uma dramaturgia pensada ao pormenor. Assisti à acção e, em simultâneo, aos bastidores. Apercebi-me dos “problemas de iluminação” que afectam todos os responsáveis por levá-la à cena: o contra-regra; o autor da música; o encenador; o electricista; o ponto; o imprescindível público. Todos desconhecedores, afinal, do texto, munidos de esperança que os ilude abrilhantando o futuro inexistente. Até o encenador - Segundo o autor, uma metáfora de Deus. – sente o desnorte e a impotência que o desconhecido impõe.

É a expectativa do acontecimento que nos move e não o acontecimento em si mesmo, daí que nos possamos considerar actores incapazes de parar com a representação de uma vida que não o é deveras, quando nos protegemos constantemente com “guaritas” que nos coíbem de sentir. Diz “Ela” na página 46:

«(…) e outro tempo de calmas e de mel
nos tornará reais sem as guaritas
que nos protegiam noutras eras:
apanharemos chuva e sol deveras.»

Eis que somos mais do que meros espectadores sentados numa “floresta de cadeiras” (Imagem belíssima – Pág.9) porque nos revemos “nele”, “nela” e nas restantes vozes. Assaltam-nos as mesmas questões, as infindas ambiguidades, buscamos revelações, tememos a obscuridade. Irremediavelmente sós nesse palco onde se nos desenrola a existência. E então: Somos ou representamos? Podemos saber existir o que não vemos? Há que perceber para ser? Que sei sobre mim? Que sabem os outros do meu ser e que sei eu do deles?

Luz? Talvez quando a peça terminar. Só a morte nos é certa. Viver é cegueira.

“Um caminho pode ser a luz ausente.” (Página 37)

Cesso agora de esmiuçar que, como disse Natália Correia, «a poesia é para comer». Para encontrarem este e outros livros de poesia sugiro, igualmente, uma visita à livraria POESIA INCOMPLETA (http://poesia-incompleta.blogspot.com/)

150 Batimentos Por Minuto Maravilhoso e original. A adquirir. Sugerir a leitura.

PUBLICAÇÃO ORIGINAL AQUI.

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