Afastamentos fazem-me sofrer. Há pessoas que nos são vitais em certas alturas da nossa vida e que com o tempo e com o suceder de uma série de acontecimentos nem sempre de ordem consciente se vão afastando. Afastam-se devagarinho... Um episódio aqui que me magoou, outro ali em que eu magoei e de repente quem estava sempre cá para nós, vê-se agora ao longe, como um barco que se afasta até descer para lá da linha do horizonte. Ao princípio debatemo-nos, esbracejamos, tentamos que a amizade não se afogue, mas ela lá vai, devagarinho, glu glu glu, glu glu glu. Não é que a culpa morra solteira, não é que a culpa seja de quem se afastou, até porque não raras vezes esse afastamento é mútuo. Deixa de existir identificação. Passam a estar presentes outras pessoas. Passam a ser importantes outras pessoas. E com o tempo, o que muito doía, passa a resignação. Passa a um "e lembras-te naquela altura em que..." De magoados, passamos a uma quase indiferença. "A vida é assim..." Dir-me-ão. "A vida é assim." Pois é. Eu sei que é. Mas custa-me ter-me perdido de algumas pessoas e que algumas pessoas se tenham perdido de mim. Tenho saudades. Tenho tantas saudades de algumas pessoas. Mas cá continuo à tona, navegando, sendo para os outros, os do agora, o melhor que sei ser. Nem sempre consigo. Muitas vezes deixo que coisas destas aconteçam. Muitas vezes desisto/i. Eu sei que "a vida é mesmo assim"... Mas ainda assim tenho pena. É só isso. Pena que seja assim.
Etiquetas: AMIZADES, DESABAFOS, PENSAMENTOS
# Ideia partilhada por Andreia Azevedo Moreira @ 10:23
