sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

 
Com ele aprendi a sentar-me no chão, sem medo das manchas que se me atirariam à roupa. Molhei calças sem me importar. Olhei incrédula para as mãos, enquanto as enterrava na areia. Permiti-me unhas encardidas de terra e de relva. Dei festas a cães que não conheço e não me lembrei de ter de as lavar. Observei-o enquanto aferia a rugosidade do alcatrão e coloquei a minha mão bem perto da sua. Preto. Quente do sol. Cheirava a pneus e a pastilhas elásticas. Tantas texturas se me revelam agora. Reaprendo um olhar puro, sobre todas as coisas. Para quê “Não te sujes”, “Põe-te direito”? Regras que não entendo. Guardo-as na gaveta dos classificados. Pouco me interessam. Enfrento o escuro por ele e é com ele que avanço estóica na treva. Que a não tema tanto. Fecho a porta ao discernimento. É tempo de sentir.

Etiquetas: , , ,


quarta-feira, 9 de março de 2011

 

Consigo encontrar parecenças entre as pessoas que não lembram à Maria Armanda.


O António Carlos Cortez faz-me lembrar o Ricardo Araújo Pereira. E vai daí é o contrário. Mas que há ali um 'quêzinho' comum aos 2. Ai há, há.

Etiquetas: , ,


terça-feira, 8 de março de 2011

 

Célere chegue o tempo

em que todas as mulheres em todas as culturas terão voz e liberdade de acção.

"Ninguém me peça, tente, exija, que regresse à clausura dos outros." (Novas cartas portuguesa - Edição anotada, 1998, 2010, Publicações Dom Quixote, Página 35.)

Etiquetas: , ,


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

 

MENTIRAS QUE DIZEMOS AOS OUTROS:


Estou bem comigo. Já não me importo de (te) desiludir.

Etiquetas: ,


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

 
- Porque choras?
- Perdi-me.
- E então?
- Tenho saudades minhas.
- Não sejas imatura. Foi uma escolha. Sabias bem o que aí vinha.
- Iludi-me que era possível não me perder.
- Achas que eras uma grande coisa?
- Não. Creio somente que era e agora não sei se sou. Não me sinto.
- Que exagero. Sabes muito bem que se tivesses dormido...
- Pois.
- Não devias ser tão egoísta. Sempre "eu não isto" "eu não aquilo". Não há pachorra. E ele? Ele não teve escolha, ao contrário de ti.
- Pois.
- Envergonha-te então de seres por demais mimada.
- Envergonho.
- Aproveita e descansa a cabeça! Não penses. Não queiras pensar.
- Tens razão. No fundo tinha a presunção de ser uma grande coisa, ou, pelo menos, alguma coisa e não era.
- Acalma-te mas é. Aceita o piloto automático. Pode ser que um dia te reconheças por aí.
- Vai daí nesse dia já não gosto do que era ou achava ser. Talvez nessa altura conviva bem com esta ausência de mim.
- És capaz de ter razão. Não esbracejes tanto. Pareces parva. Não entendes que te cansas ainda mais e ainda assim te manténs incapaz de sair do lugar na senda da pessoa que crias ser?
- Pois. Pareço parva. Melhor, sou.
- Ora aí está uma belíssima conclusão: És parva.
- Pois.
- Então cala-te e vive sem pensares que já não te posso aturar. Faz o que tens a fazer e deixa-te de lamúrias.
- OK! OK! Também não precisas ser tão dura comigo! Isto foi de não ter dormido bem.
- E de seres parva. Essencialmente disso.
- Pois.
- Vai pô-la de fora que essa agora é a tua função. Faz o melhor que podes. Deves-lhe isso depois do que lhe fizeste. Trazê-lo assim para este lugar tão difícil.
- Ainda não está na hora. Que lugar?
- Se não está na hora tens tempo de publicar esta porcaria que sempre é um pouco mais que o silêncio. A vida.
- Agora é que disseste tudo. Já a avozinha dizia "mal ou bem interessa é que falem". A vida?
- Até podia dizer isso a tua avó...Mas isto...Por amor de deus. Sim. A vida.
- Pelo menos sinto-me melhor. A vida... Fazê-lo existir. Que irresponsabilidade...
- E a caneta ainda te conhecia a mão esquerda. Vês?!
- Pois. Que bom! Espero que não se esqueça de mim ainda que não regresse.
- Terás sempre o livro de cheques, os questionários de satisfação e os sudokus.
- Não é a mesma coisa.
- Lá estás tu armada ao pingarelho. Rende-te pá. As coisas são o que são.
- É uma merda mas é acertado o que dizes. Rendo-me. (Por hoje que não dormi bem. Lá está.) (À vida.)

17h28 bem mais aliviada que no decorrer das 17h27 anteriores.

Etiquetas: ,


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

 

PRECE

Senhor:

Depois do leite secar,
deixa-me ficar com "elas".

Agradecida.

Etiquetas: ,


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

 

2 lemas para (continuar a) viver bem em 2011


1) "Mais vale morrer de pé que viver ajoelhado."

2) "As más acções ficam para quem as pratica."

Com a Baba O'Riley dos The Who aos altos berros tocando dentro da mona. Há quem me veja desconhecendo a banda sonora que cá vai dentro e sem essa a visão está incompleta. Fica a dicazinha quanto a 1) e a 2).

Também podia ser ESTA para 1), por exemplo. E ESTA para 2).

Um grande bem-haja sim?

Etiquetas: , , ,


sábado, 1 de janeiro de 2011

 

Questão (por demais preocupante) de ano novo:

Que será de mim, nos próximos meses, sem o contributo precioso dos transportes públicos?

É escrever sobre ponto de cruz, a companhia das manhãs, o você na tv, a Julinha, as dívidas que a boa da Fátima salda etc. e tal. I will survive. Hey hey.

Etiquetas: , ,


This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Website Counter
Free Counter