Saí de mim sem dar por isso e perdi-me. Andei por aí aos tropeções, caíndo, chorosa, desorientada, qual criança na praia de costas para o sol. A ver-me, longe. Gritei-me que voltasse. Que não era por ali. É fácil perder-me. Foi uma distracção. Momento para durar uma fracção de segundo e ainda assim, capaz de provocar um vendaval na minha Primavera. Foi mesmo assim. Um dia era o sol, o verde e os pássaros a cantar, para de repente, o céu escurecer e descer-me, implacavelmente sobre a cabeça. A angústia veio a correr e pôs-se a meu lado. Deu-me a mão. Eu tentei sacudi-la, abanei vigorosamente a mão. Gritei-lhe "Sai daqui. Vai-te embora." e ela teimosa ombro com ombro e com uma mão forte a agarrar na minha, sorrindo-me desafiadora. Pensei: Não pode ser. Ainda agora estava tudo bem. E ela ignorou-me e continuou comigo. Sei que a mente arranja subterfúgios, para me ludibriar acerca do que realmente me assusta. Como não quero ver que é "isto", digo que é "daquilo" e assim me perco em distracções e divagações. E mesmo tendo noção "disto" que acontece, volta e meia, lá me perco. Esqueço-me de quem tenho sido, esqueço-me de quem quero ser, esqueço-me das "coisas" que realmente me importam. Aquelas que não são palpáveis. O que realmente me importa, não se mede, não se pesa, não se cheira. O que verdadeiramente me preenche, pertence ao mundo das coisas (pres)sentidas, das que me enchem o peito, ou aceleram o coração e essas são incorpóreas. Mas é fácil esquecer-me disso. Uma distracção apenas e o ego e o materialismo a quererem impor-se. É uma luta porra. Isto é uma luta. Uma construção diária. Ergo-me cá dentro a pulso, erijo quem quero ser e às vezes, uma aragem apenas, passa-me por dentro, enche-me de calafrios e ameaça derrubar o que tanto trabalho me dá, dia-a-dia, atingir. Por vezes uma maldade alheia é o suficiente. Uma pérfida palavra. Um esgar de sorriso que pretendeu magoar. Uma insinuação. Outras basto-me eu e o meu orgulho. A minha vaidade. A insegurança. O simples desânimo. É e será sempre um TPC para cada dia. Construção que nunca verei concluída porque é a própria vida em si. Quando morrer, se puder julgar, julgá-la-ei imperfeita porque é sempre possível ser melhor, fazer melhor. Eu quero que seja assim, é assim que concebo a vida. Mas às vezes, visto-me de um cansaço que vem desta luta entre aquilo que quero ser e aquilo em que me estou a transformar.
Underneath this smile lies everything
all my hopes, anger, pride and shame
make yourself a pact, not to shut doors on the past
just for today,... I am free
I will not lose my faith
It's an inside job today
I know this one thing well,...
I used to try and kill love, it was the highest sin
breathing insecurity out and in
Searching hope, I'm shown the way to run straight
pursuing the greater way for all,... human light.
How I choose to feel,... Is how I am.
How I choose to feel,... Is how I am.
I will not lose my faithIt's an inside job today
Holding on, the light of night
On my knees to rise and fix my broken soul
Again.
Let me run into the rain
To be a human light again
Let me run into the rain
To shine a human light today
Life comes from within your heart and desire
Life comes from within my heart and desire
Life comes from within your heart and desire
Etiquetas: CRÓNICAS, E é isto, PENSAMENTOS
Ouvi dizer que na meditação se pensa "o nada". Tenta-se não pensar, para lá do momento presente. Aquele em que de pernas cruzadas e mãos nos joelhos viradas para o céu (assim o fantasio), esvaziamos a mente e apuramos os sentidos. O que se ouve. O que se cheira. O que se apalpa. O que se saboreira. O presente. Seria eu capaz de me esvaziar? Mesmo que por um breve momento? Eu gostava. Gostava de expulsar o ponto de interrogação que se me colou à moleirinha. - Já não a tenho, sei bem. Antes tivesse, sinal seria que estava a começar tudo de novo. - Começo a ter medo da morte e dessas coisas, como a velhice, que antes estavam muito distantes. Começo a pensar que as escolhas que faço me afunilam o futuro. Já não tenho a vida toda pela frente. Pelo menos já não sinto que tenho e isso assusta-me. Na meditação não há passado e não há futuro. Ouvi dizer que há só presente. Uma passa que nos dão para a mão e que aprendemos a escutar, a sentir, a saborear. Uma passa a simbolizar o nosso desprendimento do resto. Do passado irremediável e do futuro imprevisível. Naquele dia, naquele momento, só podemos viver a passa. Mas sinceramente, eu preferia viver chocolate. Não gosto de passas... Meditar? Não sei se será algum dia para mim. Porém, apetece-me tentar. (Fica naquela lista mental de tarefas "Um dia ainda hei-de...") Tenho pavor a ficar velha por dentro. PAVOR. E se são passas que tenho de comer para que isso não aconteça, venham elas, tipo doze, para eu formular muitos desejos.
Etiquetas: CRÓNICAS, Teorias de chacha ou não...
Quando uma criança cai posso ter duas atitudes:
a) Ah. Caíste. Coitadinho. Anda cá que eu dou um beijinho. cutchi cuthi cutchi.
(Esta desencadeará uma choradeira pegada, não sendo possível prever as proporções que eventualmente tomará, bem como a duração da dita choradeira.)
b) Ó. Caíste. eh eh eh. UPA! Não foi nada! UPA! Já passou. Vês?
(Que arrancará, por certo, um belo sorriso ao petiz e lhe ensinará, assim de mansinho, que na vida e especificamente no que respeita às quedas, mais vale encará-las com um sorriso e levantarmo-nos sozinhos, sacudir a sujidade do rabo com a mão, enquanto nos preparamos para outra.)
Ora, às vezes, nesta vida adulta que levo, não me apetece seguir o precioso ensinamento de b).
Apetece-me simplesmente ficar amuada no chão, de braços cruzados, numa choradeira pegada, à espera que me dêem colinho.
Às vezes canso-me de ser combativa, apetece-me pôr as orelhas de burro e virar-me para o canto, amuada, embirrenta.
De vez em quando apetece-me, apenas, dormir.
Recrimino-me então, porque sei (a maior parte do meu tempo sei) que isto de andar cá é muito bom e temos de tirar o melhor partido. De um momento para o outro (infelizmente também sei isto demasiadamente bem) puf, já fomos.
Não sei se serão as hormonas, as culpadas destas oscilações de humor. Sim porque neste momento também não me apetece arcar com a culpa desta birra, nem assumir responsabilidades (ou não se trataria de uma birra como deve ser. Em birra que é birra:) A culpa não é da menina. Hormonas. Tudo bem. Hormonas.
Às vezes guerreira. Às vezes cobarde.
Às vezes lutadora. Às vezes um "Oh deixem-me estar. Vou só aqui dormir um bocadinho."
Uns dias crente, outros derrotada.
E lembro-me de ti pai. Quando me dizias que eu devia escolher, para fazer da vida, uma coisa de que gostasse verdadeiramente. Seriam muitas horas dos meus dias. Seriam muitos dias dos meus anos. Muitos anos da minha vida, por sua vez. Na altura não (te) percebi. Na altura diziam-me para escolher e eu num cadernito, folheado de véspera, tirei três "ao calhas" e nenhum dos três dizia respeito ao que eu mais gosto de fazer. E hoje pai, percebo. Pesa muito pai. Pesa muito. A competência é-me arrancada. Ultrapassar obstáculos em algo que não ambiciono é difícil, porque a falta de vontade me coloca 50kg em cada perna e eu só peso 57kg. E então é difícil dar os passos necessários, quanto mais erguer as pernas num salto. E hoje, se me dizem que não presto, eu acredito, porque sei que não me esforço o que podia. E recrimino-me novamente, porque olho em volta e vejo como está o país e sei que tenho muito, um muito que tanta gente merecia. (Talvez mais do que eu, que não consigo apreciá-lo, não hoje. Hoje estou com a birra.)
É difícil ser resoluto e resistir às más línguas, às pequenezes quotidianas, quando não se acredita no que se faz.
Que pena pai não te ter dado ouvidos. Mas a verdade é que na altura eu não sabia, ainda.
Eu não sabia.
Ainda.
Ontem caí e disseram-me UPA!
Obrigada.
Obrigada também pai pelas coisas que me ensinaste (e foram muitas).
E se hoje estou com a birra?
Olha, como diria o meu amigo Pedro Santos: Pachacha
(que é paciência em americano.)
Etiquetas: CRÓNICAS