quarta-feira, 23 de novembro de 2011
PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA - HOJE - Pegai* num livro e ide por deus!
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Temos de falar...
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA na Geração C
A Rosa Azevedo, minha formadora numa das paragens dessa minha viagem realizada na senda de aprender a “escreler” é co-responsável pela iniciativa e, tal como os restantes companheiros, pessoa que respira literatura. Eis o que intuo: trata-se de malta que vive para e pelos grandes livros. Gente que quer partilhar o seu amor, as palavras, os silêncios, as a(des)venturas, as epifanias. O quanto se amadurece e compreende quando se lê. Como se nos torna inevitável questionarmo-nos e ao que nos rodeia. Pensarmos sobre o que nos é familiar e o que desconhecemos. Ao ler somos mais conscientes e adquirimos mais ferramentas para fazermos as escolhas que definirão o rumo da nossa existência.
- Fala-se sobre quê, ao certo, nesses encontros?
- Sobre tudo o que se relaciona com - Passo a citar os organizadores do(s) evento(s) na respectiva página do facebook. - “Livros e coiso”. Interessa, por conseguinte, tanto os leitores como nós, como os livreiros, os editores, os distribuidores, os próprios escritores e, ainda, pessoas que não lêem mas que ali, entre uma caipirinha e um pires de amendoins, decidem que é o que lhes faz falta à vida.
- Ali?
- No bar do Chapitô, o Bartô, situado na Costa do Castelo, n.º 1 a 7. Lugar romanesco que enleva, com as suas estantes que trepam as paredes de uma biblioteca erigida, ao longo de anos, com devoção; a sua cadeira antiga de barbeiro, onde imaginamos sentar-se o mais distinto cavalheiro da capital do século XIX, ou o lagar para o qual os convidados são conduzidos, permanecendo no centro da acção, à medida que nos cativam com bom humor, sabedoria e pertinentes questões.
- Horas? 22h. Mais minuto(s) menos minuto(s). Aconselho, enquanto aguardam, espreitadela à portentosa vista sobre Lisboa.
Temas já debatidos: «Já não preciso ler uma biblioteca para escrever um livro?»; «O e-book - devo deitar fora os meus livros?» e «Socorro, onde está o meu livreiro?».
A 14 falar-se-á sobre o Cânone. Estou em pulgas. É opressor o sentimento de uma vida ser insuficiente para todos os livros que se quer ler. Sempre que tenho a oportunidade de ouvir quem sabe, vou. - Os participantes têm sido de alto gabarito! - Então, escolho o meu caminho convicta que não desperdiço o tempo que me é por demais valioso.
150 BPM – Assinalar na agenda como “A não perder.” Sugerir a todos os amigos. (Os facebookianos, os reais e aqueles que habitam os dois mundos).
PUBLICAÇÃO ORIGINAL AQUI.
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sábado, 17 de outubro de 2009
ESCRITA CRIATIVA na TRAMA
Fica o TPC corrigido depois da crítica construtiva que lhe foi dirigida. Não sei se fui bem sucedida na correcção. Sei que dei o meu melhor.
Umberto Eco: “À primeira vista não passava de um ser que juntara o seu corpo humano a uma cabeça equina, com cauda de sereia e escamas de serpente.”
Exercício: O que aconteceu a este homem para se transformar nesta criatura?
VESTIR OUTRAS PELES
Aquele homem era mais do que uma simples aberração. Era o brinquedo de um deus sardónico que o conjugara assim. Corpo de homem, cabeça de cavalo, cauda de sereia, escamas de serpente, para puro entretenimento. Egoísmo de uma divindade obscura. Não se importara sequer em desprovê-lo de inteligência. O sofrimento seria menor, desse-se o caso da mente ser de peixe. (E ainda assim não podemos saber.) Não. Dera-lhe o cérebro de um mamífero inteligente: bravo porém dócil, subjugado por benigno feitio mais do que por incapacidade de se rebelar interiormente. Tinha ideias de liberdade aquele pensamento de cavalo. Recordava as vidas em que fora cavalo inteiro e corria veloz por planícies imensas. Tempo em que as quatro patas não haviam sido trocadas por uma cauda de sereia. Não assumamos que apenas a cabeça tinha a faculdade de entender o crasso erro cometido na criação.
Também o peito humano se oprimia, acusando o desacerto. Recordava amores antigos e outros nobres sentimentos da pessoa de outrora, irremediavelmente perdidos - embora recordados pela irrefreável e perene angústia - porque inadaptados à mescla que era hoje. A cauda de sereia constituía a materialização suprema da ironia divina. A cauda de um inefável ente feminino como único meio promotor de movimento ao viril, embora agrilhoado, ser masculino. Que género atribuir a tão confusa criatura? Considerando apenas a morfologia do sexo dir-se-ia feminino, pois se a sereia é tida como mulher sedutora, ainda que aberrante. Mas se a metade que define o sexo é peixe e se peixes há hermafroditas, em que ficamos? Ficamos confusos. Imagine-se o desventurado ser. Cada parte de si uma vontade e díspar das restantes. Sofrimento atroz.
Apenas as escamas cumpriam o seu papel protector do todo, e se sentiam (se é que uma escama pode sentir), de certa forma, satisfeitas com a própria existência.
A criatura não se sentia bem na sua pele, que vestira por castigo do criador e não por vocação. Pelo contrário, a epiderme cumpria solitária e impassível a função para que fora criada, sem se apiedar das outras partes que tinham de ser o que não (se) sentiam e as quais, paradoxalmente, defendia.
Andreia Azevedo Moreira
11 de Outubro de 2009.
P.S. Atentem na nova etiqueta: FORMADORES ESPECTACULARES. Tem efeitos retroactivos portanto o meu grande bem haja para cada um (modo aleatório): Raquel Ochoa, Luís Filipe Borges, Filipe Homem Fonseca, Susana Romana e Nuno Costa Santos. (Diz que gostei de todos os que conheci até aqui. Cada um especial à sua maneira e cada um, o respectivo contributo para que eu seja melhor.)
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