«Pouco sei sobre economia, negócios, lucros, ou prejuízos. Desconheço estratégias financeiras, ou soluções milagrosas para o mercado livreiro. O que penso é intuição, ingenuidade, ou tão só ignorância. Creio que o livro em papel não morrerá. As livrarias tão pouco. Haverá sempre leitores a precisar do toque. Olho para as minhas estantes repletas de livros que ainda não li e tenho certo que continuarei a comprá-los. É a herança que quero legar. No presente o meu filho não pára, descobre ainda a novidade a cada passo. Tenho, todavia, esperança que a quietude venha a ser possível quando acordado e que possa, em breve, ler perto dele, enquanto brinca. Imagino que há-de crescer a ver-me tão feliz dentro dos livros e que um dia me abanará o joelho: «Lês para mim, mamã?» Hoje já o deixo tirar os livros das estantes. Risco enorme. Ainda não percebe o tesouro que tem nas mãos e a tentação do rasgar é imensa, quando se tem um ano. Quero que lhe sejam familiares estes amigos. Que os não tema, ou repudie. Por isso, quando se dirige às prateleiras coloridas divertido, falo-lhe mansa e deixo que os manuseie à vontade, como aos seus livros de borracha com patinhos, ursos e chupetas perdidas. Amo o meu filho. Ser-me-ia insuportável não poder abraçá-lo. Amo os livros, é-me inconcebível não lhes tocar para os conhecer, como o é amar um homem desconhecendo-lhe o odor. A fé que tenho? Há muita gente a pensar assim e a acreditar que se não pode deixar morrer este modo de aprender. Como em tudo na vida, cada um a desempenhar o seu pequeno papel: Que cada pessoa consiga no orçamento do mês guardar alguns euros para comprar, pelo menos, um livro numa livraria. Se só pode adquirir um, é imperioso que o escolha bem. Quem melhor do que um bom livreiro para nos aconselhar? Certamente não será uma estante abandonada, perto tupperwares e atoalhados, que nos assegurará levarmos boa companhia. Vivem-se tempos difíceis, não duvido. Gostava muito de poder estar aí a ouvir-vos, para perceber melhor a situação e poder contribuir para encontrar soluções efectivas e menos elementares.
À leitura entendo-a como aventura dos sentidos que me acicatará toda a vida: “Arde a pele às costas subjugadas, arqueiam ante o(s) génio(s) escolhido(s); cheira ao carvão das frases sublinhadas, sabe ao sal do médio a virar as folhas com ruído; eis o vício avassalador e irreprimível que, ao aprisionar, liberta."
No que depender de mim agirei e apesar de ausente grito convosco: “Isto não fica assim!”»
Andreia Azevedo Moreira
Escreleitora (Carcavelos)
Os relatos e as fotografias do que se passou AQUI. Etiquetas: A herança a legar são livros, ESCRELER, Escritores, ESPERANÇA, LEITURAS, LIVRARIAS, Livros, Livros em papel
Tenho andado de mão dada ao
Caminhante Solitário de W.G. Sebald. Ao início estranhei, derivado a ser um tipo de livro muito díspar do último que li. Entretanto embrenhei-me nele e percebi que aqui não me irei comover/arrebatar/revoltar/apaixonar (tanto como é costume embora não negue a possibilidade de ainda vir a acontecer), antes aprender. Como é sabido é "coisa" que muito aprecio e à qual me dedicarei até ao último dia. Vai de maneiras que estou a gostar muito.
Adquiri-o em Novembro do ano passado,
NESTA LIVRARIA que é muito linda, com uns pormenores na decoração deliciosos (Destaque para a máquina de escrever muito e muito antiga que é uma perdição), habitada pelo melhor da Literatura. Aconselho vivamente que visitem e aí façam despesa, para que não haja mais despedidas/"até já"s com um aperto no peito, por deus.
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Desejo O MELHOR à Catarina e ao Ricardo. São admiráveis. Que a
TRAMA possa continuar noutro lugar. Os (nossos) lugares são as (nossas) pessoas. Onde eles (e todos os que se apaixonaram pela
TRAMA e com essa criaram laços) estiverem estará
A TAL NOSSA LIVRARIA.
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Não conhecia esta livraria e olha é mesmo daquelas que eu (mais) gosto. Acolhedora, com as obras essenciais, poucos metros quadrados onde nos perdemos e somos capazes de passar horas. Um cantinho para dar largas à curiosidade in loco com sofás e possibilidade de beber a bela bica. Contemplando, procurando títulos, cheirando o novo e o velho em mesclas de odores inebriantes, fazendo planos (mês que vem compro este, semana que vem tem de ser aquele não pode esperar mais, voltar sempre que puder e levar outro...) ao som de música em volume não agressivo à concentração que a busca por "aquele" livro impõe. Agradável surpresa: "ora toma lá o livro e a revista num saco de papel que nós felizmente para ti e para todos nós já nos preocupamos com o ambiente (pelo menos tenho fé que tenha sido intencional!). Só restava um número da revista que me levou lá - CRIATURA (aconselhada pelos nossos formadores) porque os meus colegas formandos acorreram em bloco no próprio sábado e levaram as restantes. Assim só sobrou para Euzinha uma já meia danificada (Nota: não me fizeram desconto! humpf). Eh eh eh, aqui está um grupo empenhado! Não conhecia o conteúdo da revista (é de poesia) mas tinha de a comprar porque nela se encontra o mais belo (INSPIRADOR!) texto que ouvi (e depois li) nos últimos tempos... Agora não o posso transcrever porque estou a trabalhar mas prometo que em casa o colocarei aqui. Vale mesmo a pena voltarem para o ler!
Cá está como prometido. O texto não se encontra assinado mas quem quer que o tenha escrito "está lá":
Não precisas explicar ou dar nome a um movimento para fazeres as coisas moverem-se. Se gostas escreve, escreve com gosto. Se gostas muito escreve muito e, se for possível, escreve cada vez melhor. Faz o melhor para que o mundo repare e chegue um dia em que espere pelo que ainda nem escreveste. Escreve simplesmente, sem reclamar uma posição fixa da qual não te queiras mover. Continua. Sê aquele que alimenta uma criação em movimento, a criatura.
Outra coisa que tenho andado para dizer aqui: DESCOBRI ORNATOS VIOLETA. Tinha o preconceito que não gostava. Baseado em quê esse meu preconceito perguntam vocês... Baseada em coisa alguma respondo eu. Tenho às vezes estas ideias preconcebidas que me impedem de ver logo coisas de que gosto muito. E este é mais um exemplo! Esta banda que eu pensava não me agradar tem letras fabulosas. E essa é outra promessa que aqui deixo, de deixar uma ou outra das letras que mais me disseram no álbum: O monstro precisa de amigos. Mais tarde porque mais uma vez, embora não pareça eu estou a trabalhar...
Cá vai disto:
TANQUE
Estranha forma de acordar
Que é estar pronto pra dormir
Abre a porta e vê se o mundo ainda é teu
Cedo vais-nos dar razão
Como a vida nos convém
Cedo irá arder nas minhas mãos
Não vejo um homem para trás
Não vejo medo para trás
Não vejo portas para trás
Meu mal é ver que eu vou bem
Todo o mal e todo o bem
Cedo voltará nós
Inocente e trágica lição
Se uma vida não chegar
Hei-de ter cem vidas mais
Quantas mais ditar o coração
Não vejo estrada para trás
Não vejo medo para trás
Não há mais nada para trás
Estranha forma de acordar
Que é estar pronto pra dormir
Abre a porta e vê se o mundo ainda é teu
Cedo vai-nos dar razão
Como a vida nos convém
Cedo irá arder nas tuas mãos
Meu mal é ver que eu vou bem
Quando é que é sábado outra vez? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito?
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