quarta-feira, 19 de outubro de 2011

 

OBRIGADA

Gente que se importa. Gente que faz falta.

http://cuidadores-alzheimer.web.ua.pt/

Parabéns pelo prémio.

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sexta-feira, 25 de março de 2011

 

E cada vez gosto mais e mais desta Mulher (vale a pena ler a crónica TODA)

(...) - Vão ler tudo mas é! - OBRIGADA PRIMA!

Não me atreveria a dizer que sei mais nada - mas quando se teve a sorte de aprender na infância que é importante ter sonhos e lutar para os tornar realidade, sabe-se isto. Essa sorte é hoje interditada aos meninos que são obrigados a aprender chinês ou a correr de explicação em explicação para serem os melhores da turma, os mais hábeis sobreviventes, os mais competitivos.

A crise fundamental é a de ideias: os sistemas económicos tradicionais estoiraram, e não se adivinha ainda o que poderá vir substituí-los. Seria mais fácil adivinhar se tivéssemos tempo para pensar. Tempo livre - para ler, viver, e sobretudo pensar. Deveríamos fazer da filosofia o centro dos currículos escolares, desde o primeiro ano de ensino - em vez de fazermos precisamente o contrário, como calamitosamente temos feito.

Os jardins são gratuitos. Os museus, aos domingos, também. Como são gratuitas as bibliotecas - e há-as hoje pelo país inteiro, disponibilizando, além de livros e revistas, músicas e filmes. Um bilhete para os fabulosos filmes que a Cinemateca exibe custa menos de metade de um bilhete de cinema normal. Quando se passa uma manhã de sol, mesmo no Inverno, lendo estiradamente na relva, o cérebro acende-se e a alegria renasce.

A pouco e pouco, perde-se aquele instinto de frustração que nos leva, tantas vezes, a desrespeitar os outros - utilizando-os, fustigando-os, ou tentando frustemente caçar-lhes o lugar, numa fila dos Correios ou numa qualquer empresa. O mais urgente programa anticrise parece-me esse: gozar cada dia devagar, com o mínimo de possível de custos. E pensar como quem dança, sem olhar para o par do lado nem pretender mais do que o prazer de rodopiar ao som da música.

Nota: Inês Pedrosa escreve de acordo com a antiga ortografia

Texto publicado na revista Única de 12 de fevereiro de 2011

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

 

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS

Aaaaaaaaaa caraças que boa notícia.

Aquando DESTE CURSO MARAVILHA tinha ficado com as orelhinhas em pé com o livro e o que versava, guardando em mim a intenção de, mais dia menos dia, o encontrar e adquirir. Não me cruzei com ele desde então. Aconteceu sábado, no ÍPSILON, ao perceber que a Dom Quixote o (re)publica agora, com anotações de Ana Luísa Amaral.

Estas mulheres tinham-Nos. E bem grandes.

Já cá vai cantar. Olaré.


Nas livrarias a partir de HOJE.

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

 

LÓGICA

Se Deia gosta de pessoas sem papas na língua.

E

Se Mónica Marques não tem papas na língua.

Então:

Deia gosta de Mónica Marques.

Vai de maneiras que ontem se deslocou à Bertrand do Chiado para ouvir a cool-chick falar, aproveitou ouviu também o Mexia, comprou o livrinho só naquela e depois logo há-de dizer coisinhas.

Note-se que já se riu bastante com algumas passagens do livro.

Deia acha que é mesmo preciso haver pessoas como esta mulher, que se estão a cagar para a solenidade e levam isto com alguma leveza. Deia sente-se por demais inspirada por pessoas livres assim e aspira um dia a tamanho desapego no que concerne às opiniões alheias.

Há-de chegar a altura (acredita nisso, pelo menos) em que, apesar de corada até aos ombros, também não se importará com o que "eles dizem".

cqd.

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

 

DESCONSOLO

Morreu António Feio mas não morreu.

Há pessoas que não morrem. Para mim assim é. Há pessoas que não morrem. Não nos podem morrer. A vida foi deveras para elas e precisamos delas para nos mostrarem como é.

E é assim:

Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento. Agradeçam e não deixem nada por dizer. Nada por fazer.


António Feio 1954 - 2010


(Essa doença maldita nada é perto da força desmedida que estes heróis do quotidiano levam dentro.)

PALMAS DE PÉ PARA TI.

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sábado, 26 de junho de 2010

 

LEIAM, PASSEM PALAVRA, O MUNDO SOMOS TODOS. (Obrigada Raquel pela partilha.)

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sábado, 19 de junho de 2010

 

A TRAMA despede-se hoje do Rato :'(





Desejo O MELHOR à Catarina e ao Ricardo. São admiráveis. Que a TRAMA possa continuar noutro lugar. Os (nossos) lugares são as (nossas) pessoas. Onde eles (e todos os que se apaixonaram pela TRAMA e com essa criaram laços) estiverem estará A TAL NOSSA LIVRARIA.

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

 

PROGRAMA DAS FESTAS - POESIA EM VINYL

Vai de maneiras que teremos:

Os nossos magníficos anfitriões: Raquel Marinho e Luís Filipe Cristóvão.

Uma belíssima poeta (Ouvi dizer. Nunca li.): Catarina Nunes de Almeida.

A querida* Margarida Cardeal de voz suave, todavia, penetrante.

Os fantásticos Dead Combo.

O apoio da RADAR.

Um ambiente bem acolhedor.

Boa comida e bom vinho.

Tenho muita, muita pena, mas pela primeira vez desde que tudo isto começou não irei estar.

Ide. Ide e depois contai-me por obséquio.

*Brinquei com ela quando era pequenita. Os nossos pais eram amigos. Guardo boas recordações do tal Bairro Augusto de Castro aka Av. Assis Chateaubriand...

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

 

É HOJE:

Cliquem na imagem para saber onde a encontrei.

POESIA EM VINYL com (aaaaaaaaaaaaa as vozes celestiais do costume) JOSÉ LUÍS PEIXOTO.

Será espicaçado a dizer-nos mais, por Raquel Marinho e Luís Filipe Cristóvão. Maria João Luís recitará a sua poesia (a dele) e no fim levamos com a música de Filipe Melo e o seu trio de Jazz (que até andamos de lado.)

(Quem é que já tem mesinha reservada há um mês? Quem é? Quem é? Ah pois.)

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

 

INSPIRADOR*

*Foi-me dado a conhecer pela minha cunhadinha linda. Vejam. Vale a pena.

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sábado, 20 de março de 2010

 

HOJE É DIA DE LIMPAR PORTUGAL.

(não deveria ser sempre?)

Post scriptum:

Ó meus 'gandas' porcalhões, vocês acham que o lixo se evapora? Até uma algália senhores, uma algália pendurada numa árvore... (Grande Gui. És o meu herói.) Vá, não digo que limpem.

Não digo, até, que parem de nos chamar pacóvios, por fazermos o que podia ter sido evitável por Vossas Excelências, não fossem os 'gandas' porcalhões que são.

Agora, por favor, parem de fazer piqueniques se isso para vocês é sinónimo de toda a imundície a que assisti. Na vez seguinte o que fazem? Rebolam no lixo ou mudam de pouso?

Como é que é possível?

É que os porcos, meus amigos, são bichos inteligentes...

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quarta-feira, 10 de março de 2010

 

Obrigada huGuinho.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

 

Ouçam isto:

AQUI.

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

 

São estas pessoas que me fazem ter fé:

32 anos: dedica a sua vida a ajudar os outros. Inspiradora. Quem dera 1/3 da grandeza dela. Chama-se Maria do Céu da Conceição e é hospedeira de bordo.

"Não tenho tempo."

Não temos tempo porque não queremos ponto.

Conheçam o trabalho dela:

http://www.catalystorg.blogspot.com/

http://thedhakaproject.org/

Ao pé disto nada me aflige a não ser o meu egoísmo.

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

 

POESIA EM VINYL

Ai que foi tão lindo por deus!

valter hugo mãe (man! És um curtido man! O que me ri contigo man!)

(oube lá, a tua boz fez-me lembrar a do Anthony. Dos Anthony and the Johnsons. Que é que pensas disto?)

(Valter queres saber uma gira? Já passei férias numa casa de pescadores em Caxinas. Lembras-te mana? Era aquela que em vez de sanita tinha dois sítios para os pés e um buraco ao meio. Cool...)

Raquel Marinho e Luís Filipe Cristóvão sois grandes por terdes semelhante trabalho, apenas porque sim. Porque é bom e quê. Parabéns!

Ó Sô Fernando Alves que belíssima voz com que deus o presenteou hein?

JP Simões filho, não me impressionaste por aí além, com a atitudezeca "I don't give a shit. I'm above all of this." Tens uma bela voz, é um facto, mas o charme de rapaz de intervenção, rebelde, ou lá o que era, que ao início ainda apresentavas, rapidamente deu lugar ao desinteresse. Perdoa se estou a ser injusta. Foi o que de ti chegou até mim. Mais oportunidades teremos de nos entendermos...

Quem é que está lá batidinha p'ro mês que vem perguntam vocês seus grandes cuscos?!

- EUZINHA. Pois.

Vejam que enlevo:

Poeta: Pedro Mexia

Declamador: RAP (aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Eu não sou histérica! aaaaaaaaaaa)

Músico: Samuel Úria.

Jantar: Sugiro o menu de degustação. Também tem "hambergas" e tapas e tostas e sopinha.

E ainda... Um grupinho todo catita que se me dão licença já apelidei de "grupinho todo catita que vai ouvir poesia, não sem antes provar o menu maravilhoso de degustação que os senhores têm lá para a gente, no vinyl."

O que é o Vinyl?

É o restaurante da Orquestra Metropolitana de Lisboa.

18 de Fevereiro de 2010 lá estaremos. PAM.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

 

Ah grande Inês. OBRIGADA

Em directo.

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terça-feira, 25 de agosto de 2009

 

Instituto Português de Oncologia (IPO)

Ninguém quer ter de proferir esta frase: “Vou ao IPO”.

Ninguém quer ser paciente desse sítio (que imaginamos arrepiante), nem tão pouco visitante.

“Vou ao IPO” é uma frase aterradora.

Tudo isto é verdadeiro. Mas tenho que falar do IPO por bons motivos. No IPO estão dos melhores profissionais da área da saúde com quem já me cruzei.

Não me pronunciarei sobre os médicos, com quem não interagi. (Excepção feita a uma Doutora nas urgências que devia estar numa noite má. Dou-lhe o benefício da dúvida.)

Quero falar sobre os enfermeiros e os auxiliares da unidade de pneumologia do IPO.

São pessoas excepcionais. Profissionais extremosos que não desistem jamais dos doentes (mesmo daqueles cujo destino foi malogradamente traçado) e que os tratam como se os seus casos fossem únicos, sabendo os seus nomes, os seus gostos, conhecendo-lhes a maneira de ser.

São pessoas que perante o paciente inanimado lhe prestam os cuidados com o mesmo desvelo com que tratariam uma pessoa na posse de todas as suas faculdades.

São profissionais que param para dar uma festa, para apaziguar o doente ou o familiar, que nos olham nos olhos enquanto nos esclarecem dúvidas.

São pessoas que não se esquecem que estão diante de pessoas (não de números) em estados de grande sofrimento, quer físico, quer psíquico.

Sei lá se são só pessoas. Para mim são heróis, anjos da guarda dos doentes e dos familiares que com a sua ajuda não sentem tanto frio nessa jornada cruel, não raras vezes ao encontro da morte.

OBRIGADA a todas essas pessoas que não se deixaram desumanizar pela infinidade de casos com que têm de lidar diariamente.

Espero sinceramente não me voltar a cruzar com vocês, compreenderão porquê.

Mas espero de igual forma e ardentemente que continuem onde estão a amparar quem precisa.

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

 

O RISO DE DEUS

Desta vez deixo que seja o livro a falar por si. Porque sim, a(lguma)s frases que sublinhei.

Os mortais não perdoam aos heróis o mais pequeno sintoma de humanidade.

(...) alguma coisa começa na nossa vida quando tomamos consciência de que, possivelmente, no fundo, somos únicos e sós e que isso é necessário para que a aventura com os outros não fique condenada ao fracasso.

(...) É aí que eu vejo o amor:
uma vibração que não vem da inteligência e nem sequer dos sentimentos mas da natureza mais íntima e mais profunda do meu próprio ser.

Muito melhor do que uma concepção épica da vida é sermos capazes de nos reconhecer num destino pícaro.

Não nos libertamos daqueles que morreram e ainda bem porque até a sua lembrança nos protege.

Vocês estão a andar todos tão depressa que as vossas almas ficaram perdidas e acho que já não vos vão encontrar.

(...) Quero ver se tenho tempo para ser eu próprio.

(...) Vamos ficar por aqui, a fazer aquilo que podemos e sabemos, certos de que fazemos muito pouco em relação aos sonhos que moram no nosso destino (...)

(...) não quereria que por minha culpa fosse introduzida no mundo nenhuma injustiça.

(...) possivelmente só o sentimento é natureza e tudo o mais é cultura.

(...) há outros (dias) em que caio numa enorme tristeza, e nem em mim, nem nos outros, encontro a paz que desejo.

(...) Ela acha que eu sou um conhecedor profundo e que tudo isto me sai a poder de estudo e reflexão. Eu estou é a dizer lugares-comuns, lugares-comuns qualificados, eu sei, mas a verdade é que não acabei de ler "O homem sem qualidades" - mas continuei a rábula, a fazer considerações sobre a Cancânia, conforme tinha lido numa revista francesa. (Quantos não o farão? Obrigada António, por isto em particular.)

A verdadeira história não é a história do poder e muito menos a história das ideias:é a história dos mecanismos de manipulação dos sentimentos que estão mais activos numa determinada época, de modo a integrarem-se e influenciarem o "espírito do tempo".

A gente demora muito a admitir que o destino do homem está fora das ideologias e que as coisas importantes acabam por ser vividas connosco ou, quando muito, na pequena roda dos nossos afectos.

Eu sei que há os amigos com quem a vida se vai urdindo mas também há aqueles que, às primeiras falas, se vê logo que afinal os conhecíamos desde o princípio do mundo.

As pessoas demoram muito a usar a sua vontade.

Há uma imensa força de tudo o que nos rodeia que nos proíbe a liberdade.

Talvez seja possível fazer um treino da alma que nos deixe aceitar com naturalidade os nossos limites.

Creio que o melhor da vida está nos ritos de fragilidade, mas esses cavaleiros do bem precisam todos de ser muito fortes e muito duros porque trazem sobre os ombros a tarefa gloriosa de escrever para a história universal e não sabem que aquilo que nos redime e salva é a história pequenina do que escrevemos uns com os outros.

(...) é sempre maior a aventura da confiança do que o fracasso de ter confiado em vão ou, por outras palavras, quando já somos fortes, podemos darmo-nos ao luxo de ser fracos.

(...) o mais importante é cultivarmos a nossa singularidade.

(...) explorar até ao fim aquilo que somos.

(...) é a tal arte de realizar a nossa singularidade sem nos deixarmos destruir pelos outros.

(...) A gente sofre muito mais por causa das coisas herdadas do que por causa das coisas escolhidas.

Nós confundimos solidão com carência e dependência
.

São fases em que uma certa incomodidade se instala porque não sei bem por onde pegar a vida.

Posso (ainda) não saber por onde pegar a vida, mas estou mais optimista depois de te ler. Obrigada António por este livro. Um manual de (sobrevi/convi)vência que muito me agrada pela sua essência. Saudades. (Ficam cá as tuas palavras)

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

 

José Cardoso Pires

Não tenho maravilhas a dizer sobre o serviço da ZON a não ser esta: ZONbox. Esta maravilha que tenho instalada em casa, permite-me gravar os programas que quero ver TODOS, o que nem sempre posso fazer em tempo real. Ora no outro dia ouvi encantada no Bairro Alto, o José Maria Vieira Mendes de quem já vos falei.

Entretanto visionei outro programa (gravado graças à maravilhazinha atrás referida) acerca do qual tenho a dizer-vos o seguinte: SUBLIME.

Passo então a revelar... O dito programa intitula-se Grandes Livros e o episódio ao qual assisti, irremediavelmente refém do que lá vi e ouvi, dizia respeito ao livro de José Cardoso Pires, O Delfim.

A certa altura uma amiga dizia dele (JCP): "Era um homem que não alterava o tom de voz perante quem quer que fosse."

E eu penso: é preciso ser-se grandioso, dotado de grande dignidade e verticalidade para se ser capaz de resistir à tentação do amaciar de voz, quando perante um qualquer vulto/poder.

É esse tipo de pessoas que admiro. Pessoas que não se vergam às conveniências e que são sempre a mesma pessoa, quer quando perante o chefe, o empregado, o transeunte, a vendedeira, o papa, o ministro, o presidente e a porteira. Sempre o mesmo JCP com a sua voz prestando a qualquer outro, o respeito que lhe é devido, independentemente das circunstâncias.

Ah Homem com H. Vou ler o teu Delfim. (Desculpa o atraso.) Fazes falta neste mundo de interesseiros.

(Acho que estou um bocadinho melhor da verborreia. Cá me aliviei. Desculpem, mais uma vez.)

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terça-feira, 7 de abril de 2009

 

Gran Torino (se ainda não viram não me leiam sff)

A comovente história de um homem que rosna. Um homem zangado com todos, e principalmente consigo. Rosna. Expulsa de si qualquer manifestação de brandura pelo rosnado. Repele quem quer que seja que queira ocupar-lhe um lugar no peito. A única a quem talvez o permitisse, acaba de morrer. Não há espaço nele para a ternura ou para a partilha. Vive sem deixar que se aproximem do “seu relvado”, mesmo aos que são seus: “fora daqui!”. Desprezo, repulsa, barreiras erguidas alto demais. Vive assim, alheio aos outros que despreza, até ao dia em que a vida lhe troca as voltas e lhe coloca ao caminho 2 miúdos, que não desistem de o conquistar. Dois miúdos obstinados que lhe martelam a couraça, de fininho, até que consigam chegar ao que sabem existir nele. Dois miúdos que o conquistam porque apesar de tão diferentes de si, (O homem é quase xenófobo. Para mim não o chega a ser, embora pareça sê-lo, durante grande parte do filme.) ele reconhece-lhes fibra, personalidade, vontade de lutar contra o que parece ser invencível, irremediável. De ar frágil, ambos se vão impondo, num meio que não se compadece dos que pretendem manter-se puros. É comovente ver o progresso deles. Como de mansinho, vão além do rosnado e do cuspo, que Walt lança de forma desafiadora, gritando o seu desprezo a todos e por todos. É apaixonante a forma como eles acabam por conseguir vislumbrar a bondade e a solidariedade que nele habitam, ainda que mais ninguém o veja e apesar de tudo o que já (teve de) fez(fazer). Tudo o que lhe dói na consciência, em cada dia que não lhe é concedido o esquecimento. Esquecer o passado, não é possível. Remediar o que cresceu torto, revela-se-lhe impossível e insuportável. O abismo é já grande demais. Com estes dois é tudo novo. É possível, ainda. E ele deixa-se levar. (Ao ponto de emprestar a preciosidade - "gran torino" - que mantinha impecável e intocável.)

(Nunca é tarde. Lugar-comum irrefutável.)

De louvar também o padre, persistente homem de palavra.

No fim, qual Cristo na cruz, Walt dando a (curta) vida (que lhe resta), de forma inteligente, para salvar os dois (grandes) amigos.

Saio com o desconsolo agarrado a mim, para não variar, quando me esfregam a realidade nas fuças. Um desconsolo maior do que eu e uma vontade imensa de adormecer e não mais acordar, neste mundo que (des)construímos diariamente. Anda tudo à volta do dinheiro, ou do poder. Quem se atravesse, paga com a própria vida, ou com a agressão dos que lhe são queridos(Dor atroz. Impotência. Desolação.)

Quando é que acordamos?

(Rosno e cuspo também)

Quantos sacrifícios mais, para que as pessoas entendam que a violência, o ódio e o ressentimento, não são o melhor caminho? O poder e o dinheiro pouco nos enriquecem (Pelo menos no conceito de riqueza que verdadeiramente importa. Aquele que nada tem a ver com bens materiais.)

(Rosno e cuspo de novo.)

Espero acordar em cada dia limpa de ressentimentos.

Cansa tanta estupidez d(n)o Homem.

(sometimes, too many times...) “I rather be with an animal”

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