Estou pela primeira vez nestas andanças dos "blogues"... Resolvi fazer um em homenagem ao meu companheiro de 9 anos, o meu filhote, de quem tenho muitas saudades! Entretanto aproveito e vou pondo cá ideias que me passem pela cabeça! (16Set.2005)
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domingo, 24 de junho de 2012
Já há livro caraças! Weeeeeeeeeeeeeeeeeeee.
Todos os dias ando com o livro, do momento, para ler. Desde que aderi ao movimento marmita a companhia, à hora do almoço, da minha querida Ivaninha, é tão boa, que não é incomum passear o livro de casa para o trabalho e do trabalho para casa, sem lhe tocar. Ora certo dia enchi-me de coragem e resolvi deixá-lo no conforto do lar.
«Nunca o abres Deia. As cruzes já não são o que eram e andas carregadita sem necessidade.»
Pois que nesse dia Deia não levou livro e Ivaninha, não obstante ter levado marmita, teve convite irrecusável para fora com outra amizade, de modo que não a acompanhou à sala do microondas, para efectivar o aquecimento do conteúdo da dita.
«Ah. E agora, por deus, como ocupar os 30 minutos, ou assim, que o tupperware me deixa livres? »
Vá de ir ao quiosque da Dona Rosário,
que nunca mais lá esteve, o que me preocupa, mas não quero estar sempre a perguntar aos senhores que a substituíram na venda para a) não ser chata b) não correr o risco de lhe ter acontecido alguma coisa e estar a ser involuntariamente cruel com a insistência na pergunta. (Cada vez que lá vou digo boa tarde, bom dia, levo isto ou aquilo, muito obrigada e depois com os olhos pergunto por ela, mas eles nunca me responderam, ou não lhes sei ler o olhar.)
adquirir qualquer coisa. Já tinha a LER.
«Olha é um Jornal de Letras, fazendo o favor. »
Bom... Lá ia folheando a coisa (não sou fã, fã, mas pronto) eis que: PAM. Conte connosco e tal.
Resolvi participar.
(Participar é, igualmente, o meu nome do meio.)
Cria que os trabalhos não eram todos lidos. Enganei-me. Há, pelo menos, UM elemento de júri deste tipo de concursos que os lê deveras.
O José Luís Peixoto leu centenas de trabalhos para chegar à selecção final.
OBRIGADA.
Essa foi a alegria maior, constatar que trabalhar compensa.
Esfolar os joelhos da alma não é em vão. Levantar e cair, escrever, apagar, ouvir "és uma merda" inúmeras vezes, não esmorecer porque se faz o que se é e não o que os outros esperam.
Este é o meu caminho e ainda que não tivesse sido seleccionada nele permaneceria, mas que me soube bem esta luzinha no céu, isso soube. A alegria imensa que senti, naquele momento em que pensei "há justiça" ninguém ma tira.
E continuo na minha qual Margarida Rebelo Pinto: Não há coincidências, foda-se!
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terça-feira, 13 de março de 2012
Correntes d’Escritas 2012 – EU FUI! – Sétima e última parte
Escrevo-vos este último relato, sob o efeito de alegria intransmissível. A histeria tomou conta de mim. Já pulei. Já gritei. (Desculpa Ti. A mãe é chalita, tu sabes.) Já chorei. Já tremi. Ainda não aqueci os pés. (Quando o arrebatamento é imenso, enregelo. Não sei explicar.) E portanto, toda a emoção que as Correntes D’Escritas me entranharam se encontram, de momento, camufladas por este instante. De todo o modo, como sou por demais obstinada e já tinha decidido que hoje era isto, aqui vai. Perdoem qualquer coisinha.
7ª MESA: “As ideias são fundos que nunca darão juros nas mãos do talento”. Diz que alguém meteu água e a citação estava marada. A verdadeira, do Rivarol, era: “As ideias são um capital que só dá juros nas mãos do talento.” Ora, falou-se em capital, em juros e fundos e a malta deu o “tilt” e pôs-se a falar de economia, da crise, da bolsa de valores e de dinheiro. O auditório estava sobrelotado, como para nenhuma outra mesa o vi. Comovente mas aborrecido, dado que pela primeira vez tive um lugarzito, por sorte, apenas no andar de cima. Muito e muito longe da acção principal. As notas, foram as possíveis. Tinha sono e confesso que já estava de cabeça no regresso. Cinco horas a conduzir de noite adivinhavam-se desastrosas, para a pitosga mor. Desconheço se o que me chamou a atenção nas intervenções, foi dito pelos autores adiante enunciados, uma vez que não apontei com rigor. Parece-me que foi assim… De Eugénio Lisboa anotei a curiosidade de se tratar de Engenheiro Electrotécnico. O que é que isso (me) interessa? Ora. Então não se está mesmo a ver? Com Paradise Lost, John Milton ganhou a módica quantia de 10 Libras. Como se a agrura não bastasse, uma pesquisa ao Google devolve nos dois lugares cimeiros a banda inglesa de Doom metal, formada em 1988. Como se pode constatar, a “posteridade” é o que fazemos dela. Como a solidão, a felicidade e outros conceitos assim. De Helena Vasconcelos (Não posso jurar, atenção.) retive que Flaubert dizia (Se não dizia, era o que gostava que tivesse dito.) “Talento é paciência sem fim.” Do Gonçalo M. Tavares (Adoro este escritor, por deus. A D O R O.) rabisquei no caderninho às flores: “Uma boa ideia nunca deve dar conta certa. Deve deixar resto.” / “Ser humano sai caro.” / “Leibniz disse que duas coisas iguais não são duas” e Alberti que “Os quatro pontos cardeais são três o Norte e o Sul.” (Alguém o corrigiu na citação. Não registei a correcção. Googlem.) João de Melo (familiar de Dias de Melo?) fez uma intervenção maravilhosa que, tenho certo, não ficou aquém dos papéis que tinham o que queria dizer, os quais perdeu. Luís Sepulveda duvida da palavra talento. E Onésimo gracejou, entre muitas outras coisas, com o facto de Salazar ter “descoberto” o “Pelintrão” – Energia sem massa.
Fechou-se muito bem aquilo.
Homenagearam-se participantes das Correntes de outrora, entretanto desaparecidos. Entregaram-se prémios. Um puto que recebeu um deles, calou os presentes com um inflamado discurso: “Parece-me inadmissível que em tantas horas de aulas de português eu tenha escrito tão pouco. É preciso mudar alguma coisa no ensino. É preciso escrever mais nas aulas de língua Portuguesa.” Quem fala assim não é gago e ali está uma alminha que não precisa de desembolsar uma data de pilim, num curso de teatro, para desemburrar que, com apenas 18 aninhos, já é todo desenvencilhado. E depois aquilo continuou com a entrega de prémios LER/BOOKTAILORS e festa(s), contudo, às 20h basei na perspectiva de chegar perto das 00h a casa.
Tive medo. Muito medo. As luzinhas reflectoras da auto-estrada baralhavam-me os sentidos. Ficava na dúvida se aquilo curvava para a esquerda, ou para a direita e o pensamento «vou-me despistar, agora é que é», acorreu em diversas ocasiões. Especialmente as de nevoeiro. Usei abusivamente os máximos. Cheguei sã e salva e de alma cheia. Foi uma experiência arrebatadora e irrepetível.
Foi bom estar sozinha no meio de livros, autores e leitores. A sensação de decidir o que quero fazer e pô-lo em prática, indescritível e inspiradora. Começar o meu Pedro de raiz. Redigir-lhe as primeiras linhas que ditarão trilho, ainda mal iluminado. Respirar literatura, em exclusivo, por três dias? Regenerador. Dispor de todo o meu tempo, vital de ora em vez.
Regressar ao relógio de ponto? Foi doloroso. Andei bastante infeliz, nesse primeiro dia de semana pós aventura. Depois, a minha amiga Ivânia, como em outras ocasiões, falou-me, com a sua voz sábia e doce, sobre a vida real e sobre o inexorável facto de precisar de ganhar dinheiro para fazer as coisas de que gosto. Tem razão ela. A “brincadeira” rondou o valor que pago mensalmente pela minha casa. Jamais teria acesso a estes quatro dias de sonho(s) sem o meu trabalho. Obrigada Ivaninha. És pessoa de quem gosto muito. (Gosto de me rir com ela e de falar das coisas sisudas. É uma mulher de valor incalculável, que se leva pouco a sério como todas as grandes pessoas. Viva a minha companheira do quotidiano laboral! Viva!)
As Correntes D’Escritas 2012 não foram só mais uma edição de um programa a que (não sei se) poderei voltar em 2013. Foram o retomar do meu caminho para a autonomia interior. Recuso prisões de qualquer espécie, em especial as que se erigem no(s) pensamento(s).
Obrigada Manuela Ribeiro, obrigada Luís Diamantino por esta dádiva para a (minha) Vida.
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quinta-feira, 8 de março de 2012
Correntes d’Escritas 2012 – EU FUI! – Parte Sexta
Cheguei ao hotel depois da 5ª mesa, passava da meia noite. Espreitei o bar cheio de convivas, todavia, não me habitava convicto o efeito das duas aulas do curso de teatro, para me afoitar a uma aproximação.
- Boa noite. Importam-se que vos ouça?
Ficou por dizer. Não o lamento. Fazemos o que podemos. O que conseguimos. Fui dormir. Última noite passada comigo. Fez-me bem estar isolada. Pela última vez se iluminou o céu da Póvoa, na janela do 706. Tomei o derradeiro pequeno almoço “axisvermarense” rodeada de pessoas que são o que almejaram (?) um dia. Serão mais felizes, elas que podem perder-se nas horas, de caneta na mão, ou dedos no teclado? Encontraram já um sentido? Sentem-se plenas? Trocariam o que têm, por outra coisa qualquer? Anseiam o inalcançável? Desprezam o que lhes foi permitido, ou que a pulso conquistaram? Todas estas questões calei ao passar por eles, enquanto me sentava alheia numa mesa perto de uma janela que me deixasse vislumbrar o oceano. Comi os meus dois pãezinhos com manteiga, bebi o café quente adocicado, mirei-os o mais discreta que soube. Ruben. Faria. Maranhão. Tavares. Neto. Sepúlveda. Faltar-me-á deveras algo? Não creio. Porque não cessa esta luta (inglória) que travo internamente? Do que é que preciso? Se o alcançar, por que me digladiar a seguir? Às vezes desejamos mais do que precisamos. Às vezes quero o mundo, quando me chega bem a vila de onde vos escrevo. Tu que me lês? És dois? Três? Dez? És um e se um fores, já tudo certo. Tudo como deve ser. Que podes fazer Andreia? Dizia a 6ª Mesa – Da crise da escrita não se pode fugir.
O moderador era o Onésimo Teotónio de Almeida contador nato de histórias e anedotas, de quem adoro LER as crónicas, na publicação que tem o nome do verbo. Quando li o tema pensei no que passo diariamente. Desde que acordo, até que adormeço, há palavras a falar-me. Vontades. Algumas anoto no caderninho verde. Outras creio ingénua guardar na memória, adiando o papel. Para mim a crise é a incompletude dos dias. Deixo para o fim desses a concretização das ideias e são em maioria aqueles em que me vou deitar derrotada. A vida é feita de escolhas. Adio(-me). Tenho sono. Dói-me o corpo. Desisto. Fácil dizerem-me “Fulano de tal fez assim. Fulano de tal fez assado. Fulano de tal fez cozido. Esses sim merecem ser bem sucedidos.” Está bem sou uma merda. Sou preguiçosa. Preciso de dormir sete horas. Assumo. Deixem que me queixe de ora em vez. Pode ser? Para os intervenientes a “crise” passou por outros domínios:
A crise da folha em branco. – Que não existe para quem trabalha. Falou-se da velha questão inspiração versus transpiração. Do Picasso que dizia que quando a inspiração chegava o encontrava a trabalhar. De crises de fígado, que são as únicas que o Sandro William Junqueira diz conhecer.
(Este moço a recitar poesia é um furacão. Editou recentemente “Um piano para cavalos altos” que me suscitou algum interesse graças a José Mário Silva e ao seu rasgado elogio à obra.)
Da crise dos pensadores que são exilados, ou se exilam, para não serem asfixiados pelos poderes vigentes. Magnífica exposição de Miguel Real. Alguém que pretendo acompanhar, de perto. Um bom homem. Parece-me. Dos que se preocupa com o estado das coisas e da Humanidade e faz o que lhe está ao alcance para mudá-los. Um daqueles que (Olha a citação!) como dizia Ghandi é a mudança que quer ver no mundo. «Nova Teoria do Mal» eis o título do senhor a adquirir.
Destaco Salgado Maranhão. Um doce. (Chocolate que adoro.) Um sorriso terno, olhar atento, a mão a estender-se espontânea, amiga. Parecia saber ao que (eu) ia. Encarava-me curioso, quase tom de incentivo.
Então? Estiveste ali? Ouviste? Estás bem?
Falou em ousadia, bom-senso, coragem para errar e, lá está, espontaneidade.
Valeria Luiselli não deixou aqui, antever, o quanto me viria a ser importante.
Estive sentada ao lado do João Rafael Dionísio. Única cara conhecida com que me cruzei durante os quatro dias. Conheço-o de lhe dizer “Olá” nas Aulas da Primavera na FCSH. Apanhei-o e teca teca teca teca toca a falar. Falar. Falar. Coitado. Desculpa Rafael. Eram muitos dias de silêncio e sou uma tagarela. Nem te deixei contar de ti. Descobri-te na net hoje. Ando a decorar um poema do O’Neill para representar às minhas companheiras da Casa Verdes Anos e apareces-me com o teu ar divertido e leve a dizê-lo. Também te vi a destruíres livros (teus) com uma motosserra. A piada é boa - “livros de bolso” - mas não haveria dor naquele acto? Espero estar enganada. És uma boa companhia. Foste generoso ao ouvir-me. À data não to disse, digo-te agora que é tarde: Obrigada.
12h30 mais coisa menos coisa, dirijo-me à casa da Juventude com o “Humilhação e Glória” fisgado. Tinha lido uma recensão ao livro, no Público, era-me imperioso ouvir falar mais sobre ele. Se pela boca da própria autora, tanto melhor. Um livro que me irá apaixonar, estou certa.
E depois Valeria. Fiquei a ouvi-la por acaso. Uma presença subtil mas assertiva. Começou a contar como viveu, dois anos atrás, a maternidade. Sentia-se animal na ordenha. Temeu pelo fim da sua vida intelectual. Arranjou uma estratégia. Integrou aquela nova parte da sua vida no romance que agora apresentava. «Rostos na multidão.» Ela dizia o que já sei. Ouvi-la foi, no entanto, um sussurro de deus. «É, ou não é, possível?» «Que é isso de teres de esperar a maioridade das crias?» «Que é isso de te adiares para a reforma, quando relógio de ponto algum te agrilhoar?» «Que porra de desculpas são essas? Que medo é esse do que fazes ser ridículo, ser em vão?» Comprei o livro para ela mo assinar, pretexto tão-só para lhe dizer: “Obrigada pelo teu testemunho. É possível. É POSSÍVEL! Assim o queira com força, ânimo e trabalho.” Ela olhava para a mulher lavada em lágrimas que tinha defronte, tremente, balbuciante, a falar-lhe num português atabalhoado impossível de compreender pelo seu espírito mexicano e escrevia o autógrafo, desconhecedora da importância daquele encontro, para aquela mãe, filha, dona de casa, funcionária pública, mulher, amiga, amante, prima, tia e escreleitora, tão desequilibrada.
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Correntes d’Escritas 2012 – EU FUI! – Parte primeira
Para terem um ínfima parte de ideia do que as Correntes d’Escritas foram para mim, imaginem(-me) uma (ainda) criança a cair numa cena do Dartacão perto do mesmo, enquanto este fala para a Julieta, ou se encontra a combater as forças do pérfido Cardeal, ou mesmo a acordar no quarto a meio da parede da casa do David o Gnomo. Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee! Weeeeeeeeeeeeeeeeeee! enquanto dizia bom dia ao Sepúlveda e ao Fonseca, na sala do pequeno almoço. - Eis um dos esqueletos que guardo no armário que escancaro para vós: Nunca li Ruben Fonseca. (Enquanto me encolho de mãos na cabeça e ombros nas orelhas à espera dos calduços.) - Yuuuuuuuuuhuuuuuuuuuu! enquanto trocava umas palavras de circunstância (a la desbloqueador de conversa iniciado pelo próprio) com o Onésimo no elevador. Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee quando via a Pedrosa passar, toda despachada. Yaaaay ao lado do Zink a assistir à performance teatral do Varazim teatro. Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee a ouvir poesia. Weeeeeeeeeeeeeeeeeeee! a sorver as palavras dos mais velhos. Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeee a sorver as palavras dos mais novos. Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee os auditórios cheios. Enfim. Isto é tão-só o intróito. Por fora, o meu ar seráfico de Nossa Senhora de Qualquer Coisa, que praticamente não falou durante 4 dias, por dentro (Olha a metáfora fraquinha… É fruta óóóóooooou chiquelate…) uma montanha russa de histerismo, admiração, ganas de apanhar toda e qualquer dica que considerasse importante, vontade de ter quatro olhos, quatro ouvidos, dois corações e duas almas capazes de aplacar tamanha comoção. Já temem pelo vosso tempo pois é? Com razão. Inspira… Aqui vou eu.
Tudo começou pelo princípio, ou um pouco antes, a 22 de Fevereiro pelas 12h45mn. Prometedor. Hein? Arranquei e fui, decerto, a lisboeta a demorar mais tempo até à Póvoa de Varzim. Dois factores contribuíram para a bela média 4h30 a atirar para as 5h de viagem. (Parecia que o encontro era nos Pirinéus) 1) Ando a uma média de 110km/h e esqueço-me amiúde de pôr a quinta. 2) nada me ocorre. Cheguei ao Axis Vermar, instalei-me no 7.º piso, quarto 706 e fui dormir a sesta. (Estou a cativar-vos com estes pormenores né? Eu sinto.)
Jantares: Sempre no Manjar dos leitões, desde que o recepcionista que parecia saído do Senhor dos anéis mo recomendou.
Almoços: Descobri o Náutico com vista para o mar bravio e por lá me quedei esperando pelas sessões da(s) tarde(s).
Ultrapassada a problemática das refeições, cuja vossa garantida curiosidade interferia na fluidez do presente texto, prossigo.
O primeiro momento a marcar-me, pás, palmada nas costas para acordar, foi a Margarida Vale de Gato a ler um poema do Rui Costa. Estava a adormecer nos PUFES (como é que se escreve PUF pá?) a cabeça pesada, os olhos guilhotinas, quando aquela mulher que parece pedir desculpa por existir, com a sua voz doce e trémula me arranca à letargia. No seu vestido vermelho, cumplicidade com o poeta desaparecido, agarra-me pelos ombros, sacode-me e fala-me da dor, da saudade, fazendo-me adivinhar um sentimento grandioso e puro, além morte. (Errata: isto passou-se na noite de 23 e não na de 22. A memória é mesmo um bicho traiçoeiro. Em todo o caso deixo isto aqui, pode ser? Obrigada.)
Durmo. As cortinas abertas. A luz da cidade em vigília. De manhã quase o sol.
Foi isto e não foi. Foi muito mais que "isto" de uma setlist. São como família para mim. Fazem parte do que sou. Da construção em que consisto. Enquanto respirar existirão em mim. Cada célula uma nota de uma música. Uma vocalização. Uma guitarrada. Um sorriso. É mais ou menos isto. Enquanto esta BSO tocar em mim. I'm (still) ALIVE.
O álbum que os vai trazer de novo a Portugal. (Também cá canta em vinyl. Já disse que adoro discos de vinyl? Pois. Adoro.) Weeeeeeeeeeeeee. Se isto não é uma relação sólida e um grande amor então não sei o que é isso.
PEARL JAM - Maio 2006 - Inside job (É uma paixão de álbum pá.)
Esta música foi escrita pelo MCcReady. Tem uma letra da qual faço oração. Sempre que me tentam foder a vida (Perdoem a vulgaridade. Mas é que há gente que se dedica mesmo, profissionalmente, à cena de foder a vida aos outros. E pronto, estava tudo a correr tão bem e ela diz foder duas vezes num post. Três.) canto-a alto. Muito alto. Até que qualquer vontade de perder tempo com os mesquinhos desta vida me tenha abandonado.
I will not lose my faith It's an inside job today How I choose to feel,... Is how I am.
A 5 de Setembro de 2006 o Mike respondeu-me ao adeus, com outro e um sorriso. Porreiro pá. Estava esta histérica na primeira fila. Foi uma emoção do caraças é o que vos digo. A 04 de Setembro de 2006 (dia anterior, sim, que nesse ano já podia pagar dois bilhetes.) quase chorei de emoção (chorei mesmo caraças que adianta mentir-vos se sabem bem o que a casa gasta) aos primeiros acordes de wasted reprise. Eu que sempre gozei com as fãs dos Beattles pelas figuras que se vêem nos documentários e nos telediscos. Eu no 1º balcão a olhar para o companheiro doida de alegria.
Foi este álbum que os trouxe pela primeira vez a Portugal no grandioso ano de 1996. Um ano inesquecível, para mim, a vários níveis. Deram dois concertos no dramático de Cascais. Era estudante. Não podia dar azo aos devaneios como queria. (Como hoje.) Só estive presente em uma das datas (24 de Novembro. Optei pela primeira porque não há como a primeira. - Quer-se dizer. Às vezes...)
Vitalogy (adquiri-o em CD e vinyl) - Lançaram-no em Dezembro de 1994 - CORDUROY
I don't want to take what you can give... I would rather starve than eat your bread... I would rather run but I can't walk... Guess I'll lie alone just like before...
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
Deia a sombra de São Domingos de Rana
ATENÇÃO: Hoje (26) última representação. Em podendo ir, não percam. Apaixonante e envolvente. Quer pela magistral representação de Dinarte Branco, quer pelo belíssimo texto de NCS (Boa Stôr! Amei de paixão. Garanto que não estou a ser facciosa.). É lamentável que uma coisa tão boa só esteja acessível por 4 dias (1 nos Açores e 3 em Lisboa). Ministério da Cultura por onde andas?
O que é que me leva ao teatro? O texto, por exemplo. Ou o dramaturgo falecido e por demais conceituado que dizem que era do melhor a escrever peças. O(s) actor(es). Aquele que já admiro de outras andanças e adapta um texto (encenando-o também eventualmente) de outrem, lá está, aclamado (falecido* ou não). O tema. A sugestão de um amigo/a/prima/desconhecido que passa na rua e me oferece um manjerico (em vez de flores ao que eu lhe respondo: "Então mas isto não é Impulse pá.") O teatro em si, do qual recebo as newsletters e me diz "olha que temos esta em cena muito boa e que é melhor para ti que não percas." Enfim tudo isto me leva ao teatro.
O que é que me vai levar ao dito cujo este fim de semana perguntam vocês em ânsias de curiosidade.
A minha taradice de fãnzia obstinada (e sem qualquer pejo assumida) no acompanhamento das carreiras dos meus queridos stôrzinhos. Desta feita é Nuno Costa Santos o (verdadeiro) artista (Ó Boininhas gravo-te na ZON BOX tu não te apoquentes que eu gosto tanto do papá como da mamã e jamais seria capaz de optar entre os dois.) quem me leva à cadeira do São Luiz.
Ide vocês também que é coisa para durar só três dias, a partir já do dia presente e confiem na sugestão que o artista é um bom autor. Digo-vos eu. Um daqueles a quem se tira o chapéu. Caladinho é certo, todavia, talentoso.
E vai de maneiras que parece que é sobre aquele grande maluco que foi o Jacques Brel quando apanhou uma carraspana no Faial.
PAM.
*Não me interpretem mal não considero que o falecer seja mais valia para o autor.
Andreia Azevedo Moreira (Lisboa, 1978) licenciou-se em Engenharia Florestal e não exerce. Não estudou letras mas dedica-se-lhes com paixão. Escreveu os argumentos e os guiões das curtas-metragens «Espelho meu» (2018) e «A Escritora» (2019) em parceria com Hugo Pinto, o realizador e o argumento/guião da curta-metragem «À vida» (48HFP Lisboa) realizado por André Costa. Colabora com o projecto online fotografarpalavras idealizado por Paulo Kellerman. No papel: «Os cães ladram» (Colectânea «O país invisível», C.E. Mário Cláudio, 2016); «Pode um corpo morto» (Colecção Crateras, Nova Mymosa, 2019); «Mar Fechado» (Grotta n.º4, 2019/2020); «As paredes em volta» (Colecção Crateras, Nova Mymosa, 2020); «A vinte e quatro minutos da eternidade» (Ed. Minimalista, Antologia de contos, 2020); «Abel» (Ed. Minimalista, Contos Minimalistas, 2021), Augustine e os maus sentimentos (Nova Mymosa, 2021), Depois do abismo o canto dos pássaros (Nova Mymosa, 2022), Em português escrevo com A (Edição em papel de 06-04-2023, Jornal de Leiria), Pesar o adeus (Nova Mymosa, 2024). Liberdade e gratidão são verbos. Pearl Jam, banda sonora.