quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Já fui (quase) heavy (aí uma semana. Máximo 2)
Não desisti porém de me vestir mal. Passei ao movimento então emergente: o GRUNGE. A farda consistia em 4 (máximo 5) camisas aos quadrados, t-shirts castanhas/brancas/pretas/cinzentas/antracite que colocava por cima de camisolas de manga comprida (isso ainda hoje se usa e devo confessar que GOSTO e também não estou a gozar) e calças de ganga. Cheguei a ir à feira da ladra comprar camisas da tropa e mochilas a condizer tudo "verde-seco" a minha cor favorita (caqui em linguagem moderna/la redoute). Ora este parágrafo mais não serve do que para passar ao tópico seguinte:
A minha band list de 1995/1996:
Pearl Jam 4 ever :)
E esta bandlist veio a propósito de ontem ter estado no youtube numa nostalgia desgraçada a ouvir puro GRUNGE.
Há uma grungy chick dentro de mim que jamais morrerá.
Deia in grunge mode.
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quarta-feira, 16 de julho de 2008
Etiquetas: RECORDAÇÕES
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
INSTINTO
Este é sem sombra de dúvida um dos filmes da minha vida. Afectou-me de uma maneira profunda e brutal. Saí do cinema como que em choque. A chorar convulsivamente. (A par deste filme isso só me aconteceu mais uma vez, recentemente, no "Diamante de Sangue") Fiquei de tal forma abalada que não me conseguia controlar. Apetecia-me chorar e chorar e chorar até que toda a angústia tivesse sido lavada. Na altura a Euridice, amiga da Cat (Que conhecemos por volta dos 15anos, quando certo Verão achámos que seria muito cool sermos voluntárias na Festa do Avante e andámos a pintar painéis...) disse-me: Bem vinda ao mundo das questões existenciais. Já não recordo o filme com todo o pormenor e hoje acordou em mim uma grande e irresistível vontade de o rever. Há no entanto cenas do filme que me marcaram e que para sempre em mim ficaram gravadas, fazendo dele um "meu" filme. A principal dessas cenas e que é onde, para mim, reside a essência de todo o filme é aquela em que contando o início da sua Aventura na selva, o antropologista Ethan Powell (interpretado com excelência pelo magnífico Anthony Hopkins) relembra quando durante a primeira grande chuvada se encontrava ao pé do grupo de gorilas do qual se tinha aproximado e ganho a confiança, tentando em vão proteger-se da chuva com uma grande folha. Olha em volta e vê quão ridículo é, agarrado aos seus "costumes" antigos. Ali estava ele, entre os gorilas, a querer compreendê-los e a tentar reproduzir um guarda-chuva. Olha em volta e todos quietos, serenos, deixando que a chuva os molhasse. É no momento em que ele deixa finalmente cair a folha e começa a sentir como eles, que o verdadeiro INSTINTO se revela. Brutal! Brutal também a forma como mostra a "humanidade" que pode existir nos animais e que teimamos em ignorar. Nessa altura recordo-me que o filme foi arrasado pela crítica. Chamem-me simplória, romântica, de visão utópica... É assim que gosto de ser. E gostei MUITO deste filme. À crítica deixá-los falar. Há espaço para todas as ideias e a minha enquanto espectadora é tão válida quanto a deles como profissionais.
TENHO DE REVER ESTE FILME BREVEMENTE. É URGENTE!
P.S. É por essas e por outras que eu sigo SEMPRE o meu instinto.
BOM FIM DE SEMANA A TODOS!
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segunda-feira, 29 de outubro de 2007
28 de Outubro 2002
http://br.youtube.com/watch?v=1NNLzheTxCA
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Alice in Chains
Etiquetas: Música, RECORDAÇÕES, Teorias de chacha ou não...
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Ontem, hoje, amanhã.
HOJE: Dia mundial do animal. Desde pequena, sensível mais aos animais do que às pessoas. Temos no mundo animal exemplos do melhor que poderia haver em nós, sem o dito cujo do raciocínio que dizem ser apenas característica nossa e que eu muitas vezes (a maioria das vezes...) questiono, tantas são as "borradas" que fazemos. Sim senhora temos raciocínio mas não estamos acima da natureza ou dos restantes seres (animais/vegetais). Somos um todo, precisamos de todos os "componentes" para que haja equilíbrio! Os animais TÊM sentimentos!! Os animais MERECEM RESPEITO, têm direito a ser tratados com DIGNIDADE, têm direito a viver no seu habitat natural. Se não os conseguem amar ao menos que os respeitem e não lhes façam mal. Falando de animais domésticos: NÃO OS ABANDONEM. Falando dos animais que nos servem de alimentação: TÊM DE SER TRATADOS COM RESPEITO. Alterar as condições em que são criados (Aviários sobrelotados, transporte de animais em condições aberrantes, tratando-os como se fossem sacos de batatas - ELES SENTEM DOR!!! etc. etc. etc.). Animais usados em testes... INOMINÁVEL (Eu procuro SEMPRE produtos que não sejam testados em animais. Será que consigo? Se se fazem testes em PESSOAS em países do 3º mundo. Como chegar ao respeito pelos animais se não se respeita sequer a própria espécie. Que mundo é este? Onde nos leva a evolução?!!). Ainda terá de haver um dia mundial do animal por muito tempo... Que cada vez mais pessoas os olhem com o respeito e o carinho que nos merecem (TODOS eles, não apenas o cãozinho e o gatinho, mais "tradicionais" e mais próximos).
AMANHÃ: PARABÉNS Buddy! Cá dentro fazes os 14! Tinha a convicção que quando tivesse trinta e tal (vieste para mim tinha eu quinze) e fosse já uma senhora, casada e com filhos que estarias perto de mim na "nova" casa. E que me acompanharias até eu ser "velhinha" (tipo com 35 anos - para uma miúda de quinze ter trinta e cinco é ser velha...) e que nessa altura já não me custaria tanto quando partisses. Não sabia mesmo NADA de nada. Hoje sou uma "velhinha" quase com trinta, sinto-me uma miúda, não tenho filhos nem me sinto preparada para os ter e a tua partida custa-me muito, custa-me horrores. O coração apertado. O nó na garganta, ainda hoje, volvidos cinco anos. Ainda hoje as lágrimas, ainda hoje sufoco quando caio em mim e é "nunca mais". Foram 9 anos de alegria, de companhia, de afecto. Foram 9 anos que muitas vezes não aproveitei como devia e que não tinha consciência que passariam a voar como aconteceu. 9 anos de um amor incondicional. Nunca me disseste uma palavra e eu sabia. E eu sentia. PARABÉNS BUDDY (piolho, foquinha, piturrinho) PARABÉNS! Festinhas na malhinha branca que trazias ao peito e atrás das orelhas vigorosamente. Saudades do teu cheiro, do teu ganir, do teu ladrar tosco, do teu focinho a dar-me marradinhas na mão, da tua alegria atrás das pedras dos teus ouvidos moucos quando havia cadelas com o cio, da tua paixão pela francisca, do teu ódio de estimação pelos cães do prédio ao lado, da tua orelha baixa qdo fazias asneiras, da tua cabeça à janela do carro, língua pra trás a engolir o vento, do arranhar na porta do quarto quando eu dormia demais, da alegria para ir à rua, do teu olhar meigo, saudades de ti, todo!
Deia.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Xiiiiii!! E esta??!!! (começa em 15seg)
Ai esta música..............
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
"E de maneiras que foi assim..." (CORAGEM!)
Dia 13/08, visita panorâmica pela cidade. Digno de nota: passámos na conhecida, graças ao filme, CIDADE DE DEUS. Estar ali! Mesmo ao lado. É real. Não era apenas um filme. Existe. Estive lá. Brutal. Seguiu-se o extremo oposto Barra Shopping (símbolo igual ao do Cascaisshopping), um centro comercial com tudo do bom e do melhor. Cheio de requinte. Por onde anda o dinheiro. Essa é talvez a característica principal desta cidade CONTRASTE. Muito. Aos molhos. CONTRASTE que nos entra pelos olhos e nos deixa incrédulos. Como é possível tanto CONTRASTE! Como é que eles não se revoltam!? Hábito? A nós que vimos de fora daquela realidade choca e muito. Uns a viver tão bem e outros tão mal.
Dia 14/08: Começamos o dia a visitar o bar do nosso primo BAR ARAÇATUBA em Coelho Neto. Um bar cheio de história e de histórias. Foi bom estar ali. Conhecer o que já tantas vezes tinha ouvido falar! É como regressar ao passado. Imaginar o que se passou. Ouvimos o Sweet child of mine dos Guns n’ Roses numa juke box e seguimos caminho para um dia repleto de emoções. Destino: CORCOVADO. Apanhámos o Trém do Corcovado que inicia uma íngreme subida em direcção ao Cristo Redentor. Por meio de uma floresta densa e repleta de árvores que desconheço vamos em direcção ao ponto mais alto da cidade. Pelo caminho, placas indicam o nome das árvores de fruto (mangueira, cajueiro, árvore que dá a jaca - jaqueira? - etc) e num ou noutro ponto erguem-se estátuas engraçadas de índios e animais oriundos dessa zona. Estamos em pleno Parque Nacional da Tijuca. Lindíssima subida como que a preparar-nos para a vista que teríamos oportunidade de ver em seguida. Quase no topo a vegetação abre-se abruptamente e nós sustemos a respiração de espanto: a vista é arrebatadora. Lágrimas marejaram-me os olhos. A paisagem mais bonita que até hoje vi. Não parecia real. FABULOSO! Não me será possível transmitir a sensação que tive. Se tiverem oportunidade não percam! Assisto com o meu amor ao pôr do sol lindo e irrepetível (como cada pôr do sol) no Corcovado. Plenitude! Descemos já de noite. O condutor do “trem” pára em cada local em que a vegetação se abre. De noite a vista é diferente e igualmente bela. Luzinhas que tremeluzem aqui e ali relembrando-nos que esta é sem dúvida uma cidade maravilhosa cheia de encantos mil. De volta ao nosso carro, já no trânsito um miúdo levanta a camisola. Ingenuamente pensei que seria para mostrar que estava magro e tinha fome e olhava eu para ele nestes pensamentos até que a Mónica (carioca) me diz que ele está a mostrar que não está armado. Só nestes momentos eu percebia que me encontrava numa cidade efectivamente perigosa. Nunca me senti insegura, talvez por estar com eles que são de lá e se movem com a naturalidade de quem conhece bem as “manhas” da cidade.
Dia 15/08: Vamos pela rua e passam bicicletas com altifalantes anunciando produtos ou estabelecimentos, constantemente, como se estivéssemos em festa constante. Relembrando os carros que passam anunciando os circos por altura do Verão. Vamos até à praia vermelha uma praia de jurisdição militar onde bebemos uma água de côco bem geladinha! Pelo caminho passamos no “Bondinho”, um teleférico que liga o famoso Pão de Açucar a outras duas montanhas. Em mais de 100 anos de história nunca houve um acidente mas aquela caixinha cheia de pessoas até à exaustão a uma data de metros de altitude não me seduziu. Achei-a encantadora mas cá de baixo!! Seguimos para o famoso calçadão e aí sim, mais uma vez me apercebi da perigosidade de certos pontos da cidade. O nosso primo deixou-nos pisar no calçadão, dar três passos e regressar ao outro lado da estrada a grande velocidade. Nada que nos tenha dito directamente mas percebemos o seu nervosismo em tirar-nos dali. Foi mesmo para não dizermos que não tínhamos lá ido. Como nos explicou várias vezes os pontos turísticos são sempre fortes atractivos ao banditismo que facilmente identificam os alvos preferenciais para assaltos...Passámos então pelas praias de Copacabana, Ipanema, Leblon, tomámos uma belo banho (de areia! Correnteza ao mais alto nível) na Barra e ao longe vislumbrámos a Pedra da Gávea (de onde se vêem pessoas a saltar de Pára-Quedas nas novelas). Nesse dia almoçámos no “Mirante” um miradouro também conhecido das telenovelas com uma bela vista para a praia do Leblon.
Dia 16/08: Quem não se lembra da “TOP MODEL”? Gasparzinho e Cia? Malu Mader? Lembram-se concerteza! Estive lá! Na famosa casa de praia do Gaspar! Está velhota mas de pé. É hoje em dia um restaurante em frente à praia. Mais uma bela banhoca de areia. Sim quem espera águas paradas no Inverno desengane-se... Eu esperava... Buáaaaaaaaaaa! J Neste mesmo dia fomos até à Praínha, uma praia pequena no meio de montanhas de floresta fulgurante. Um reduto de surfistas (lá os vimos). Um pequeno paraíso escondido no meio das montanhas. Ao fim do dia, fui até ao “mercadão” um centro comercial muito engraçado. Quando as lojas fecham, instalam-se banquinhas de venda ambulante. Um sítio alucinante, cheio de vida!
Dia 17/08: Partimos para Rio das Ostras, uma vilazinha Litoral perto de Búzios. Pelo caminho parámos no Sabor Rural, um restaurante de estrada muito engraçado e pitoresco inspirado nos “sítios” característicos pela criação de Gado. Chegados a Rio das Ostras esperava-nos uma feijoada à maneira, na lenha, com tudo o que lhe está associado: farofa, arroz branco, carnes várias, caldo verde salteado e os sumos. Que maravilhosos sumos naturais bebi! Destaque para o de abacaxi e hortelã que é qualquer coisa!! Visitámos a Tocolândia, um centro de artesanato e a praia das tartarugas onde as mesmas apareciam várias vezes fazendo juz ao nome da praia. Cheguei a nadar a cerca de 3 metros de uma! Estes contactos com a natureza fazem-me ganhar o dia!
Dia 18/08: CABO FRIO! Na praia do Forte o melhor banho de sempre! A água de um azul clarinho e de uma limpidez incríveis. A corrente aceitável, dava para ir além do banho de areia. Enchemos o papinho ali! E depois... E isto é mais para as meninas... O santuário dos Bikinis... É aberrante o preço que cobram cá pelos bikinis! Comprei 3 a 29 Euros o que cá daria para comprar talvez a parte de cima de um... Enfim... À noite jantámos em Búzios... Adorei Búzios! Muito bonito, muito cuidado.
Dia 19/08: Já devem ter adormecido por esta altura mas cá continuo a minha descrição detalhada da viagem. (Demasiado detalhada?! Todos estes pormenores se desvanecerão com o passar dos dias. Assim fico com uma descrição fiel do que vivi e de como senti esta viagem! Perdoem-me o egoísmo...) Este dia era o dia do Baptizado do Pedrinho. Foi muito bom poder partilhar este momento importante para eles COM eles. Isto de viver com um oceano de permeio torna cada momento que se passa na companhia de quem está longe especial! Foi uma emoção partilhar com eles este dia e foi certamente muito importante para o Pedro poder ser padrinho em presença ao invés de passar uma procuração. O Pedrinho é um bébé adorável. Muito bem disposto, muito curioso, muito explorador e inteligente. A cada queda se levanta mostra que não está cá para ser derrubado. Teve um início de vida complicado, nasceu com uma deficiência num pezito que neste momento se encontra praticamente “concertada” o que nos deixa desconcertados! Como é que um bébé que já passou por tanto consegue ser tão feliz e despreocupado?! Grande lição de vida! Um aninho e tão cheio de vontade de viver!
Dia 20/08: passeio de barco ao largo de Búzios.
Dia 21/08: Descarga no verdadeiro sentido da palavra de todas as coisitas boas que andei a comer. Era por cima era por baixo... No dia seguinte já estava pronta para outra e continuei no espírito da GULA.
Dia 22/08: Olha qui coisa mais linda é ela qui passa, lá lá lá lá! IPANEMA! Passeámos até à exaustão por esta parte da cidade. Coisas que vi neste dia:
- Estádio do Vasco da Gama por fora e por dentro! Vimos tudo! Balneários, internato, refeitório, centro médico, campos de treino, alguns jogadores (que podiam passar por mim que eu não faria ideia de quem eram...), a sala de troféus, and so on and so on. Foi uma visita cheia de significado para o nosso primo Luciano que é Vascaino até às entranhas! E eu confesso que também gostei.
- Jardim de Ipanema
- Almoço no Da Silva
- Lagoa Rodrigo de Freitas (linda!)
- Nota: neste momento as pessoas já evitam falar em favelas por estarem associadas a coisas desagradáveis. As pessoas que lá moram preferem que se diga COMUNIDADES.
- Estádio do Maracanã
- Escola de Samba da Mangueira (que lá está é também uma “comunidade”)
- Favela ooooppssss Comunidade Jacarezinho (onde nasceu o famoso Romário)
NOTA: À noite, sinais vermelhos e STOP tornam-se misteriosamente invisíveis. NINGUÉM pára. Mais um sinal da insegurança que sinceramente nunca senti (FELIZMENTE!).
Dia 23/08: Praia. Mais um belo dia de correnteza... Depois não querem que eu esteja com cor de lula... Não há condições... Nem banho de mar nem banho de sol. VENTO!
Dia 24/08: Último dia da viagem. Deu ainda para aproveitar ah pois é!
NOTAS: Polícia sempre de armas em riste; o trânsito no Rio é do mais caótico que há. Aí sim senti genuíno medo e temi pela minha vida!
Chegou nesse dia o momento da despedida e custa tanto quando ela chega inadiável sabe-se lá por quanto tempo... Sei que por mais tempo que passe nunca hei-de esquecer as pessoas maravilhosas que conheci e que enriqueceram a nossa estadia lá! Hermínia, Roberto, Alexandre, Mónica, Sílvia, Mayara, Cassula, D. Conceição (mais de 90 anos!), Marta, Victor, Sheila e claro os nossos queridos Luciano e Carla que esperamos ver cá, já com o Pedrinho em 2009. Tem de ser!
Adeus Rio de Janeiro, cidade maravilhosa em que as montanhas conquistam o céu! Até 2012??
DATAS A ASSINALAR:
16 de Agosto: A minha mana do coração Cat!
22 de Agosto: Amiga João!
Espero que o vosso dia tenha sido FELIZ!
E já agora para os mais distraídos...
I'M BACK!
P.S. Fui ver os simpsons ao cinema... FRAQUINHO. Os episódios canichitos da TV enchem-me mais as medidas. Mas gostei da mensagem ambiental ;)
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
O Rouxinol e a Rosa - Oscar Wilde
_ Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas – exclamou o Estudante – mas estamos no inverno e não há uma única rosa no jardim...
Por entre as folhas, do seu ninho, no carvalho, o Rouxinol o ouviu e, vendo-o ficou admirado...
_ Não há nenhuma rosa vermelha no jardim! – disse o Estudante, com os olhos cheios de lágrimas. – Ah! Como a nossa felicidade depende de pequeninas coisas! Já li tudo quanto os sábios escreveram. A filosofia não tem segredos para mim e, contudo, a falta de uma rosa vermelha é a desgraça da minha vida.
Eis, afinal, um verdadeiro apaixonado! – disse o Rouxinol. Tenho cantado o Amor noite após noite, sem conhecê-lo no entanto; noite após noite falei dele às estrelas, e agora o vejo... O cabelo é negro como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas o amor pôs-lhe na face a palidez do marfim e o sofrimento marcou-lhe a fronte.
_ Amanhã à noite o Príncipe dá um baile, murmurou o Estudante, e a minha amada se encontrará entre os convidados. Se levar uma rosa vermelha, dançará comigo até a madrugada. Somente se lhe levar uma rosa vermelha... Ah... Como queria tê-la em meus braços, sentir-lhe a cabeça no meu ombro e a sua mão presa a minha. Não há rosa vermelha em meu jardim... e ficarei só; ela apenas passará por mim... Passará por mim... e meu coração se despedaçará.
_ Eis um verdadeiro apaixonado... – pensou o Rouxinol. – Do que eu canto, ele sofre. O que é dor para ele é alegria para mim. Grande maravilha, na verdade, é o Amar! Mais precioso que esmeraldas e mais caro que opalas finas. Pérolas e granada não podem comprá-lo, nem se oferece nos mercados. Mercadores não o vendem, nem o conferem em balanças a peso de ouro.
_ Os músicos da galeria – prosseguiu o Estudante – tocarão nos seus instrumentos de corda e, ao som de harpas e violinos, minha amada dançará. Dançará tão leve, tão ágil, que seus pés mal tocarão o assoalho e os cortesãos, com suas roupas de cores vivas, reunir-se-ão em torno dela. Mas comigo não bailará, porque não tenho uma rosa vermelha para dar-lhe... – e atirando-se à relva, ocultou nas mãos o rosto e chorou.
_ Por que está chorando? – perguntou um pequeno lagarto ao passar por ele, correndo, de rabinho levantado.
_ É mesmo! Por que será? – Indagou uma borboleta que perseguia um raio de sol.
_ Por quê? – sussurrou uma linda margarida à sua vizinha.
_ Chora por causa de uma rosa vermelha, - informou o Rouxinol.
_ Por causa de uma rosa vermelha? – exclamaram – Que coisa ridícula! E o lagarto, que era um tanto irônico, riu à vontade.
Mas o Rouxinol compreendeu a angústia do Estudante e, silencioso, no carvalho, pôs-se a meditar sobre o mistério do Amor.
Subitamente, abriu as asas pardas e voou.
Cortou, como uma sombra, a alameda, e como uma sombra, atravessou o jardim.
Ao centro do relvado, erguia-se uma roseira. Ele a viu. Voou para ela e posou num galho.
_ Dá-me uma rosa vermelha – pediu – e eu cantarei para ti a minha mais bela canção!
_ Minhas rosas são brancas; tão brancas quanto a espuma do mar, mais brancas que a neve das montanhas. Procura minha irmã, a que enlaça o velho relógio-de-sol. Talvez te ceda o que desejas.
Então o Rouxinol voou para a roseira, que enlaçava o velho relógio-de-sol.
_ Dá-me uma rosa vermelha – pediu – e eu te cantarei minha canção mais linda.
A roseira sacudiu-se levemente.
_ Minhas rosas são amarelas como as cabelos dourados das donzelas, ainda mais amarelas que o trigo que cobre os campos antes da chegada de quem o vai ceifar. Procura a minha irmã, a que vive sob a janela do Estudante. Talvez ela possa te possa ajudar.
O Rouxinol então, dirigiu o vôo para a roseira que crescia sob a janela do Estudante.
_ Dá-me uma rosa vermelha – pediu - e eu te cantarei a mais linda de minhas canções.
A roseira sacudiu-se levemente.
_ Minhas rosas são vermelhas, tão vermelhas quanto os pés das pombas, mais vermelhas que os grandes leques de coral que oscilam nos abismos profundos do oceano. Contudo, o inverno regelou-me até as veias, a geada queimou-me os botões e a tempestade quebrou-me os galhos. Não darei rosas este ano.
_ Eu só quero uma rosa vermelha, repetiu o Rouxinol, - uma só rosa vermelha. Não haverá meio de obtê-la?
_ Há, respondeu a Roseira, mas é meio tão terrível que não ouso revelar-te.
_ Dize. Não tenho medo.
_ Se queres uma rosa vermelha, explicou a roseira, hás de fazê-la de música, ao luar, tingi-la com o sangue de teu coração. Tens de cantar para mim com o peito junto a um espinho. Cantarás toda a noite para mim e o espinho deve ferir teu coração e teu sangue de vida deve infiltrar-se em minhas veias e tornar-se meu.
_ A morte é um preço exagerado para uma rosa vermelha – exclamou o Rouxinol – e a Vida é preciosa... É tão bom voar, através da mata verde e contemplar o sol em seu esplendor dourado e a lua em seu carro de pérola...O aroma do espinheiro é suave, e suaves são as campânulas ocultas no vale, e as urzes tremulantes na colina. Mas o Amor é melhor que a Vida. E que vale o coração de um pássaro comparado ao coração de um homem?
Abriu as asas pardas para o vôo e ergueu-se no ar. Passou pelo jardim como uma sombra e, como uma sombra, atravessou a alameda.
O Estudante estava deitado na relva, no mesmo ponto em que o deixara, com os lindos olhos inundados de lágrimas.
_ Rejubila-te – gritou-lhe o Rouxinol – Rejubila-te; terás a tua rosa vermelha. Vou fazê-la de música, ao luar. O sangue de meu coração a tingirá. Em conseqüência só te peço que sejas sempre verdadeiro amante, porque o Amor é mais sábio do que a Filosofia; mais poderoso que o poder.. Tem as asas da cor da chama e da cor da chama tem o corpo. Há doçura de mel em seus braços e seu hálito lembra o incenso.
O Estudante ergueu a cabeça e escutou. Nada pode entender, porém, do que dizia o Rouxinol, pois sabia apenas o que está escrito nos livros.
Mas o Carvalho entendeu e ficou melancólico, porque amava muito o pássaro que construíra ninho em seus ramos.
_ Canta-me um derradeiro canto – segredou-lhe – sentir-me-ei tão só depois da tua partida.
Então o Rouxinol cantou para o Carvalho, e sua voz fazia lembrar a água a borbulhar de uma jarra de prata.
Quando o canto finalizou, o Estudante levantou-se, tirando do bolso um caderninho de notas e um lápis.
_ Tem classe, não se pode negar – disse consigo – atravessando a alameda. Mas terá sentimento? Não creio. É igual a maioria dos artistas. Só estilo, sinceridade nenhuma. Incapaz de sacrificar-se por outrem. Só pensa e cantar e bem sabemos quanto a Arte é egoísta. No entanto, é forçoso confessar, possui maravilhosas notas na voz. Que pena não terem significação alguma, nem realizarem nada realmente bom!
Foi para o quarto, deitou-se e, pensando na amada, adormeceu.
Quando a lua refulgia no céu, o Rouxinol voou para a Roseira e apoiou o peito contra o espinho. Cantou a noite inteira e o espinho mais e mais foi se enterrando em seu peito, e o sangue de sua vida lentamente se escoou...
Primeiro descreveu o nascimento do amor no coração de um menino e uma menina; e, no mais alto galho da Roseira, uma flor desabrochou, extraordinária, pétala por pétala, acompanhando um canto e outro canto. Era pálida, a princípio, qual a névoa que esconde o rio, pálida qual os pés da manhã e as asas da alvorada. Como sombra de rosa num espelho de prata, como sombra de rosa em água de lagoa era a rosa que apareceu no mais alto galho da Roseira.
Mas a Roseira pediu ao Rouxinol que se unisse mais ao espinho. – Mais ainda, Rouxinol, - exigiu a Roseira, - senão o dia raia antes que eu acabe a rosa.
O Rouxinol então apertou ainda mais o espinho junto ao peito, e cada vez mais profundo lhe saía o canto porque ele cantava o nascer da paixão na alma do homem e da mulher.
E tênue nuance rosa nacarou as pétalas, igual ao rubor que invade a face do noivo quando beija a noiva nos lábios.
Mas o espinho não lhe alcançava ainda o coração e o coração da flor continuava branco – pois somente o coração de um Rouxinol pode avermelhar o coração de rosa.
_ Mais ainda, Rouxinol, - clamou a Roseira – raiar o dia antes que eu finalize a rosa.
E o Rouxinol, desesperado, calcou-se mais forte no espinho, e o espinho lhe feriu o coração, e uma punhalada de dor o traspassou.
Amarga, amarga lhe foi a angústia e cada vez mais fremente foi o canto, porque ele cantava o amor que a morte aperfeiçoa, o amor que não morre nem no túmulo.
E a rosa maravilhosa tornou-se purpurina como a rosa do céu oriental. Suas pétalas ficaram rubras e, vermelho como um rubi, seu coração.
Mas a voz do Rouxinol se foi enfraquecendo, as pequeninas asas começaram a estremecer e uma névoa cobriu-lhe o olhar, o canto tornou-se débil e ele sentiu qualquer coisa apertar-lhe a garganta.
Então, arrancou do peito o derradeiro grito musical.
Ouviu-o a lua branca, esqueceu-se da Aurora e permaneceu no céu.
A rosa vermelha o ouviu, e trêmula de emoção, abriu-se à aragem fria da manhã. Transportou-o o Eco, à sua caverna purpurina, nos montes, despertando os pastores de seus sonhos. E ele levou-os através dos caniços dos rios e eles transmitiram sua mensagem ao mar.
_ Olha! Olha! Exclamou a Roseira. – A rosa está pronta, agora.
Ao meio dia o Estudante abriu a janela e olhou.
_ Que sorte! – disse – Uma rosa vermelha! Nunca vi rosa igual em toda a minha vida. É tão linda que tem certamente um nome complicado em latim. E curvou-se para colhê-la.
Depois, pondo o chapéu, correu à casa do professor.
_ Disseste que dançarias comigo se eu te trouxesse uma rosa vermelha, - lembrou o Estudante. – Aqui tens a rosa mais linda e vermelha de todo o mundo. Hás de usá-la, hoje a noite, sobre ao coração, e quando dançarmos juntos ela te dirá o quanto te amo.
A moça franziu a testa.
_ Esta rosa não combina com o meu vestido, disse. Ademais, o Capitão da Guarda mandou-me jóias verdadeiras, e jóias, todos sabem, custam muito mais do que flores...
_ És muito ingrata! – exclamou o Estudante, zangado. E atirou a rosa a sarjeta, onde a roda de um carro a esmagou.
_ Sou ingrata? E o senhor não passa de um grosseirão. E, afinal de contas, quem és? Um simples estudante... não acredito que tenhas fivelas de prata, nos sapatos, como as tem o Capitão da Guarda... – e a moça levantou-se e entrou em casa.
_ Que coisa imbecil, o Amor! – Resmungou o estudante, afastando-se. – Nem vale a utilidade da Lógica, porque não prova nada, está sempre prometendo o que não cumpre e fazendo acreditar em mentiras. Nada tem de prático e como neste século o que vale é a prática, volto à Filosofia e vou estudar metafísica.
Retornou ao quarto, tirou da estante um livro empoeirado e pôs-se a ler...
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